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Mais quadros roubados da exposição nas ruas de Lisboa. “É um ato egoísta, mas não deixa de ser um ato de amor”

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Imagem do quadro “Ruínas de Roma Antiga”, de Giovanni Paolo Pannini. A réplica deste quadro é uma das duas que acaba de ser roubada

Não destruíram nada. Levaram consigo os quadros e fizeram um trabalho “absolutamente limpo”, quase parecia “aquelas aventuras do bandido sofisticado”. Este é o segundo caso de furto das réplicas que foram expostas nas ruas de Lisboa

O museu saiu à rua. E na rua despareceram os quadros do museu. Ou melhor, as réplicas das obras “Ruínas de Roma Antiga”, de Giovanni Paolo Pannini, e “Feira da Ladra na Praça da Alegria”, de Nicolas Delerive. As “estampas” foram levadas do Pátio do Tijolo, em Lisboa. Este é o segundo furto desde a inauguração da exposição “ComingOut. E se o Museu saísse à rua?”.

Há dois dias, na passada terça-feira, o Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) deu por falta de duas obras. Sem alarmismos, o diretor do MNAA, António Filipe Pimentel, conta ao Expresso que situações como esta fazem parte do projeto e já eram esperadas. “Estávamos preparados para muito pior, que a exposição não durasse 24 horas, que houvesse vandalismo gratuito.”

Certo é que não deixa de ser um roubo, mas o MNAA não vai apresentar queixa e não se mostra preocupado, uma vez que a partir do momento da inauguração, a 29 de setembro, as réplicas deixaram de pertencer ao museu e passam “ser dos cidadãos, que podem fazer o que quiserem”.

O diretor do museu sublinha ainda a qualidade do trabalho do “bandido sofisticado” que levou as réplicas: “Não há destruição, levaram-nos os suportes e tudo. Foi um trabalho absolutamente limpo. Parece aquelas aventuras do bandido sofisticado que passa e leva dois quadros”.

A imagem do quadro “Feira da Ladra na Praça da Alegria”, de Nicolas Delerive

A imagem do quadro “Feira da Ladra na Praça da Alegria”, de Nicolas Delerive

Mas o que leva alguém a levar um destes quadros? “Eu acho que levam porque gostam dele. Se furtam algo para seu próprio consumo é porque gostam”, justificou António Filipe Pimentel. Tal como alguém que rouba um livro - embora “não seja algo ético, nasce da vontade de o ler”. No entanto, é tirado às outras pessoas a possibilidade de usufruir do que foi roubado.

“É um ato egoísta, mas não deixa de ser um ato de amor”, refere o diretor do MNAA. Já na semana passada, um outro quadro tinha desaparecido da Rua da Rosa. Trata-se da reprodução de "Inferno", pintado no século XVI por um pintor português desconhecido.

António Filipe Pimentel lembra que se trata apenas de réplicas sem valor comercial. “Não são obras de arte, são estampas impressas. Os quadros originais estão tranquilos dentro do Museu.” O “pior” é o que perde no que foi investido nas molduras e na “melhor tecnologia de impressão”.

Apesar dos furtos, a exposição “está a correr como previsto” e “tornou-se viral”. O diretor do MNAA conta ainda que o projeto está a ter “bastante impacto, tanto a nível nacional como internacional”, e que os furtos até têm ajudado na divulgação das obras.

A exposição “ComingOut. E se o Museu saísse à rua?” foi inaugurada a 29 de setembro, numa parceria entre o Museu Nacional de Arte Antiga, a Câmara de Lisboa e a HP Portugal. As réplicas das obras estão colocadas nas zonas do Chiado, Bairro Alto e Príncipe Real. Começaram por ser 31 obras expostas. Sobram 28.