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António Botelho, 73 anos, participou nos primeiros Jogos Paralímpicos em que Portugal se estreou, na modalidade de basquetebol em cadeira de rodas

José Caria

Quando António Botelho se iniciou no basquetebol em cadeira de rodas, não havia técnica, não havia federação, nem sequer treinadores especializados. Foi no meio de tanta informalidade que participou na estreia de Portugal nos Jogos Paralímpicos, em 1972. Hoje já muito mudou no desporto adaptado, mas há dificuldades que ainda resistem – num país onde o número de atletas federados tem vindo a diminuir drasticamente (eram 1.654 em 2014), bem como o financiamento. Este é o 27.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

Maria João Bourbon

Maria João Bourbon

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Jornalista

Sofia Miguel Rosa

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José Caria

José Caria

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“Comecei a jogar basquetebol em 1970. No início limitava-me a atirar a bola ao cesto, não para ganhar um qualquer campeonato, mas para fazer exercícios aos braços. Foi assim mesmo que comecei: a fazer exercícios aos braços. Entretanto, a ‘coisa’ foi evoluindo… Juntou-se um, juntaram-se dois, juntaram-se vários – e formámos uma equipa. Mas ninguém sabia nada de basquetebol.” E muito menos de basquetebol em cadeira de rodas.

António Botelho estava então no Centro de Reabilitação de Alcoitão, no Estoril. Ele e os outros, os que se lhe juntaram, tinham sido para lá empurrados pelas mais variadas doenças e acidentes. Muitos, como ele, tinham estado na Guerra Colonial. “Aos 19 ou 20 anos entrei nos paraquedistas operacionais da Força Aérea. Adorava aquela vida, aquela adrenalina, aquela farda azul clarinha e a boina verde…”, recorda, aos 73 anos, com um sorriso saudosista no rosto. “Acabei no Ultramar. Janeiro de 63, Angola. O nosso quartel era em Luanda, mas fazíamos incursões no mato a partir daí. Ficávamos sempre numa grande adrenalina à espera da próxima missão.”

Foram dois anos neste vaivém, para depois regressar à metrópole. Depois do acidente. Numa dessas incursões, o piloto do helicóptero onde ia foi atingido por um tiro e António, com medo que este se despenhasse, saltou de paraquedas. “Caí mal”, limita-se a dizer. Foi operado várias vezes, mas nunca recuperaria completamente da coluna e das pernas.

Assim foi parar a Alcoitão. Ele e outros, acompanhados por Ângelo Lucas, essa “grande besta”, como gosta de chamar ao amigo e treinador da equipa. “Ele também não percebia nada de basquetebol, era campeão de culturismo. Mas ficou a treinar a equipa... E sabe o que ele fazia? Dava 50 minutos de preparação física e dez minutos de basquete! Depois de uma preparação tão intensiva, quando íamos jogar parecia que voávamos nas cadeiras. Saíamos disparados da defesa, diretos ao cesto do adversário, e lançávamos a bola com tanta força que batia na tabela e voltava para o meio-campo.” A aprendizagem fazia-se então minuto a minuto, dentro dos limites do campo e até nos próprios jogos.

José Caria

Da reabilitação à competição

Antes do 25 de abril de 1974, o desporto para pessoas com deficiência em Portugal centrava-se apenas na terapia e reabilitação. Não existiam estruturas organizativas, nem um quadro competitivo específico. “Nessa altura, os deficientes viviam fechados. Em Alcoitão quase nos proibiam de sair à rua, não queriam mostrar as pessoas com deficiência.” Foi por isso que a surpresa foi grande quando surgiu “do nada” a oportunidade de Portugal se estrear nos Jogos Paralímpicos.

António esteve lá, a representar o seu país em Heiderlberg, na Alemanha (1972), e também no ano seguinte, nos Jogos Internacionais de Stoke Mandeville, em Inglaterra. “Aconteceu tudo tão rápido que nem sei bem como surgiu a oportunidade… Quando soubemos que íamos, não tínhamos cadeiras de competição, nem equipamentos, ainda jogávamos nas cadeiras de rodas normais, naquelas que serviam para transportar doentes em Alcoitão. Até que uma senhora, Pitta e Cunha, presidente do voluntariado do centro de reabilitação (uma grande senhora, pode escrever isso!) nos arranjou tudo o que precisávamos.” Esse foi talvez o momento mais marcante dos vários anos em que praticou basquetebol em cadeira de rodas: “Quando cheguei à Alemanha e a Inglaterra, se eu tinha alguns complexos perdi-os todos! Eram só pessoas com deficiências, tão diferentes umas das outras! Todos olhavam sem pudor uns para os outros, ninguém se importava com isso. Aprendi muito com aqueles”.

Desde essa altura já muito mudou no desporto adaptado. Houve um interregno na participação portuguesa nos Paralímpicos (até 1984), mas foram sendo criadas associações ligadas aos vários tipos de deficiências, intensificaram-se as participações nos campeonatos do Mundo, Europa e outras competições internacionais. E foi fundada a Federação Portuguesa de Desporto para Pessoas com Deficiência (FPDD), em 1988, e em 2008 o Comité Paralímpico Português (CPP).

Mas ainda há muitas mudanças por terminar. “A falta de apoios financeiros tem sido o maior desafio e dificuldade ao longo das décadas”, explica a investigadora da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto Ana Sousa. E esta torna-se uma realidade ainda mais complexa quando olhamos para os atletas que o praticam: maioritariamente homens, de idade avançada e muitos deles com graves dificuldades financeiras.

Olhando para os números, é possível ver que desde 2006 o financiamento público à FPDD tem vindo a diminuir – de €575.836 para €353.000 em 2014 –, uma tendência que antecede a diminuição da disponibilidade de financiamento público total. Ou seja, só a partir de 2009 é que o financiamento público disponível para todas as federações começou a diminuir, de quase 46 milhões para cerca de 30 milhões em 2014.

“Sinto-me sempre um terço de um atleta normal”

O problema, no entanto, vai além desta tendência geral no universo desportivo, explica o presidente da FPDD, Mário Lopes. “Até nos podem dizer que o financiamento nos foi cortado a nós e a outras federações, mas o nosso problema é um problema de base. Mesmo que o aumentem em 10%, se a base for muito pequena não se resolve nada”, diz, acrescentando que “uma perspetiva realista” devia partir de um “orçamento zero”, que seria construído olhando para a finalidade do desporto para pessoas com deficiência, objetivos e necessidades.

Necessidades que, segundo Ana Sousa, passam por uma maior aposta em recursos humanos especializados, uma vez que a maioria dos treinadores “são voluntários ou não têm formação específica” e é necessário ter mais pessoas que no desporto regular (além do treinador principal, em algumas modalidades existem ainda atletas-guia por cada dois ou três atletas). Também os materiais não são baratos. Veja-se o exemplo do boccia (desporto adaptado, com influências da petanca): “uma calha de boccia pode custar €1400, um capacete €150 e um saco de bolas €400”. E, não raras vezes, os atletas acabam por ter que suportar os seus próprios custos, sejam eles de material ou de logística. “Muitos acabam por nem sequer integrar o desporto adaptado por causa das dificuldades de acessibilidade e transportes – por não terem dinheiro nem meios para se deslocar.”

Se nas primeiras iniciativas paralímpicas Portugal ainda conseguia estar a par da tendência internacional, agora já não é assim. “Nos outros países, a aposta tem sido tão grande – em materiais, equipas multidisciplinares a acompanhar os atletas, bolsas paralímpicas – que Portugal já não consegue acompanhá-los”, garante Ana Sousa. Isso reflete-se no número de medalhas (apesar da FDPP ser a que mais medalhas internacionais ganha em Portugal, o número de medalhas paralímpicas tem vindo a diminuir) e na participação desportiva. “O desporto adaptado tem registado um grande abandono nos últimos anos.”

Mário Lopes reforça que esta tendência é reflexo de um problema social. “Apesar de já ter existido uma grande evolução desde que foi criada a federação, ainda temos muito caminho por percorrer”, assegura. “Existe ainda uma questão discriminatória, legislatura após legislatura, em relação aos atletas de elite do desporto adaptado. Eu compreenderia se distinguíssemos o voleibol, o tiro, o futebol, de acordo com o número de medalhas. Mas a linha não se deve traçar no facto dos atletas terem ou não deficiência. Isto é profundamente discriminatório.”

Quando olhamos para o valor dos prémios definidos para os atletas medalhados nos Jogos Paralímpicos e Olímpicos de 2016, percebemos a diferença. Os prémios recebidos pelos atletas com deficiências são metade, e por vezes um terço, daqueles que recebem os atletas do desporto regular [o Expresso tentou obter um esclarecimento por parte do IPDJ, mas não obteve resposta em tempo útil]. O mesmo acontece com as bolsas olímpicas, atribuídas pelo Comité Paralímpico, mas também dependentes do financiamento do Estado, esclarece Ana Sousa. E recorda uma frase que um atleta paralímpico lhe disse uma vez, a este propósito: “O que mais me custa é que depois de me esforçar tanto, de treinar tanto, de dar tanto de mim… sinto-me sempre 1/3 de um atleta normal.”

Ultrapassar barreiras e preconceitos

A solução passa, pois, por tirar as várias modalidades para pessoas com deficiências da alçada da FPDD (exceto aquelas que, como o boccia, são específicas do desporto adaptado) e inseri-las nas respetivas federações por modalidade, diz Ana Sousa. Algumas já o fazem: o tiro para pessoas com deficiência está na Federação Portuguesa de Tiro, o mesmo se passa com a natação, atletismo, voleibol… “Assim é possível rentabilizar recursos humanos, estruturas, partilhar recursos financeiros, patrocínios… E os atletas com deficiência poderiam ainda usufruir dos mesmos quadros competitivos dos atletas regulares. Se conseguíssemos que estes treinassem com os restantes atletas, conseguiríamos ultrapassar barreiras e preconceitos.”

Mário Lopes é atleta de goalball, desporto criado na sua origem para pessoas com deficiências visuais

Mário Lopes é atleta de goalball, desporto criado na sua origem para pessoas com deficiências visuais

D. R.

E os preconceitos encontram-se não só nos outros, mas muitas vezes nos próprios atletas. Mário Lopes, que além de presidente da FPDD é atleta de goalball (modalidade baseada nas perceções tácteis e auditivas que surgiu para dar resposta à deficiência visual), recorda o momento em que descobriu ter uma deficiência visual. “Quando jogava futebol nos juniores, no Sporting de Lamego, lembro-me de estar a voltar dos treinos para o balneário e, com os holofotes apagados, não via rigorosamente nada.” Mais tarde, em 1999, veio o diagnóstico: retinopatia pigmentar, uma doença que implica a perda de visão progressiva.

Não ligou, ou tentou ignorar, e continuou a jogar por mais dois anos – até ao momento em que, com a perda de visão a acentuar-se, começou a ser mais vezes deixado no banco dos suplentes. Ao deixar a competição, e sentindo a sua falta, resolveu experimentar o goalball. Experimentou e ficou – e até já representou a seleção em dois Europeus, em 2009 e 2014.

Até entrar para esse desporto, “eu não tinha qualquer contacto com pessoas com deficiência, o que é grave”. Foi para lá com uma série de preconceitos, conta: “No início nem sequer dava o máximo nos jogos por estar a jogar com atletas que ainda viam menos que eu… Rematava as bolas mais devagar… Mas eles queriam jogar a sério! Queriam ser reconhecidos como atletas, como qualquer outro!” E afirma, com a garantia de quem sabe do que fala: “A nossa sociedade tem que perceber que é preciso pôr as pessoas, com e sem deficiências, a falar umas com as outras.” Ou a treinar.

  • Nós, portugueses: retratos de um país que vai a eleições

    Durante o mês que antecedeu as legislativas, o Expresso publicou 30 retratos do que Portugal é hoje. Da natalidade ao envelhecimento, do desemprego jovem à criação de empresas, da pobreza ao desperdício alimentar, da agricultura às pescas, do cinema aos livros, do turismo ao ambiente, da emigração ao desporto, do talento à habitação. São 30 temas, 30 números e 30 histórias

  • A ideia é levar isto ao mundo todo

    Miguel não quis fazer uma tese que ficasse na prateleira de uma biblioteca e acabaria por ter uma ideia que já chegou a vários países: criar um código para os daltónicos identificarem as cores. Escolher roupa, ver as linhas do metro ou distinguir ecopontos são algumas das utilizações em que é útil. A ideia portuguesa já gerou 140 parcerias e o objetivo é chegar a 350 milhões de daltónicos no mundo. Este é 26.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Votar ou não votar?

    Carolina e João vivem na Bélgica e já compraram bilhete para vir votar a Portugal no dia 4 de outubro. Sabe-se que os portugueses votam cada vez menos. Mas porquê? Nos últimos quatro anos emigraram cerca de 350 mil portugueses: que impacto poderá ter isso na taxa de abstenção das próximas eleições legislativas? Este é o 25.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Um eixo e uma asa: uma história de cor verde, limpa

    Procurar soluções para um desenvolvimento sustentável é o objetivo de cada vez mais empresas portuguesas. É o caso da Omniflow, com sede no Porto, que fabrica sistemas inovadores que aproveitam a energia eólica e fotovoltaica. Em 2013, as energias renováveis representaram 25,7% do consumo energético em Portugal, segundo o Eurostat. Este é o 24.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Uma prestação com história

    A 13 de agosto de 1942 foi criado o abono de família em Portugal. “Centenas de milhares de empregados e operários virão a beneficiar das disposições deste decreto”, lê-se no decreto-lei de então. Portugal foi o 11.º país no mundo a criar o abono e muito mudou desde então – em 2013, a despesa do Estado com o abono recuou a níveis de 2002. Este é o 23.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Queria fazer mais e não consigo

    Há quem não esteja inscrito como desempregado mas não tenha um emprego regular. E as histórias que estão por trás dos números do desemprego são muito distintas – idades, habilitações, local de residência e experiência profissional condicionam o passo seguinte. A taxa de desemprego tem vindo a descer e no 2.º trimestre havia 620,4 mil desempregados - mas “os números do desemprego são cegos”. Este é o 22.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Um sabor a terra: o ouro branco da gastronomia

    Começou tudo há 30 anos. Heliodoro Joaquim emigrou para França e foi por lá que teve a oportunidade de provar o caviar de caracol. Gostou tanto que fez negócio da descoberta. Três décadas depois, e já de volta a Portugal, Heliodoro e o filho exportam a iguaria para Espanha e ainda China - Holanda e Emirados Árabes Unidos são já a seguir. E Espanha não é por acaso: as estatísticas mostram que as exportações de produtos portugueses para os vizinhos aqui do lado representaram a maior fatia (23,5%) - segue-se França e depois a Alemanha (11,7% para cada). Este é o 21.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Era o meu momento

    João Viegas partiu para Espanha em 2011 e desde então está lá a trabalhar. Queria uma carreira no estrangeiro. “Fui porque à minha volta não via nada que me dissesse ‘fica, João, aqui há mais e melhor para ti!’.” E como o pai lhe dizia: filho de emigrante raramente fica no país onde nasce. Desde 2011 emigraram 395 mil portugueses, o que faz de Portugal um dos principais países de emigração do mundo. Este é o 20.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • A liberdade de ter tempo

    João nasceu com alma de viajante. Viajou sempre. Em 2008, largou tudo para sair à aventura pelo mundo. Participou em missões em Cuba, Moçambique e Guiné-Bissau. Hoje dedica-se a preparar expedições além-fronteiras com portugueses. No ano passado, 4,1 milhões de portugueses realizaram pelo menos uma viagem turística. Este é o 19.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Conhecer o crime: das estatísticas morais à construção social

    Há estatísticas de crimes em Portugal desde 1837, ainda que incialmente fossem pouco rigorosas. A partir do início do século XX começaram a ser mais sistemáticas e eram usadas para “ver como estava o país”. Os dados atuais mostram que a maioria dos crimes em Portugal é contra o património - e Lisboa, Porto e Setúbal registam metade da criminalidade total. Este é o 18.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Um país com menos livros e com menos jornais

    As vendas de livros e de jornais em banca continuam em queda e muitas livrarias fecharam (de 694 em 2004 para 562 contabilizadas em 2012). Será que o digital constitui realmente uma ameaça? Este é o 15.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso vai publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • O maravilhoso mundo dos computadores gigantes (e o traiçoeiro exercício de futurismo)

    Isto foi dito há umas décadas: “Não há nenhuma razão para que alguém queira ter um computador em casa”. Eram dias de computadores monstruosos - o futurismo, sempre traiçoeiro, não tinha como antever estes dias em que o mundo inteiro anda nos nossos bolsos, dentro de um telefone, ou em cima das nossas secretárias, em computadores cada vez mais pequenos. Estima-se que sejam vendidos 571 mil portáteis e três milhões de smartphones em Portugal este ano - o maior número de sempre. Este é o 17.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Vejo tudo negro

    José António viu arder os terrenos, as árvores e os animais em Sortelha, concelho de Sabugal, onde se deu o maior incêndio no país desde o início deste ano. Até ao final de agosto, os incêndios consumiram 53.951 hectares, mais do que no ano passado, mas menos do que a média anual na última década. Este é o 16.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • É isto que eles pagam

    Um em cada cinco trabalhadores (20%) leva hoje para casa o ordenado mínimo: €505, menos do que o salário real de 1974 indexado à atualidade. Clarice e Maria são duas mulheres, de histórias e vidas bastante diferentes, que o recebem todos os meses. Mas enquanto Maria descobriu este ano o primeiro emprego e tem ainda poucas despesas, Clarice já recebe o mínimo há duas décadas, tem uma casa para sustentar e todos os seus dias são uma luta pela sobrevivência. Este é o 14º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • O que sobra a um é o que falta a outro

    Estima-se que um milhão de toneladas de alimentos seja desperdiçado por ano em Portugal. Para fazer a ponte entre o que sobra a um e falta a outro, há associações como a Refood, que já distribui cerca de 35 mil refeições por mês. Este é o 13.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • A dignidade de saber ler e escrever. E de compreender

    Aos 54 anos, Edna decidiu voltar a estudar. Começou a trabalhar aos nove e, por isso, as palavras que poderia ler e escrever ficaram pelo caminho – aprendeu-as na 1ª e 2ª classe mas acabou por esquecê-las, guardando na memória apenas o nome e algumas letras, soltas, desordenadas. Hoje, após dois anos de aulas, já não contribui para as estatísticas oficiais de analfabetos (eram 5,2% em 2011), mas tem pela frente a barreira da iliteracia - tal como muitos portugueses (eram 48% em 2005) que não conseguem compreender totalmente o que leem. Este é o 12º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Uma casa para o resto da vida

    Há mais pessoas a comprar casa e o sector da construção e do imobiliário tem sentido as melhorias. Filipa Vasconcelos e o marido tiveram um bebé no final do ano passado e decidiram, pela primeira vez, que fazia sentido comprar casa. “Claro que vamos ficar a pagar a prestação para o resto da vida, mas também pagaríamos uma renda.” Compraram um T4 com cinco assoalhadas por 75 mil euros. Este é o décimo artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • “Estou aqui com uma ideia: devíamos fazer uma academia para ensinar desempregados a programar”

    Por um lado há vagas para programadores que ficam por preencher, por outro há jovens qualificados sem emprego. A Academia de Código é uma empresa criada em 2013 para juntar as duas coisas e já estendeu as aulas de código às escolas primárias. Desde o início deste ano, a criação de empresas já está 8,4% acima de 2014. Este é o 11º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Vencer o vício da prisão

    Até aos 44 anos, António passou o tempo a entrar e a sair da prisão. Mas algo foi diferente da última vez: quando chegou cá fora tinha algo a que se agarrar. Entre 2010 e 2014, o número de reclusos nas prisões aumentou 20,4% – e só no fim dos anos 1990 houve um número semelhante de presos. Este é o nono artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • O problema mais sério ainda está para chegar

    O centro de saúde de Mogadouro já teve 18 mil utentes e 13 médicos, agora tem metade. A diretora do centro lembra que será um “problema grave” quando ali se reformarem os médicos mais velhos. Portugal tem uma das maiores disparidades da UE na distribuição de médicos no território: por 1000 habitantes, há 2,2 médicos em zonas rurais e 5,1 em zonas urbanas. Este é o oitavo artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Treze mil dias de mar

    Carlos Alfaiate é pescador desde os 14 anos. Pescou na Mauritânia e em Marrocos, tem 36 anos e oito meses de mar no corpo, tirou chernes que valiam €1200. Passou décadas fora de Portugal e regressou em 2004, com arrependimentos e angústias. O sector de Carlos, que se fartou tantas vezes do mar, mudou nas últimas décadas e as 119.890 toneladas de peixe vendidas em 2014 são o valor mais baixo desde que há registos. Este é o sétimo artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Minha querida agricultura

    António quis fugir da vida na terra que os pais e os irmãos levavam. Estudou engenharia, trabalhou como programador e aos 50 anos voltou à agricultura. Emociona-se no fim da conversa, ele que faz parte dos 6,5% de população agrícola familiar em Portugal, proporção que em 1989 era de 19,8%. Este é o sexto artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • “Não estou a fazer sapatos nem salsichas - há mais qualquer coisa nisto.” O cinema independente não está morto

    O cinema já foi dado como morto várias vezes. O número de espectadores diminuiu 30% numa década, as receitas de bilheteira caíram 12% e houve várias salas que fecharam. Mas há duas histórias paralelas a esta, a do Cinema Nimas e a do Cinema Ideal, em Lisboa, que reabriu em agosto do ano passado. Este é o quinto artigo da série “30 Retratos” que o Expresso vai publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • O “fator 30” traz mais bebés?

    Nos primeiros meses deste ano já nasceram mais bebés do que no mesmo período do ano anterior, embora ainda seja cedo para concluir que a natalidade vá aumentar em 2015, contrariando a tendência dos últimos anos. Até maio, nasceram 33.637 bebés em Portugal e Miguel Cruz é um deles. Este é o quarto artigo da série “30 Retratos” que o Expresso vai publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Os 44 anos de um carocha que custou 60 contos e 56 escudos

    Marcial comprou um carocha branco em 1971 que conseguiu manter até hoje. O mercado automóvel mudou nos anos 1980 e sofreu grandes perdas em 2012. Agora está a recuperar e em agosto deste ano as vendas aumentaram 24% em relação ao período homólogo. Este é o terceiro artigo da série “30 Retratos” que o Expresso vai publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • É preciso aprender a envelhecer

    Virgínia tem 78 anos, caminha seis quilómetros por dia, viaja pelo mundo fora e ainda quer ir ao Canadá, Estados Unidos e Inglaterra. “A velhice programa-se”, diz. Em 2030, Portugal poderá ser o país mais envelhecido do mundo. Este é o segundo artigo da série “30 Retratos” que o Expresso vai publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • “Porque hei de ir embora mais cedo para depois estar sozinho?”

    Há cerca de 70 pessoas, na sua maioria sem-abrigo, que todos os dias comem no único sítio em Lisboa que lhes dá mesas, cadeiras, talheres e copos para que pelo menos à hora das refeições tenham um sítio onde comer que não seja a rua. Os pedidos de apoio têm aumentado e é preciso um espaço maior. Atualmente, 19,5% dos portugueses estão em risco de pobreza e é preciso recuar a 2003 para encontrar uma taxa maior. Este é o primeiro artigo da série “30 Retratos” que o Expresso vai publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições