Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Vítimas da Festa do “Avante!” interrogadas

  • 333

Eduardo apresentou queixa à PSP por agressão e sequestro. Foi encontrado sem sentidos fora do recinto

TIAGO MIRANDA

PSP e MP ouvem algumas das pessoas que denunciaram agressões de elementos do ‘Apoio’ da Festa

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista


A investigação às alegadas agressões e sequestros durante a última edição da Festa do “Avante!” deu os primeiros passos esta semana e promete acelerar nas próximas. Os agentes da Esquadra de Investigação Criminal do Seixal da PSP responsáveis pelo caso interrogaram esta quinta e sexta-feira três das sete pessoas que denunciaram atos violentos cometidos por elementos do ‘Apoio’ da Festa nas noites de 4 a 6 de setembro. E o Ministério Público (MP) já convocou pelo menos duas delas para depor sobre o caso no final da próxima semana.

Foi a segunda vez que a PSP ouviu as alegadas vítimas, com idades entre os 18 e 25 anos. Em setembro, poucas horas depois do encerramento da Festa e ainda na ressaca dos acontecimentos, todas se dirigiram à esquadra de Cruz de Pau, no Seixal, para apresentar queixa-crime e então contaram o que tinha ocorrido. Esta semana, foi a PSP que os chamou, para novo interrogatório.

Os três rapazes da Margem Sul confirmaram às autoridades a versão inicial dos acontecimentos: os irmãos Eduardo e Miguel relataram que um grupo de seguranças com uma farda azul-escura, com a palavra ‘Apoio’ escrita nas costas e nos bonés, surgiu no meio de uma zaragata e em poucos segundos meteram-nos à força numa carrinha, onde levaram socos, pontapés e bastonadas. Depois, foram separados e abandonados fora do recinto. Eduardo seria encontrado inconsciente por duas testemunhas que dizem ter assistido às agressões ainda no interior da Quinta da Atalaia.

Também José, outro dos queixosos, voltou a contar à PSP que foi sovado com um bastão extensível nas costas, ombros e pernas, juntamente com alguns amigos — entre eles uma rapariga —, que o acompanhavam nessa noite. Além das agressões a que terá sido sujeito, dentro e fora de uma carrinha, o jovem desempregado também afirma que lhe roubaram o telemóvel.

PCP e PSP não comentam

O gabinete de comunicação do PCP não avançou ao Expresso se algum elemento da organização da Festa do “Avante!” foi convocado pela PSP ou pelo MP, nem a PSP quis prestar esclarecimentos neste sentido. A Procuradoria-Geral da República refere apenas que “as investigações estão em curso”.

Os outros queixosos, três portugueses e um espanhol, ainda não foram chamados para novo interrogatório. O galego Manuel S., 34 anos — que o PCP referiu em comunicado como estando a fazer sexo oral para justificar a sua expulsão da Festa —, contou ao Expresso que está a ser “seguido por uma psicóloga”. Já o militante comunista José P., 55 anos, esteve de baixa médica até ao último dia 8, cerca de um mês depois da Festa. “Fiquei em casa pois tinha dificuldade em me mexer”, conta este rececionista. O mesmo aconteceu a Manuel, submetido a uma cirurgia de urgência a um pé depois de ser atropelado por uma viatura da organização na primeira noite da Festa: “Só regressei ao trabalho esta semana e ainda ando apoiado por muletas.”

Nos dois comunicados emitidos sobre o caso, o PCP salientou que “os serviços de ‘Apoio’ da Festa são assegurados por militantes que de acordo com as orientações estabelecidas zelam pela tranquilidade do evento e o apoio aos seus visitantes”. O partido garantiu ainda que “a Festa encaminha para as autoridades situações que, aliás, são absolutamente excecionais numa iniciativa desta dimensão, consideradas não conformes com o ambiente e tranquilidade da Festa, em articulação com a PSP”.