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Cientistas alertam para crise global de branqueamento de corais

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David Gray / Reuters

É a terceira vez que este fenómeno ocorre à escala mundial e tudo por causa das alterações climáticas. Especialistas preveem que perdas de recife coral serão superiores a 12 mil quilómetros só em 2015, mas este fenómeno poderá prolongar-se até 2016. “Se isto não é uma crise, o que é?”

Uma crise de branqueamento de corais à escala global, que poderá levar à perda de mais de 12 mil quilómetros de superfície coral só este ano. Foi este o alerta levantado esta quinta-feira por um grupo de cientistas, que destacam um fenómeno que poderá estender-se até 2016 e que irá afetar as regiões dos oceanos Índico e Pacífico e a bacia do Atlântico-Caraíbas.

Os responsáveis por esta situação? O aquecimento global e os fenómenos climáticos El Niño e Blob no Pacífico, que provocam um aquecimento da água dos oceanos, podendo levar ao branqueamento dos corais e até à sua morte. A descoberta foi revelada por um consórcio constituído por cientistas da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, na sigla inglesa), a expedição XL Caitlin Seaview Survey, a Universidade de Queensland na Austrália e pela organização não-governamental Reef Check.

O mais recente fenómeno de branqueamento dos recifes de coral iniciou-se em 2014 a norte das ilhas Marianas e no Guão, estendendo-se depois pelo oceano Pacífico até ao Hawai, Caraíbas e ainda oceano Índico.

“Esta é apenas a terceira vez que presenciamos um fenómeno global de branqueamento dos corais”, afirma o líder do Observatório dos Recifes de Coral da NOAA, Mark Eakin. Os fenómenos anteriores tiveram lugar em 1998 e 2010, durante apenas um ano. “O que verificamos agora é um fenómeno de escala semelhante, mas que poderá durar pelo menos dois anos”, explica. E questiona: "Se isto não é uma crise, o que é?"

Ainda que as perdas previstas para este ano não sejam tão elevadas como em 1998 (estima-se que em 2015 cerca de 5% da superfície mundial de coral possa desaparecer), os investigadores temem que, se o fenómeno se estender durante o próximo ano, essa percentagem possa aumentar.