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Chefe das Secretas nega em tribunal envolvimento no escândalo

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O principal arguido do processo, Jorge Silva Carvalho, à entrada para o tribunal

Marcos Borga

Júlio Pereira voltou a negar ter dado ordens para obter a lista de telefonemas do jornalista do “Público” Nuno Simas. É a segunda vez que o chefe das secretas depõe como testemunha do caso

O magistrado do Ministério Público e chefe das Secretas Júlio Pereira negou esta quinta-feira em tribunal ter pedido ou obtido autorizações para obter a facturação detalhada do jornalista Nuno Simas. Pereira defendeu que ordenou apenas "a faturação detalhada de telemóveis usados pelos serviços".

A defesa, representada pelo advogado Paulo Simão Caldas, está a tentar provar que Júlio Pereira estaria envolvido no caso e que teria autorizado a obtenção da lista de telefonemas do jornalista do "Público" Nuno Simas. No entanto, o chefe das Secretas garante não ter tido conhecimento dessa ordem, dada depois de Simas ter escrito uma peça sobre o alegado mal-estar que se estaria a fazer sentir nos serviços secretos.

Júlio Pereira também nega estar a par de quaisquer contactos com a Ongoing. De acordo com o magistrado, o principal arguido do processo, Jorge Silva Carvalho, terá enviado a Nuno Vasconcellos, presidente da Ongoing, dois emails numa altura em que já estaria afastado do serviço. Os emails conteriam informação sobre dois empresários russos e um porto grego que a Ongoing queria negociar.

Pereira está a ser ouvido como testemunha no processo das Secretas. O responsável pela queixa que deu origem ao processo judicial dirigiu os serviços secretos durante dez anos e está a ser ouvido pela procuradora Teresa Almeida pela segunda vez - a primeira foi em agosto de 2011, no auge do escândalo.