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Moradores do Cais do Sodré criticam inoperância da PSP

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A associação "Aqui Mora Gente", diz que todas as noites são feitas “dezenas de chamadas” para a PSP. Os moradores queixam-se que do lado das autoridades as respostas são: “não temos meios”, ”isso é problema da Polícia Municipal”, “não podemos impedir as pessoas de estarem na rua”

DR

Os moradores no Cais do Sodré, em Lisboa, criticaram esta sexta-feira a inoperância da PSP no que respeita aos conflitos resultantes da diversão noturna existente no bairro, pedindo para trabalharem juntos numa solução para o problema.

Numa carta enviada ao diretor nacional da PSP, a associação "Aqui Mora Gente" lembra que, nos últimos anos, as zonas do Bairro Alto, Cais do Sodré e Santos atingiram "uma situação limite como palco de uma crescente e dominadora movimentação noturna de diversão até altas horas da madrugada, fruto da proliferação consentida e desordenada de negócios fáceis e rentáveis de estabelecimentos de venda de bebidas alcoólicas".

"Nos bairros históricos de Lisboa, o número de pessoas pode chegar aos 100.000 num fim de semana, sem que existam infraestruturas de segurança e ordem pública montadas para tal afluxo de pessoas", acrescentam na carta, a que a agência Lusa teve acesso.

Afirmando que a situação torna "inviável, em contínuo e de forma agressiva, o descanso e a vida dos moradores", a associação alerta que têm sido consentidos bares com "colunas de som estridentes para a via pública, indiferentes a quem ali mora, crianças, adultos e idosos", a venda e consumo de álcool a menores, "concertos" improvisados a meio da noite, praxes académicas ruidosas e jovens em comas etílicos, entre outras coisas.

"Sinais bem visíveis para todos da impunidade noturna, as ruas, largos e jardins ficam cobertos de garrafas, copos de plástico, vómito, urina e toda a espécie de dejetos; foram destruídos equipamentos urbanos, é vandalizado o património público e privado, proliferam os "tags", viaturas danificadas, contentores de lixo incendiados, desacatos permanentes, insultos a moradores, assaltos, tráfico de droga. A criminalidade e o sentimento de insegurança dos cidadãos têm vindo a aumentar atingindo, hoje, em particular nestas zonas, níveis nunca antes vistos", frisam os moradores.

Indicando que todas as noites são feitas "dezenas de chamadas" para a PSP por "moradores desesperados", a associação lamenta que a resposta seja: "'Não temos meios', 'isso é problema da Polícia Municipal', 'não podemos impedir as pessoas de estarem na rua' ou 'não podemos impedir as pessoas de gritar' ou 'passaremos quando pudermos', aparecendo duas a três horas depois".

Na carta, os moradores frisam que "não podem aceitar este tipo de resposta de uma entidade pública, cujas funções são as de servir os cidadãos" e defendem que a PSP tem "fundamentos legais suficientes para fazer cumprir a lei e mandar dispersar e calar quem esteja na rua a fazer barulho a qualquer hora que seja, mas em particular a partir das 23:00".

Afirmam ainda que "não podem aceitar que as responsabilidades e deveres sejam "chutadas" para outras entidades também públicas".

Por tudo isso, a associação pede que "sejam colocados no terreno os meios suficientes para garantir a ordem e tranquilidade públicas".

Os moradores pedem ainda para serem recebidos pessoalmente no sentido de trabalharem em conjunto com a PSP no restabelecimento dos direitos mais básicos dos moradores.

A Lusa contactou a PSP, mas não recebeu qualquer resposta até ao início da tarde desta sexta-feira.