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Francisco Pinto Balsemão: “Na revolução digital, as empresas de media são o elo mais fraco”

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Lucília Monteiro

Numa conferência na Universidade do Minho, Francisco Pinto Balsemão apontou as vantagens e perigos do admirável mundo digital

As empresas de media “são o elo mais fraco da nova cadeia de valor da revolução digital”, convivendo com agregadores de conteúdos, como os gigantes Google ou Facebook, e poderosas telecoms. Francisco Pinto Balsemão, fundador e presidente do grupo Impresa (ao qual pertence o Expresso), deixou esta mensagem a uma plateia de jovens universitários que esgotou esta quinta-feira o auditório da Universidade do Minho, em Braga, durante a conferência que abriu as celebrações do 25º aniversário do curso de Ciências da Comunicação.

Apesar de serem o elo mais fraco, os meios de comunicação clássicos têm um papel crucial e insubstituível a desempenhar neste admirável mundo digital e das redes sociais.

A sua função “é essencial à sobrevivência do ecossistema democrático” por ser o garante de “uma nova solução de equilíbrio”. Cabe-lhes “separar o trigo do joio informativo”, aplicando “critérios profissionais e rigor deontológico” e credibilizando os conteúdos “pela legitimidade que advém do escrutínio diário dos leitores e da supervisão dos reguladores”. E aqui ficou um reparo de Balsemão aos reguladores, “que não sabem, não podem ou não quem intervir nos despautérios que se cometem livremente” na internet.

Produção vertiginosa de notícias

Para balizar a sua conferência ("De um país sem televisão privada a um mundo em ebulição comunicacional") em que falou das vantagens e perigos da economia digital, Francisco Pinto Balsemão recorreu a dois momentos separados 23 anos no tempo: a primeira emissão da SIC, a 6 de janeiro de 1992, com Alberta Marques Fernandes a noticiar uma greve de estudantes universitários; o site Newsfeed, que indica em tempo real a vertiginosa produção global de notícias - 53 notícias em todo o mundo em dois segundos, enquanto se esfrega um olho.

O mundo mudou, toda a gente informa e comunica. E as empresas de media têm de “ganhar as batalhas e aceitar os desafios“ da revolução digital. Os meios clássicos “não podem ficar colados ao papel nem as televisões confinadas à programação linear”. Têm de apostar em novas plataformas, recorrer a novas ferramentas e conquistar novos destinatários, evitando concorrer diretamente com os gigantes das redes sociais.

Impresa com Linkedin, Expresso com WhatsApp e Snapchat

Entre os desafios que a indústria dos media enfrenta, Balsemão (que mantém ativa a carteira de jornalista) citou “a monitorização e remuneração dos conteúdos”, a criação e adaptação de software que “acelere a transição para o digital” e o crescente estímulo à cooperação entre equipas, num ambiente em que as funções de informáticos e jornalistas se confundem cada vez mais. Arrastar os clientes tradicionais de publicidade para as novas plataformas e formatos é outro dos desígnios dos meios clássicos.

E para transmitir aos universitários da plateia que o anúncio da morte dos meios de comunicação social tradicionais foi manifestamente exagerado, citou três casos felizes e recentes que apontam o novo caminhos que os media devem trilhar. O canal de WhatsApp lançado pelo Expresso, no âmbito da campanha eleitoral, e que seduziu 3800 seguidores; a adesão do Expresso ao Snapchat (rede de envio de mensagens com fotografia ou vídeo vertical com duração limitada no tempo), uma estreia neste canal de um media português; a “estratégia invertida” do programa Fora da Caixa, que começou no Facebook e evoluiu para o site do Expresso, para a SIC Notícias e para a SIC generalista (pode ver AQUI e AQUI os dois #ForaDaCaixa).

E sobrou ainda tempo ao fundador da Impresa para deixar uma novidade em primeira mão. O grupo Impresa foi escolhido pela rede Linkedin, através de um concurso público, para gerir a sua operação de publicidade em Portugal.