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Sociedade

Metade da riqueza mundial nas mãos de 1% da população

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As diferenças entre ricos e pobres são cada vez mais extremas. Daqui a cinco anos, o número de pessoas ricas vai praticamente duplicar, revela o Crédit Suisse

A desigualdade económica continua a aumentar e a crise que eclodiu em 2008 parece estar a contribuir cada vez mais para agravar o fosso entre ricos e pobres. As conclusões são do relatório sobre a riqueza mundial divulgado pelo Crédit Suisse não são animadoras: 1% da população mundial, a mais rica, tem tanto dinheiro como os restantes 99%. Ou seja, 1% do total da população possui metade do valor total de ativos disponíveis no mundo.

De acordo com o grupo financeiro suíço, a polarização cada vez mais evidente entre ricos e pobres deve-se às melhorias registadas nos mercados financeiros. O património dos mais ricos é mais afetado pelos ganhos do que aquele que pertence à grande maioria da população. Neste sentido, as conclusões do estudo revelam que os principais índices das bolsas europeias e norte-americanas, o Eurostoxx 50 e o S&P 500, cresceram mais de 10% no último ano.

Para mais, embora o número de cidadãos muito ricos (aqueles que possuem um património igual ou superior a 50 milhões de dólares, ou 43, 8 milhões de euros) tenha diminuído, o número de “ultra ricos” (os que possuem 500 milhões de dólares - 43,8 mil milhões - ou mais) aumentou ligeiramente. Os mais ricos distribuem-se maioritariamente pelos Estados Unidos (59 mil pessoas), China (10 mil) e Reino Unido (5.400). E a tendencia para a concentração da riqueza vais agravar-se. O Crédit Suisse adianta que o número de pessoas que possuem um património superior a um milhão de dólares (874.421 euros) vai crescer 46% até 2020.

O relatório conclui que durante o ano que passou tanto os Estados Unidos como a China continuaram a registar um crescimento sólido. No entanto, a maior parte das moedas desvalorizou em relação ao dólar norte-americano e, no total, o mundo perdeu riqueza no valor de 12,4 biliões de euros.

Quanto a Portugal, más notícias: o relatório situa Portugal entre os dez países com pior desempenho no que toca ao crescimento real da riqueza entre 2000 e 2015. Portugal desceu 0,4%, enquanto a média mundial mostra um crescimento de 2%.

O estudo conduzido pelo Crédit Suisse recorreu a dados patrimoniais de 4.800 milhões de adultos procedentes de mais de 200 países.