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Investigação sobre ADN vale Nobel da Química a três cientistas

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Imagens dos três vencedores do Nobel da Química (Thomas Lindahl, Paul Modrich and Aziz Sancar) reveladas durante o anúncio feito esta manhã em Estocolmo

FREDRIK SANDBERG / EPA

Um sueco, um turco e um norte-americano venceram esta quarta-feira o prémio atribuído pela Academia Real de Ciência da Suécia. Tomas Lindahl, Aziz Sancar e Paul Modrich foram galardoados pelas descobertas relativas aos mecanismos de reparação do ADN e que podem ajudar no desenvolvimento dos tratamentos contra o cancro

Tomas Lindalh, Paul Modrich e Aziz Sancar são os vencedores do prémio Nobel da Química de 2015. O trio foi galardoado pela Academia Real de Ciência da Suécia pelas descobertas relativas aos mecanismos de reparação do ADN. A investigação conduzida pelos três cientistas pode ser útil no desenvolvimento dos tratamentos contra o cancro e, segundo a Academia, “proporciona um conhecimento fundamental sobre o funcionamento das células”.

Lindahl, um dos premiados, mostrou-se surpreendido pela notícia, participando por telefone numa conferência de imprensa que se seguiu à entrega do prémio. Segundo o cientista, que já estudava as propriedades genéticas antes de ter começado a trabalhar com Modrich e Sancar, o ADN é “muito mais instável” do que se poderia pensar. O cientista sueco diz ter esperança de que o seu trabalho possa conduzir a uma melhoria dos tratamentos e medicamentos contra o cancro.

Os três vencedores têm origens muito diferentes: Tomas Lindalh, de 77 anos, vem da Suécia e está ligado ao Instituto Francis Crick e ao Laboratório Clare Hall, ambos situados no Reino Unido; o norte-americano Paul Modrich, de 69 anos, dá aulas na Escola de Medicina na Universidade de Duke, nos Estados Unidos; e Aziz Sancar, também com 69 anos, nascido na Turquia, está ligado à Universidade da Carolina do Norte, nos EUA.

As investigações deste trio têm incidido sobre o papel das células na reparação do ADN danificado diariamente, por exemplo, pela exposição a raios ultravioleta, radiação ou outros agentes cancerígenos. Para além da ação destes agentes, o ADN também se altera espontaneamente milhares de vezes por dia.

Os laureados mapearam uma série de sistemas moleculares que descreveram como uma “caixa de ferramentas de reparação de ADN”. Estes sistemas dedicam-se a monitorizar e a reparar o ADN para impedir que este se desintegre num “completo caos químico”, que poderia tornar impossível o desenvolvimento de vida na Terra, segundo o comunicado da Academia. No início da década de 1970, acreditava-se no meio científico que o ADN se trataria de uma molécula extremamente estável.

Os próximos prémios Nobel a anunciar são os da Literatura (quinta-feira), Paz (sexta-feira) e Economia (segunda-feira).

[Texto atualizado às 12h50]