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Vírus do ébola pode permanecer no sémen durante nove meses

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ZOOM DOSSO/GETTY

Um estudo envolvendo sobreviventes da doença na Serra Leoa concluiu que o vírus resiste mais tempo do que se julgava. Em 26% das amostras analisadas, o ébola estava presente no caso de homens que tinham adoecido há sete e nove meses

A persistência do vírus do ébola no sémen pode ser bastante superior ao que se julgava e permanecer até nove meses depois de se manifestarem os primeiros sintomas. A conclusão do estudo preliminar divulgado pelos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos vem trazer novos elementos sobre a forma como devem ser acompanhados os sobreviventes da doença e obriga a que sejam adotados procedimentos de segurança.

Neste trabalho, os investigadores começaram por recolher amostras de sémen de 93 homens maiores de 18 anos da Serra Leoa. Feitas as análises, verificaram a presença do vírus em todas as amostras pesquisadas nos primeiros três meses depois de diagnosticada a doença. A percentagem diminuiu para 65% entre os que tinham adoecido desde há quatro e seis meses e para 26% entre os que tinham ficado doentes há sete e nove meses.

O relatório foi publicado no “New England Journal of Medicine”, a mesma publicação que anunciou em março um outro estudo que identificou um caso de ébola transmitido por via sexual, seis meses depois de o homem ter ficado doente.

Em função dos novos dados, os homens que sobreviveram à doença estão a ser aconselhados a usarem preservativos, mesmo que estejam sem sintomas há algum tempo.

“Estes resultados chegam num momento extremamente importante, lembrando-nos que embora o número de casos de ébola continuem a baixar, os sobreviventes e as suas famílias continuam a lutar com os efeitos da doença”, afirmou Bruce Aylward, representante especial da Organização Mundial de Saúde (OMS) para o combate ao Ébola.

“O estudo mostra que os sobreviventes devem ser acompanhados de perto durante os próximos seis a 12 meses, de maneira a enfrentar esses desafios e garantir que os seus parceiros não estão expostos ao vírus”, acrescentou, citado pela agência AFP.

Os resultados aparecem na mesma altura em que, no Reino Unido, uma enfermeira está internada, em estado crítico, depois de ter sofrido uma complicação relacionada com o vírus, meses depois de ter concluído os tratamentos contra o Ébola e ter sido dada como curada, em janeiro.