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Quercus alerta: "30 torres eólicas são um atentado ao Alto Douro Vinhateiro"

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Associação ambientalista enviou uma participação à Unesco chamando a atenção para a “incompatibilidade” do projeto do parque eólico de Torre de Moncorvo com a classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial.

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Há um projeto para erguer 30 aerogeradores, com a altura de prédios de 30 andares (120 metros), na Zona Especial de Proteção do Alto Douto Vinhateiro, classificado como Património Mundial. Se o projeto for para a frente, "as torres vão avistar-se a dezenas de quilómetros extravasando os impactes para lá da zona de estudo e da zona classificada, o que será brutal", sublinha João Branco, presidente da Quercus.

Temendo os impactes ambientais e na paisagem, a associação ambientalista avançou, esta semana, com uma participação junto da UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, com a esperança de que esta "interceda junto das autoridades portuguesas e a construção do parque seja suspensa".

O Parque Eólico de Torre de Moncorvo, projetado pela Island Renewable Energy, prevê a construção de três dezenas de torres eólicas de 120 metros e a uma altitude de 900 metros, entre os concelhos de Torre de Moncorvo e Carrazeda de Ansiães. Segundo os ambientalistas, "a instalação é incompatível com a paisagem classificada do Alto Douro Vinhateiro, já afetada negativamente por outros projetos como a Barragem de Foz Tua".

Num comunicado enviado às redações, os ambientalistas sublinham que "o Douro é composto por um mosaico de áreas agrícolas, com socalcos e floresta mediterrânica, e não deve ser afetado com uma industrialização da paisagem", que pode, em consequência, "vir a afetar também o turismo na região do Douro Superior e acarretar prejuízos económicos e sociais".

Além destes impactos negativos, a Quercus lembra que é preciso conservar o habitat protegido de zimbral existente na zona, assim como proteger a biodiversidade natural local e as populações das aldeias próximas, uma vez que pelo menos um dos recetores produz um nível de ruído "acima do limite legal" no período noturno, "o que é preocupante para o bem-estar e qualidade de vida das populações".