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Amílcar Morais Pires é arguido no caso BES

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José Caria

O ex-administrador financeiro do banco é o sétimo arguido no inquérito ao universo Espírito Santo, confirma a Procuradoria-Geral da República

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Desde junho que o cerco se apertava a Amílcar Morais Pires. Nesse mês, uma propriedade do ex-administrador do Grupo Espírito Santo (GES) foi alvo de buscas policiais, tendo alguns dos seus bens de luxo no valor de milhares de euros sido arrestados pela Justiça para no futuro servirem de garantia a reembolsos aos lesados do BES/GES. Não foi, no entanto, constituído arguido naquela operação.

Agora, quatro meses depois, Morais Pires torna-se no sétimo arguido da investigação ao GES, confirma a Procuradoria-Geral da República ao final da tarde. Fonte próxima do caso revela ao Expresso que o gestor entrou oficialmente na lista de suspeitos do Ministério Público há cerca de uma semana.

Os restantes arguidos do caso são Ricardo Salgado, até há poucos meses o homem-forte do grupo; José Castella, o responsável pelo controlo financeiro da área não financeira do GES; Isabel Almeida, a ex-diretora financeira do BES; António Soares, o ex-diretor do BES-Vida; Pedro Luís Costa, o ex-administrador da Espírito Santo Ativos Financeiros; e Cláudia Boal de Faria, ex-diretora do departamento de gestão de poupança do BES.

Segundo a SIC Notícias, que revelou a notícia em primeira mão esta tarde, a informação de que Morais Pires se tornou arguido consta de um acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa, que decidiu levantar o arresto de bens do ex-administrador. A decisão da Relação dá razão à defesa que alegava que o arresto não podia ter sido feito antes do ex-administrador ser constituído arguido. Os bens do antigo administrador tinham sido arrestados em junho, depois das buscas domiciliárias.

O gabinete de comunicação da PGR não comenta o teor do acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa.

Amílcar Morais Pires esteve sempre no topo da lista dos procuradores que investigam o processo. Um dos sinais dados pelo MP foi o de entre os arguidos se encontrar Isabel Almeida, considerada o braço direito do antigo administrador financeiro. Em janeiro deste ano, a gestora revelou publicamente nunca ter tomado qualquer decisão relevante sem o conhecimento e o acordo prévio de Morais Pires, então o seu superior hierárquico.

Em dezembro do ano passado, na Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso BES/GES, Amílcar Morais Pires lembrou que Ricardo Salgado geria o banco num “regime presidencialista” e que sabia de tudo o que se passava até ao mínimo pormenor. “Eu era o braço-direito, o esquerdo e o mindinho”, garantiu então aos deputados.

Atualizada às 19h44