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Sociedade

Comer bem, viver melhor

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Mário Joao

Alimentos orgânicos, sem açúcar, adoçantes, glúten ou lácteos podem dar receitas nutritivas e saborosas

Há cinco anos, Mariana Pessanha, de 31 anos, cansou-se da vida que tinha, desafiou o namorado, um engenheiro insatisfeito que trabalhava na Ferrari, pôs a mochila às costas e fez-se ao mundo. Na base da decisão estava a insatisfação de trabalhar em publicidade. Afinal, acabava por estar a vender produtos às pessoas em vez de “trabalhar em prol de causas sociais”. Durante o primeiro estágio ficou claro que aquele não era o caminho. O corpo começou a dar de si e Mariana ficou doente. “Desde pequena que oscilava um bocadinho de peso e as dietas acabaram por me deixar doente.” Foi aí que decidiu mudar-se para Londres e estudar, numa escola de naturopatia, a relação dos alimentos com a saúde, usando o seu corpo como cobaia. E ficou melhor. No fundo, é seguir a célebre frase de Hipócrates: “Fazer do alimento o medicamento.”

“O curso mudou tudo. Achamos que os alimentos são apenas coisas que comemos todos os dias e nos dão energia. Isso não é falso, mas resume muito pouco do que a alimentação pode fazer. Com uma alimentação saudável podemos mudar muita coisa, basta estabelecermos um bom PH (o mais alcalino possível) através dos alimentos, estabelecer bons hábitos”, diz, sentada numa das mesas do Organic Caffe, no Estoril, um dos muitos projetos em que a sua mudança de vida e consequente volta ao mundo se traduziram.

Foram vários meses, passados entre o Havai, a Austrália e África, a descobrir quais os melhores ingredientes, a compor receitas, a experimentar diferentes tipos de gastronomia. Quando a volta ao mundo terminou, Mariana e Diogo Teixeira de Sousa, o namorado, instalaram-se no Rio de Janeiro, onde ele já tinha vivido, convencidos de que era ali que iam ficar. “Um dia estou sentada a ver o Morro dos Dois Irmãos e percebo que adoro o Rio, mas que é em Portugal que quero trabalhar. Andámos a viajar à procura do lugar onde queríamos ficar e acabámos por perceber que era aqui.”

No regresso, começou a passar o seu novo estilo de vida em consultas de naturopatia, workshops e, mais tarde, devido ao sucesso das receitas que ensinava e publicava nas redes sociais, a fazer take-away. A vida mais saudável, sem glútenes, produtos lácteos ou processados, e em que só os alimentos orgânicos e naturais entram no estômago começou a crescer e a procura fez o casal pensar em dar uma oferta como resposta.

Agora, Mariana e Diogo entram num outro desafio: perceber se podem tornar tudo isso um negócio rentável? Além do Organic Caffe, há outros negócios a começar, um serviço de entregas em casa, que funcionará através de uma aplicação, um take-away, que pode ser levantado no espaço no Estoril (mesmo atrás do Hotel Palácio). Diogo, o responsável pela área de negócio, já pensa nos passos seguintes. A derradeira prova da viabilidade económica do conceito ecológico, saudável começa aqui.

Como retaguarda, há uma carta recheada de pratos, todos concebidos por Mariana, que saciam, alimentam, são nutritivos e, não menos importante, contribuem para a perda de gordura. “O meu foco não é a estética, mas sim a saúde.” Claro que uma coisa vem através da outra, sem o poder inflamatório do glúten ou os conservantes dos alimentos processados o corpo muda. Mas antes a saúde equilibra-se. E sem passar fome. Sim, porque o strogonoff de lentilhas (€12), o de frango (€14), o teriaki de novilho (€13), a corvina ao sésamo (€15) o cheseecake com molho de frutos silvestres (€5) ou o pudim de chia (€3,8) têm muito (e bom) sabor.

Alimentos proibidos

Café — Aumenta os níveis de açúcar no sangue, ao estimular as suprarrenais a produzirem cortisol. É o responsável número um pela fraca qualidade de sono, contribui para quadros de ansiedade, dores de cabeça e fadiga crónica.

Produtos Light — São um presente envenenado devido a utilizarem aspartame, entre outros adoçantes que desregulam os mecanismos de saciedade do organismo para além de comprometerem o funcionamento hepático (fígado).

A maioria dos multivitaminicos — É melhor direcionar a suplementação necessária a determinada pessoa e não "combos". Alguém que tenha carência de vitaminas B não tem obrigatoriamente carência de vitamina A ou C.

Margarinas — Alto teor de gorduras trans que, além de comprometerem o funcionamento do fígado por estarem carregadas de produtos químicos (corantes, conservantes, E, OMG), não têm quantidade alguma de gorduras saudáveis, indispensáveis à produção hormonal/transporte neurológico de cada um.

Produtos lácteos — Devido a produzirem muco em todo o trato digestivo, comprometem o funcionamento intestinal (onde se dá a maioria de absorção de nutrientes). Criam um ambiente propício a reações alérgicas como a sinusite.