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Jiadista preso em Madrid não pediu ajuda a Portugal

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Polícia espanhola deteve Fábio Medeiros de Almeida em Toledo

Fábio Medeiros de Almeida foi detido há dez dias em Espanha. Autoridades suspeitam que faça parte de uma rede internacional que recrutava mulheres para o Estado Islâmico

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Fábio Medeiros de Almeida foi detido a 4 de outubro nos arredores de Toledo pelas autoridades espanholas, ficando em prisão preventiva. Dez dias depois da megaoperação policial, que deteve em Espanha e Marrocos dez pessoas suspeitas de pertencer a uma rede que recrutava mulheres para o autodenominado Estado Islâmico (Daesh), o português não pediu ajuda aos serviços consulares em Espanha. “Não foi detetado até ao momento qualquer tipo de pedido de apoio por parte do cidadão português”, disse ao Expresso José Cesário, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.

O alegado jiadista de 26 anos nasceu em Portugal, mas a família partiu dos Açores, quando ainda era novo, em direção a França. Terá sido nos arredores de Paris que o português se converteu ao Islão mais extremo, estando debaixo do radar das autoridades há já alguns meses. Uma fonte próxima da investigação garante que Fábio Almeida tem cadastro, não especificando no entanto o tipo de crime que o levou para a prisão.

Segundo fontes próximas da família, o emigrante conheceu através da Internet uma marroquina de 23 anos chamada Sanai, que residia em casa do pai nos arredores de Toledo. Os dois iniciaram um namoro através das redes sociais há cerca de um ano.

Dia 2 de outubro, sexta-feira, Fábio Almeida viajou de carro até à urbanização Calalberche, um bairro residencial próximo daquela cidade, pedindo Saná em casamento. Dois dias depois, na madrugada de domingo, uma dezena de operacionais da Polícia Nacional espanhola arrombou o apartamento da família de emigrantes marroquinos, apreendendo material informático e detendo Fábio e Sanai. A Justiça de Madrid manteve o casal em prisão preventiva.

Na urbanização Calalberche, os vizinhos garantem que a jovem tinha uma vida considerada normal: viajava todos os dias de transportes públicos para trabalhar numa frutaria em Móstoles, uma cidade próxima daquele bairro de classe média. “Não é nenhuma terrorista e nem sequer era radical nas suas convicções”, diz uma amiga ao Expresso.

Se o português mudar de ideias e pedir auxílio à diplomacia de Lisboa, os serviços consulares podem agilizar o contacto com as autoridades locais e dar assistência legal, disponibilizando-lhe uma lista de advogados. Podem também ajudá-lo a contactar com os familiares que residem em França.