Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Oliveira Martins deixa Tribunal de Contas e vai para a Gulbenkian

  • 333

Cavaco Silva já assinou o pedido de exoneração de Oliveira Martins como presidente do Tribunal de Contas. GOM abandona a liderança deste órgão de soberania e segue para a administração da Gulbenkian

Nuno Botelho

A meio do 3º mandato como presidente do Tribunal de Contas, Guilherme d'Oliveira Martins pediu a exoneração ao Presidente da República. Administrador executivo da Fundação Gulbenkian é o desafio que se segue. Cavaco já deu luz verde

O presidente do Tribunal de Contas, Guilherme d'Oliveira Martins, apresentou o pedido de exoneração de funções ao Presidente da República, que assinou o despacho de exoneração pelas 17h00 desta sexta-feira.

Guilherme d'Oliveira Martins (GOM) passa a fazer parte da administração executiva da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), instituição que é presidida por Artur Santos Silva.

O homem que presidiu aos destinos do Tribunal de Contas nos últimos dez anos, e está à frente do Centro Nacional de Cultura desde 2003, tem uma vasta experiência na área da cultura. O seu nome tem sido avançado como potencial candidato da área socialista às eleições presidenciais de 2016. Fontes próximas de Oliveira Martins garantiram ao Expresso que, neste momento, GOM quer abraçar o desafio na área cultural e científica que a FCG representa.

A Fundação Gulbenkian, em comunicado, diz que o homem que “exerceu até à data as funções de presidente do Tribunal de Contas tem uma vasta experiência de dedicação à causa pública e de intervenção cívica e cultural”.

O descanso de Marçal Grilo

Aos 73 anos, Eduardo Marçal Grilo - que também foi ministro da Educação de António Guterres - troca a administração da FCG pela reforma, depois de 30 anos de trabalho naquela instituição.

Dez anos mais novo do que Marçal Grilo, Oliveira Martins é agora o quinto elemento da administração executiva da Gulbenkian, de que fazem igualmente parte Isabel Mota, Teresa Gouveia, Martin Essayan e José Neves Adelino.

Como administradores não executivos mantêm-se o ex-presidente da Fundação, Emílio Rui Vilar, José Joaquim Gomes Canotilho e António Guterres.

Terceiro mandato fica a meio

Nascido em setembro de 1952, Guilherme d'Oliveira Martins está prestes a completar “40 anos de serviço público, e 10 como Presidente do Tribunal de Contas - a média de anos dos seus antecessores”, informa o Tribunal em comunicado, que confirma a entrega do “seu pedido de exoneração deste cargo, com efeitos a partir de 1 de novembro”.

Oliveira Martins cessa funções no TC a meio do seu terceiro mandato de quatro anos, como presidente daquele órgão de soberania. A decisão surpeendeu vários colaboradores próximos do homem que liderava o órgão de soberania responsável pela fiscalização das contas públicas do país.

“No seu pedido de exoneração, o presidente do Tribunal de Contas sublinhou que os dez anos em que exerceu o cargo corresponderam a um ciclo em que o Tribunal de Contas se consolidou nos planos nacional e internacional”, refere o comunicado daquele órgão de soberania.

Dos dois mandatos e meio que Oliveira Martins passou à frente do Tribunal de Contas, o comunicado destaca o reforço estatutário da instituição, “consubstanciado” nas leis que “estabeleceram um regime de responsabilidade financeira adequado à sociedade portuguesa atual”.

No plano internacional, o Tribunal de Contas “foi chamado à presidência da Organização Europeia de Tribunais de Contas, após ter exercido funções no Conselho Diretivo da Organização Mundial de Tribunais de Contas”. Destaque ainda para a “cooperação desenvolvida no âmbito dos Tribunais de Contas da CPLP e no âmbito do Comité de Contacto dos Tribunais de Contas da União Europeia”.

  • O ex-ministro que foi a Bruxelas à procura de Tintim

    Diz que prefere viajar de comboio mas nunca fez um interrail e, além disso, gosta de contar com a ajuda da mulher para preparar as malas. Em compensação tira notas e apontamentos de todas as viagens, incluindo as organizadas pelo Centro Nacional de Cultura a que preside.  "Na Senda de Fernão Mendes", é o novo livro de Guilherme d'Oliveira Martins.

  • A PIDE vasculhou todos os cantos da casa. Menos o frigorífico onde estavam os papéis

    O Centro Nacional de Cultura foi fundado por três grupos de jovens: uns eram monárquicos, outros da Mocidade Portuguesa, outros da ação católica. Mais tarde esquerdizou-se e foi palco de várias incursões da PIDE. Comemora este ano sete décadas de vida. Conheça as histórias dos vários combates que travou ... e dos assaltos de Carnaval que organizou