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A batata é o futuro das embalagens alimentares

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Dentro de três anos os alimentos poderão ser embalados em bioplásticos à base de batata. Equipa da Universidade de Aveiro está a desenvolver protótipos mais amigo do ambiente e da saúde que as embalagens tradicionais

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

A investigadora Idalina Gonçalves junto a uma amostra do bioplástico feito de batata

A investigadora Idalina Gonçalves junto a uma amostra do bioplástico feito de batata

“Uma matéria-prima de baixo custo e mais amiga do ambiente.” É assim que a investigadora Idalina Gonçalves, da Universidade de Aveiro (UA), apresenta a sua mais recente descoberta: o uso de batatas como base de embalagens alimentares. Ao fim de 10 meses de investigação, a equipa da UA conseguiu desenvolver um subproduto que se parece com o filme de plástico utilizado pela indústria alimentar para acondicionar alimentos frescos e congelados, mas que opta por ter como matéria-prima este tubérculo em vez de derivados de petróleo.

O bioplástico à base de amido é biodegradável e, como tal, “reduz os impactos ambientais originados pela produção de resíduos plásticos e contribui para a sustentabilidade da própria indústria da batata”, sublinha a investigadora. Enquanto um pedaço de plástico pode levar centenas de anos a degradar-se, “os filmes de amido perdem mais de 90 por cento do seu peso após 31 dias de incubação com um sistema orgânico”, explica a investigadora, o que “que reduz a produção de resíduos”. Por outro lado, “quando se utilizam subprodutos da indústria da batata, como cascas e águas das lavagens, estamos a reduzir os custos acrescidos de eliminação destes outros resíduos".

Idalina Gonçalves defende também que os ingredientes do novo bioplástico promovem uma melhor conservação dos alimentos que os plásticos tradicionais, uma vez que “estes se cruzam com outros químicos que podem ser nocivos para a saúde”. E, acrescenta, “os filmes de amido têm boas propriedades de barreira ao oxigénio e ao vapor de água”, além de serem películas transparentes, resistentes e sem sabor ou cheiro.

Com a investigação a continuar a bom ritmo e tenso sido “promissores os resultados até agora”, Idalina Gonçalves espera que dentro de três anos o protótipo possa sair da escala laboratorial para a industrial. Para já, têm um contrato com a indústria de batata, mas os contactos com a indústria do plástico, que também pode beneficiar desta nova matéria-prima, ficam para mais tarde.

“Uma embalagem inteligente”

O trabalho da equipa - que conta também com a colaboração dos departamentos de Química e de Engenharia de Materiais e Cerâmica (unidades de investigação QOPNA e CICECO) da UA - continua em desenvolvimento. E um dos próximos passos poderá ser a criação de uma “embalagem inteligente, capaz de monitorizar a qualidade dos alimentos frescos, incluindo, por exemplo, avisos sobre a sua deterioração, a absorção de oxigénio, o teor de humidade ou o PH”.

Outro dos objetivos é permitir “aumentar o tempo de prateleira dos alimentos”. Para isso, estão a investigar a incorporação de compostos ativos extraídos da casca da batata, como a cutina e os polifenóis, que têm propriedades antimicrobianas e antioxidantes.