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Birdwatching: todos de olhos no céu

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Este é fim de semana de observação de aves em toda a Europa

SPEA

Até domingo é tempo de olhar o céu, não em busca de estrelas mas de aves. Será assim por toda a Europa. E em Sagres, no Algarve, o Festival de Observação de Aves & Atividades de Natureza está de “portas” campestres abertas

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Entrámos no outono e é tempo de migração das aves para sul. São milhões as que procuram o trajeto mais favorável para fugirem do inverno dos países nórdicos em busca de paragens mais quentes em África. Umas ficam, outras seguem o seu caminho ao largo do Algarve para Gibraltar, e outras atrevem-se a atravessar o Atlântico.

A rota das aves passa por Portugal e um dos hot spot para os que gostam de as observar é a península de Sagres, no Algarve. Ali, elas têm o habito de voar mais baixo do que noutras paragens e, por isso, é o local escolhido para mais uma edição do Festival de Observação de Aves & Atividades de Natureza.

Promovido pela Câmara Municipal de Vila do Bispo, em conjunto com a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves e a associação Almargem, o evento já valeu à terra o prémio de “Município do Ano”. Segundo o presidente da Câmara Adelino Soares, “o evento tem contribuído para consolidar Vila do Bispo como um importante destino de turismo de natureza, atraindo cada vez mais visitantes nacionais e estrangeiros".

Esta atração em época baixa "compensa o investimento feito", garante o autarca, já que "tem-se refletido positivamente nos restantes meses do ano, com turistas a regressarem e a usufruírem dos serviços das empresas locais parceiras do festival.”

Para os birdwatchers é tempo de olhar o céu de binóculos e câmara fotográfica em punho, em busca da melhor imagem de uma águia-real, de um falcão-da-rainha, de uma pardela-balear ou de um papa-figos e muitas dezenas de outras espécies.

Mas não é só de aves que vive este festival. Duas centenas de atividades, entre ateliês de educação ambiental, observação de golfinhos, caminhadas e passeios de burro ou a cavalo atraem centenas de adeptos, na sua maioria turistas estrangeiros, que também aproveitam para explorar o Parque Natural da Costa Vicentina e Sudoeste Alentejano.

Turismo de natureza a crescer

Portugal tem-se afirmado como um destino para os fãs de birdwatching. E no Algarve, entre Sagres e a Ria Formosa, passando pela Ria do Alvor ou pela Lagoa dos Salgados, encontram-se vários hot spots com a possibilidade de ver diferentes espécies. A ideia é corroborada por dados do Turismo de Portugal, que indicam que o turismo de natureza é um nicho em crescimento com diversificação da oferta.

O birdwatching é uma atividade praticada por 80 milhões de pessoas em todo o mundo, sendo particularmente popular nos países anglo-saxónicos e escandinavos, que procuram o sul da Europa em busca de aves que não avistam mais a Norte.

Em permanência ou de passagem nas rotas migratórias, contam-se três centenas de espécies de aves em território nacional, entre as dez mil existentes no mundo. Por cá residem espécies únicas na Europa, como a águia-imperial ou a pega-azul, ou exclusivas de Portugal, como o priolo dos Açores ou a freira da Madeira. Cerca de um terço das espécies de aves que residem ou pousam em território nacional estão em risco, de acordo com o “Livro Vermelho dos Vertebrados”.

Em Portugal, as regiões de turismo do Algarve, do Alentejo e dos Açores são das que mais se têm empenhado em apostar nestes nichos. Em 2014, o turismo de natureza representava mais de 9% das viagens de lazer na Europa e apresentava-se como uma forma de fugir à tradicional época de veraneio. Por cá, estimam-se cerca de cinco mil birdwatchers nacionais. No ano passado registavam-se 2212 empresas de animação ligadas ao turismo da natureza, meia dúzia das quais dedicadas à observação de aves.