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Nuno Crato estende cursos vocacionais a todas as escolas

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FOTO LUÍS BARRA

Cursos mais práticos destinados a alunos a partir dos 13 anos já chegavam a mais de 30 mil jovens, mas mantinham o estatuto de “experiência-piloto”. Agora são introduzidos no sistema, naquela que ficará como uma das últimas medidas na área da Educação nesta legislatura

Depois de três anos de experiência e sem se conhecer qualquer avaliação, o Ministério da Educação divulgou esta sexta-feira os relatórios internos e externos que apontam para o “impacto positivo” dos cursos vocacionais, criados pelo ministro Nuno Crato, e a portaria que integra formalmente esta via de formação no ensino (2º e 3º ciclos do básico e secundário). Ou seja, a partir de agora, qualquer escola interessada em oferecer esta alternativa poderá fazê-lo, mediante a apresentação de um projeto.

Na portaria, assinada pelo ministro da Educação a 30 de setembro, poucos dias antes das eleições legislativas de 4 de outubro, justifica-se a decisão com o “impacto positivo no combate ao abandono e na promoção do sucesso escolar, na inclusão de jovens em risco de abandono, no cumprimento efetivo da escolaridade obrigatória e no desenvolvimento de vários sectores de atividade que dela necessitavam”.

Apesar desta avaliação, a criação de cursos vocacionais que permitem o encaminhamento de alunos de 13 anos para vias mais profissionais (os antigos cursos de educação e formação tinham os 15 anos como idade mínima) tem sido criticada por quem considera que a separação entre vias de formação não deve ocorrer tão cedo. É certo que a lei não impede a transição para as vias regulares de ensino, mas a passagem acaba por ser complicada, já que é exigido aos alunos a realização de exames nacionais.

A verdade é que estes cursos foram aumentado de ano para ano e abrangem atualmente mais de 35 mil alunos, a grande maioria no ensino básico.

Sucesso e satisfação

De acordo com os números constantes nos relatórios divulgados esta sexta-feira, as percentagens de alunos em abandono ou risco de abandono são baixas – (4,6% em 2014/15 no básico e 12,5% no caso do secundário) e as taxas de sucesso (transição e conclusão) elevadas. Entre os 79% nos primeiros e os 84% por cento nos segundos.

O Ministério sublinha ainda o envolvimento das empresas nesta formação, garantindo experiências de prática simulada em contexto de trabalho (no básico) ou estágios formativos (no secundário) e que ascendem atualmente a 12 mil.

No relatório de avaliação externa surgem mais dados a suportar o sucesso da experiência. Diretores, professores, pais e alunos expressam, regra geral, uma visão positiva sobre os cursos.

No caso dos docentes, por exemplo “cerca de metade que respondeu ao inquérito considera que esta oferta educativa é muito ou muitíssimo adequada a estes alunos, cerca de um terço considera que é medianamente adequada e apenas 16% consideram que não é adequada”. Mas uma percentagem significativa (40%) considera que não trazem nenhum benefício/prejuízo em relação aos cursos de educação e formação, outra alternativa profissionalizante que existia no secundário.

Do ponto de vista dos alunos, a experiência também parece genericamente positiva, com três em cada quatro dos inquiridos a responderem que voltariam a inscrever-se no curso.

Pais com muito poucos estudos

Quanto ao perfil dos estudantes, o relatório deixa evidente que a via dos vocacionais é sobretudo escolhida por filhos de pais com muito baixas habilitações. Apenas 1,1% dos pais e 1,6% das mães têm habilitação superior, quando a percentagem no total da população portuguesa adulta diplomada é de 20%.

A sobrerrepresentação dos níveis de instrução mais baixos é visível ainda no facto de 91% dos pais e de 87% dos alunos inscritos nos vocacionais terem no máximo o 9º ano, ou seja, um valor inferior à já baixa estrutura de qualificação da população total: entre os 25 e os 64 anos, 63% têm no máximo o 9º ano.