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Advogado de Sócrates: “O Ministério Público levou uma trepa”

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Nuno Botelho

Para João Araújo, o caso resume-se assim: “Todo este processo é uma derrota para o país”

Sócrates foi libertado, mas João Araújo não festeja. “Todo este processo é uma derrota para o país, para a democracia, para o Estado de Direito. Não há vitórias aqui”, afirmou o advogado de José Sócrates aos jornalistas, à saída da casa do arguido, em Lisboa.

Numa primeira reação à alteração da medida de coação do antigo primeiro-ministro - passou de prisão domiciliária para termo de identidade e residência -, João Araújo volta a ser muito crítico relativamente à atuação do Ministério Público (MP). Segundo o advogado, a Procuradora-Geral da República e o seu adjunto alegam que foi uma iniciativa sua a decisão de libertar José Sócrates, mas João Araújo garante que foi o despacho do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC) que conduziu à alteração da medida de coação.

“Formalmente, o que se está a passar é que os senhores do Ministério Público insistem em esconder que o MP levou uma trepa”, diz o advogado.

João Araújo adiantou que na segunda-feira vai receber a cópia do processo, começando a partir daí a defesa a analisá-lo desde o principio. “Ao fim de sete meses, vamos todos confirmar o que sabemos, que o engenheiro Sócrates está preso ilegalmente”, acrescentou. Voltou a referir que não há nenhuma razão para haver medidas de coação e que o Ministério Público está numa tentativa de “salvar a face”.

Pedro Delille, o outro advogado, disse acreditar que as medidas de coação de José Sócrates serão anuladas em breve. “Antes de qualquer questão importa que o tribunal declare ilegais todos os atos desde 15 de abril. Sobre essa parte o juiz não se pronunciou. O que teria sido justo é que Sócrates não fosse indiciado. Mas pensamos rapidamente que as medidas de coação serão eliminadas.”

Na quinta-feira, a defesa de José Sócrates entregou um requerimento a solicitar a libertação imediata do ex-primeiro-ministro, que esteve 42 dias em prisão domiciliária, em Lisboa, depois de dez meses no estabelecimento prisional de Évora. O ex-primeiro-ministro ficou em prisão preventina no dia 25 de novembro de 2014, acusado de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais.