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DGS garante que está controlado surto de infeção hospitalar em Gaia

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Infeção associada à morte de oito doentes portadores de Kiebssiella pneumoniae está a evoluir para a resolução. Coordenadora do Centro Hospitalar de Gaia, Margarida Mota, diz que sobrelotação de doentes facilitou a disseminação

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

O diretor-geral da Saúde, Francisco George, divulgou esta quinta-feira um comunicado a confirmar que desde agosto já foram “cumulativamente identificados 30 doentes portadores da bactéria multirresistente no Centro Hospitalar de Gaia/Espinho”, dos quais oito desenvolveram a infeção, “uma vez que é preciso distinguir o estado de portador por colonização bacteriana da condição de doente infetado”.

Desde o início do surto já faleceram oito pacientes portadores de Kiebssiella penumoniae, mas a Direção-Geral da Saúde (DGS) refere que apenas três dos óbitos resultaram da infeção por esta bactéria, confirmando as informações já veiculadas terça-feira por Margarida Mota, coordenadora local do Programa de prevenção e Controle de Infeção e Resistência a Antimicrobianos.

A DGS adianta ainda que neste momento estão internados na unidade hospitalar de Gaia 14 doentes “nos quais já foi isolada a bactéria, embora apenas um deles apresente a infeção”. Dos 13 doentes assintomáticos, oito foram identificados através de pesquisa ativa conduzida pela equipa do Hospital de Gaia, assegurando a DGS que “já foi identificado o mecanismo de resistência da bactéria”.

Novo rastreio dependente do inicial

Francisco George garantiu esta quinta-feira de tarde que o surto está controlado e a evoluir para a resolução, mas Margarida Mota sublinha que estão envolvidas muitas variáveis para que se possa fazer uma estimativa de quantos doentes possam ainda vir a manifestar a infeção.

Até ao momento foram rastreados 44 doentes, todos pacientes que tiveram contacto (no mesmo espaço físico) que os doentes infetados ou colonizados. Em relação a quantos ainda irão ser sujeitos a novo rastreio, a coordenadora do programa de prevenção referiu ao Expresso que “vai depender dos resultados dos rastreios iniciais”.

Apesar de o paciente que desenvolveu a bactéria e propagou por contágio direto ou indireto a infeção ter sido identificado há dois meses, o surto só terça-feira foi tornado público e assumido pelo Centro Hospitalar de Gaia/Espinho, após uma notícia do “Jornal de Notícias”. A DGS garante, no entanto, que o hospital implementou medidas que permitiram a identificação precoce do caso índice, rastreio para a identificação e isolamento de todos os doentes portadores ou infetados pela bactéria, tendo estabelecido medidas de controlo para evitar o aparecimento de novos casos de acordo com as normas.

Questionada sobre se o Centro Hospitalar não deveria ter tornado público o surto, Margarida Mota refere que o hospital efetuou a notificação ao INSA (Instituto Nacional de Saúde) e à DGS, “como estipulado nos casos de suspeita de surtos por bactérias alerta”.

Margarida Mota sustenta que a bactéria surgiu como resultado da pressão antibiótica e que a sua rápida disseminação “é uma caraterística da klebsiella”. A sobrelotação, rácio profissional de saúde/doentes e as condições estruturais dos serviços “também facilitam a sua disseminação”. “Estão documentados surtos em instituições com todas as condições físicas e medidas de prevenção e controle de infeção muito rigorosos”, acrescenta Margarida Mota.