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A história incómoda da ex-agente da CIA detida em Lisboa

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Ana Baião

Condenada em Itália por causa do rapto do imã de Milão feito pela CIA, Sabrina de Sousa, antiga operacional de contraterrorismo, tem dupla nacionalidade há dois anos mas só há uma semana é que as autoridades italianas incluíram o seu passaporte português no mandado de captura emitido contra ela

A história de Sabrina de Sousa promete tornar-se ainda mais incómoda do que já era. O seu caso envolvia até agora dois países – Itália e Estados Unidos – mas desde segunda-feira que passou a envolver três, com a execução de um mandado de captura europeu quando se preparava para embarcar para Goa no aeroporto de Lisboa.

A ex-agente da CIA de origem goesa faz parte do lote de 23 americanos condenados em 2009 em Itália por causa de uma operação clandestina da CIA que levou ao rapto em 2003 de Abu Omar, o imã de Milão, num dos episódios mais famosos de “rendições extraordinárias” de suspeitos de terrorismo realizadas pelos serviços secretos dos Estados Unidos depois do 11 de Setembro.

Sabrina, de 59 anos, tem nacionalidade norte-americana mas desde abril deste ano que está a viver em Lisboa, depois de ter conseguido readquirir no final de 2013 a sua cidadania portuguesa, que lhe fora dada à nascença em Goa e que tinha perdido quando aquele território passou a pertencer à Índia, em 1961.

Apesar de logo em abril ter sido noticiada a sua chegada a Lisboa, usando para isso o seu estatuto de cidadã portuguesa e sendo acompanhada na viagem pela eurodeputada Ana Gomes, só na quinta-feira da semana passada, 1 de outubro, é que as autoridades italianas incluíram os dados do seu passaporte português no mandado de captura que existia contra ela. O que levou a que o Sistema de Informação Schengen disparasse um alerta vermelho e os inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) procedessem à sua detenção.

A ex-agente tinha planeado estar presente no aniversário dos 89 anos da mãe, que ainda vive em Goa e que se encontra atualmente doente. O seu regresso a Lisboa estava previsto para 26 de outubro.

Libertada no dia seguinte à detenção no aeroporto, a ex-agente da CIA foi ouvida pelo Tribunal da Relação de Lisboa e a sua extradição para Itália foi suspensa. O seu advogado vai apresentar nos próximos dias uma alegação de defesa, sublinhando que o julgamento em Itália foi feito na sua ausência e que Sabrina nunca foi notificada da acusação que pendia sobre ela nem da sentença que determinou a sua condenação a cinco anos de prisão por alegadamente ter participado no planeamento da operação de rapto de Abu Omar. Argumentos que, associado ao facto de se tratar de uma cidadã portuguesa, são suficientes para a Relação recusar o cumprimento do mandado de captura.

Empenhada em limpar o seu nome, a ex-agente da CIA tem denunciado aquilo a que chama de “encobrimento”, por parte dos Estados Unidos e de Itália, sobre o que aconteceu de facto e os erros que foram cometidos no caso Abu Omar, ao mesmo tempo que desmente ter tido qualquer envolvimento na operação clandestina. “Não tive nada a ver com o caso Abu Omar, nem com o planeamento do seu rapto”, diz Sabrina ao Expresso. “Quando isso aconteceu eu estava longe, a fazer esqui com a minha família.”

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