Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Erro em ranking internacional coloca Técnico à frente da Universidade de Lisboa

  • 333

António Cruz Serra, reitor da Universidade de Lisboa, diz que o erro foi da “Times Higher Education”, a revista britânica responsável pela elaboração do ranking. Da lista constam outras cinco universidades portuguesas

Helena Bento

Jornalista

O Instituto Superior Técnico (IST) é a instituição portuguesa de ensino superior mais bem classificada no ranking da revista britânica "Times Higher Education", divulgado quarta-feira. A avaliação gerou alguma estranheza, já que o IST faz parte da Universidade de Lisboa (UL), que surge bem mais abaixo na lista, entre as posições 501 e 600.

Contactado pelo Expresso, António Cruz Serra, reitor da Universidade de Lisboa, diz que se tratou de um erro por parte da "Times Higher Education", que pediu dados a mais do que uma entidade dentro da Universidade de Lisboa. "Quando as faculdades da UL recebem uma solicitação para enviarem determinados dados, normalmente fazem-no sem suspeitar que possam vir a ser consideradas em separado", diz.

O reitor da UL acredita que as alterações de metodologia que o ranking sofreu relativamente à sua edição anterior, e que se estenderam também à base de dados de publicações científicas a que a revista britânica recorre para preencher um dos critérios de avaliação das universidades (a base de dados da Thomson Reuters foi substituída pela da Scopus), podem ter tido "uma influência negativa na organização do ranking". No ano passado, a instituição, uma das duas portuguesas que constavam da lista, tinha sido colocada entre as posições 351 e 400.

António Cruz Serra aponta ainda a possibilidade de a "Times Higher Education" não ter contabilizado a área da engenharia quando procedeu à avaliação da Universidade de Lisboa, já que o IST, que está entre os lugares 351 e 400 num total de 800 instituições, aparece à parte, nem ter contabilizado outras escolas da antiga Universidade Técnica. "Há produção científica em que a única referência que existe nos artigos é o nome do centro de investigação", refere.

Já o editor do ranking, Phil Baty, garantiu ao “Público” que a decisão de isolar o trabalho do IST relativamente ao do conjunto da universidade é da responsabilidade das próprias instituições, que enviaram "duas submissões de dados em separado". “Nós levamos isto como o seu consentimento claro de ser tratadas como entidades separadas para os fins do ranking”, disse, citado por aquele jornal. Assim que a lista foi divulgada, a reitoria da UL entrou em contacto com a revista britânica, que se comprometeu a corrigir a situação no próximo ano.

No total, são sete as universidades portuguesas que constam do ranking. A Universidade de Aveiro surge depois do Instituto Superior Técnico, seguida da Universidade de Coimbra, entre os lugares 401 e 500. Já a Universidade do Minho obteve a classificação mais baixa entre as portuguesas, posicionada no intervalo 501-600. Phil Baty faz uma avalição positiva: "É uma boa notícia para Portugal fazer parte da lista das melhores universidades do mundo".

Em primeiro lugar no ranking surge o California Institute of Technology, que mantém a liderança pelo quinto ano consecutivo, seguido da Universidade de Oxford e da Stanford University, na terceira posição. A Universidade de Harvard, que no ano passado era a 2ª colocada, desceu para 6º lugar.

Outras das conclusões a retirar de ranking é que as universidades europeias começam a ganhar preponderância face à tradicional hegemonia dos EUA e Reino Unido. É o caso do ETH Zürich da Suíça, que surge nos primeiros dez lugares, feito que uma instituição europeia não alcançava há mais de dez anos.