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A ideia é levar isto ao mundo todo

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Estima-se que haja 350 milhões de pessoas daltónicas em todo o mundo e 90% precisam de ajuda para comprar roupa por não conseguirem identificar as cores

Michaela Rehle / Reuters

Miguel não quis fazer uma tese que ficasse na prateleira de uma biblioteca e acabaria por ter uma ideia que já chegou a vários países: criar um código para os daltónicos identificarem as cores. Escolher roupa, ver as linhas do metro ou distinguir ecopontos são algumas das utilizações em que é útil. A ideia portuguesa já gerou 140 parcerias e o objetivo é chegar a 350 milhões de daltónicos no mundo. Este é 26.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

Escolher a linha de metro, comprar roupa, combinar um par de meias, ver a localização do carro num parque de estacionamento, distinguir os ecopontos ou reconhecer a pulseira na triagem de um hospital. São inúmeras as situações no dia-a-dia que se transformam numa dificuldade para alguém que não consiga identificar as cores – e quando 90% da nossa comunicação diária é feita através de cores tudo isso se agrava.

Resolver esse problema cruza-se com o regresso de Miguel Neiva à faculdade, em 1999, para fazer um mestrado. A ideia não era escrever uma tese que depois ficasse arrumada na prateleira de uma biblioteca, mas antes fazer algo diferente. Miguel já tinha oito anos de experiência profissional como designer e via no design mais do que o “desenho de objetos bonitos” – reconhecia-lhe a capacidade de contribuir para a melhoria da sociedade.

Quando teve de escolher o tema para a tese lembrou-se do daltonismo: fez uma pesquisa sobre o tema e surgiu a vontade de criar algo que permitisse a um daltónico identificar cores. Não era daltónico e não tinha ninguém próximo de si que o fosse, mas começou a avançar mais a fundo na pesquisa sobre o tema, estruturando os seus argumentos para justificar perante a faculdade a utilidade e importância daquele tema e daquela abordagem. E assim foi: arrancou com a tese, sem um prazo determinado para a terminar. “Há duas coisas essenciais neste projeto: paixão e acreditar que funciona”, conta.

Miguel teve de aprender o que é não conseguir identificar as cores, quais são as limitações diárias de um daltónico e em que situações a comunicação parte do princípio que todos vemos diferenças nas cores. “Falei com 146 daltónicos de vários países e fiz um inquérito.”

Estima-se que haja 350 milhões de daltónicos no mundo, partindo de estudos que apontam para que entre 8% a 10% da população masculina tenha algum grau de daltonismo. Visto que esta perturbação da perceção visual está associada ao cromossoma X é mais provável entre os homens (que têm só um cromossoma X) do que entre as mulheres (que têm dois e que para serem daltónicas terão de ter o problema nos dois).

Outros estudos mostram que 90% dos daltónicos precisam de ajuda para comprar roupa e 17% só descobrem o que têm depois dos 20 anos. Em 41,5% dos casos, as pessoas têm dificuldades em interagir socialmente. “Só por não identificar a cor quando a cor comunica alguma coisa”, aponta Miguel.

“Não havia bolinhas de pão a marcar o caminho”

Dali para a frente o caminho de Miguel Neiva foi motivante e “desafiante”, até porque tudo era novo. “Não havia bolinhas de pão a marcar o caminho”, diz. “Parti de uma caixa de guache com três cores, mais o branco e o preto. Com base no conceito de adição de cores, criei um símbolo para cada cor. Tinham de ser coisas simples, algo que fosse entendido por qualquer pessoa em qualquer parte do mundo, com cinco anos ou 90 anos.” É assim que Miguel cria uma linguagem, através de um código. “Queria que fosse uma linguagem democrática, ou seja, que não dependesse de tecnologia e com um processo de aprendizagem fácil.”

A cada cor primária é atribuído um símbolo e a cada cor secundária são atribuídos os dois símbolos das cores primárias que a compõem

A cada cor primária é atribuído um símbolo e a cada cor secundária são atribuídos os dois símbolos das cores primárias que a compõem

ColorADD

Foram oito anos de trabalho, mas, quando terminou, Miguel sabia que era necessário que a comunidade científica nacional e internacional validasse a inovação da sua ideia. “Em 2009 passei um ano a escrever artigos científicos.” Foi a diferentes congressos mundiais onde apresentou o código e isso deu-lhe visibilidade e prémios. “Tudo isso de nada servia se esta ferramenta não chegasse às pessoas.”

Miguel queria que qualquer daltónico pudesse ter acesso ao código sem pagar por ele, mas ao mesmo tempo precisava de garantir a sustentabilidade do projeto. “Juntei um grupo de trabalho e criámos um modelo de negócio. Estamos a falar de inovação e de um caminho que nunca ninguém fez.” Assim nascia a ColorADD, dividida em duas partes diferentes: uma empresa com um modelo de negócio social, direcionada a todos os sectores, e uma organização não-governamental (ColorADD Social) dirigida apenas ao sector da educação.

“Na empresa temos um modelo de licenciamento por escalões, indexado ao volume de faturação de cada empresa e pagam-nos um fee, de maneira a que seja justo.” Ou seja, uma empresa que queira implementar o código pagará uma licença renovável ou definitiva à ColorADD para o poder fazer.

Miguel Neiva diz que o objetivo não é que a implementação do código seja feita através de mecenato ou da área de responsabilidade social das empresas. “A ideia é que as empresas gerem economia. Se considerarem que esta fusão gera receita para as empresas, elas apoiam não pela caridade mas pelo negócio.” E o que isso significa é que ao aplicar o código a um produto - como nos lápis da Viarco ou nas etiquetas de roupa da Zippy - as empresas consigam vender mais e exportar mais, o que aconteceu nos dois casos, segundo o designer e criador do código.

Já na área da educação, através da ColorADD Social, as ações de sensibilização para o daltonismo nas escolas, os materiais didáticos com o código aplicado e os rastreios às crianças são disponibilizados sem qualquer custo, financiando pelos licenciamentos ou por patrocínios de diferentes entidades. Até agora têm 143 colégios envolvidos, já fizeram 6.660 rastreios e existem 18 bibliotecas escolares equipas com o código.

O Metro do Porto é uma das empresas portuguesas que têm parceria com a ColorADD, implementado o código na identificação das linhas

O Metro do Porto é uma das empresas portuguesas que têm parceria com a ColorADD, implementado o código na identificação das linhas

ColorADD

Dos ecopontos aos mapas

Hoje há cerca de 140 empresas, municípios, universidades, entidades governamentais e outras organizações que têm licenças pagas ou acordos pro-bono para utilização do código da empresa. Metro do Porto, Tintas CIN, Caixa Geral de Depósitos (cada produto vendido aos clientes tem de ter um semáforo indicador do risco, usando cores), Sociedade Ponto Verde (mais de 42 mil ecopontos já têm a sinalética), loja de roupa Zippy, Viarco (que tem uma edição com o código aplicado nos lápis), o Hospital dos Capuchos ou o Hospital de São João são alguns exemplos, entre outras. Há também empresas estrangeiras que usam este sistema, como no Brasil, Espanha, Japão, Estados Unidos ou Alemanha.

Para chegar onde já chegaram hoje, Miguel diz ter sido necessário não ser precipitado nos passos. “Vimos em Portugal uma crise, tínhamos de chegar ao mundo, passando a ideia e testando.” Através da sua equipa, foram surgindo várias sugestões de âmbitos onde o código pudesse ser útil: da saúde aos transportes, da acessibilidade aos parques de estacionamento, dos materiais didáticos à banca, do vestuário aos mapas turísticos. “Tínhamos inovação pura, tínhamos de testar o processo.” É assim que surgem os testes em mais de 250 âmbitos diferentes, com empresas nacionais, para saber “quanto impacto tem no mercado, na vida de um daltónico e na sociedade.”

Há quatro meses estão a estudar a “internacionalização do código”, tentando definir uma estrutura sobre “como levar isto para o mundo”. E Miguel dá um exemplo: imaginando que propõem este código à roupa da Benetton, partem do princípio que a empresa os questionará sobre como é que se aplica os códigos nas etiquetas. O trabalho que fizeram até agora com empresas portuguesas já lhes permite responder à pergunta e dizer que atualmente existem no mercado mais de 40 milhões de etiquetas em peças de roupa com o código da ColorAdd, espalhadas em 30 países.

Se um dia pensou que a sua ideia, que arrancou numa faculdade, no âmbito de uma tese de mestrado, pudesse chegar onde já chegou, Miguel Neiva tem a certeza que não. Mais ainda quando pensa que no dia 10 de junho deste ano foi condecorado pelo Presidente da República, Cavaco Silva, com a Ordem de Mérito Empresarial,na classe empresarial.

Mas o seu objetivo continua a ser claro: chegar aos 350 milhões de daltónicos de todo o mundo, permitindo que este sistema lhes traga melhorias no dia-a-dia. “A ideia é levar isto ao mundo todo.”

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  • Um país com menos livros e com menos jornais

    As vendas de livros e de jornais em banca continuam em queda e muitas livrarias fecharam (de 694 em 2004 para 562 contabilizadas em 2012). Será que o digital constitui realmente uma ameaça? Este é o 15.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso vai publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Vejo tudo negro

    José António viu arder os terrenos, as árvores e os animais em Sortelha, concelho de Sabugal, onde se deu o maior incêndio no país desde o início deste ano. Até ao final de agosto, os incêndios consumiram 53.951 hectares, mais do que no ano passado, mas menos do que a média anual na última década. Este é o 16.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • É isto que eles pagam

    Um em cada cinco trabalhadores (20%) leva hoje para casa o ordenado mínimo: €505, menos do que o salário real de 1974 indexado à atualidade. Clarice e Maria são duas mulheres, de histórias e vidas bastante diferentes, que o recebem todos os meses. Mas enquanto Maria descobriu este ano o primeiro emprego e tem ainda poucas despesas, Clarice já recebe o mínimo há duas décadas, tem uma casa para sustentar e todos os seus dias são uma luta pela sobrevivência. Este é o 14º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • O que sobra a um é o que falta a outro

    Estima-se que um milhão de toneladas de alimentos seja desperdiçado por ano em Portugal. Para fazer a ponte entre o que sobra a um e falta a outro, há associações como a Refood, que já distribui cerca de 35 mil refeições por mês. Este é o 13.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • A dignidade de saber ler e escrever. E de compreender

    Aos 54 anos, Edna decidiu voltar a estudar. Começou a trabalhar aos nove e, por isso, as palavras que poderia ler e escrever ficaram pelo caminho – aprendeu-as na 1ª e 2ª classe mas acabou por esquecê-las, guardando na memória apenas o nome e algumas letras, soltas, desordenadas. Hoje, após dois anos de aulas, já não contribui para as estatísticas oficiais de analfabetos (eram 5,2% em 2011), mas tem pela frente a barreira da iliteracia - tal como muitos portugueses (eram 48% em 2005) que não conseguem compreender totalmente o que leem. Este é o 12º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Uma casa para o resto da vida

    Há mais pessoas a comprar casa e o sector da construção e do imobiliário tem sentido as melhorias. Filipa Vasconcelos e o marido tiveram um bebé no final do ano passado e decidiram, pela primeira vez, que fazia sentido comprar casa. “Claro que vamos ficar a pagar a prestação para o resto da vida, mas também pagaríamos uma renda.” Compraram um T4 com cinco assoalhadas por 75 mil euros. Este é o décimo artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • “Estou aqui com uma ideia: devíamos fazer uma academia para ensinar desempregados a programar”

    Por um lado há vagas para programadores que ficam por preencher, por outro há jovens qualificados sem emprego. A Academia de Código é uma empresa criada em 2013 para juntar as duas coisas e já estendeu as aulas de código às escolas primárias. Desde o início deste ano, a criação de empresas já está 8,4% acima de 2014. Este é o 11º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Vencer o vício da prisão

    Até aos 44 anos, António passou o tempo a entrar e a sair da prisão. Mas algo foi diferente da última vez: quando chegou cá fora tinha algo a que se agarrar. Entre 2010 e 2014, o número de reclusos nas prisões aumentou 20,4% – e só no fim dos anos 1990 houve um número semelhante de presos. Este é o nono artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • O problema mais sério ainda está para chegar

    O centro de saúde de Mogadouro já teve 18 mil utentes e 13 médicos, agora tem metade. A diretora do centro lembra que será um “problema grave” quando ali se reformarem os médicos mais velhos. Portugal tem uma das maiores disparidades da UE na distribuição de médicos no território: por 1000 habitantes, há 2,2 médicos em zonas rurais e 5,1 em zonas urbanas. Este é o oitavo artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • “Não estou a fazer sapatos nem salsichas - há mais qualquer coisa nisto.” O cinema independente não está morto

    O cinema já foi dado como morto várias vezes. O número de espectadores diminuiu 30% numa década, as receitas de bilheteira caíram 12% e houve várias salas que fecharam. Mas há duas histórias paralelas a esta, a do Cinema Nimas e a do Cinema Ideal, em Lisboa, que reabriu em agosto do ano passado. Este é o quinto artigo da série “30 Retratos” que o Expresso vai publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • O “fator 30” traz mais bebés?

    Nos primeiros meses deste ano já nasceram mais bebés do que no mesmo período do ano anterior, embora ainda seja cedo para concluir que a natalidade vá aumentar em 2015, contrariando a tendência dos últimos anos. Até maio, nasceram 33.637 bebés em Portugal e Miguel Cruz é um deles. Este é o quarto artigo da série “30 Retratos” que o Expresso vai publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Os 44 anos de um carocha que custou 60 contos e 56 escudos

    Marcial comprou um carocha branco em 1971 que conseguiu manter até hoje. O mercado automóvel mudou nos anos 1980 e sofreu grandes perdas em 2012. Agora está a recuperar e em agosto deste ano as vendas aumentaram 24% em relação ao período homólogo. Este é o terceiro artigo da série “30 Retratos” que o Expresso vai publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • É preciso aprender a envelhecer

    Virgínia tem 78 anos, caminha seis quilómetros por dia, viaja pelo mundo fora e ainda quer ir ao Canadá, Estados Unidos e Inglaterra. “A velhice programa-se”, diz. Em 2030, Portugal poderá ser o país mais envelhecido do mundo. Este é o segundo artigo da série “30 Retratos” que o Expresso vai publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • “Porque hei de ir embora mais cedo para depois estar sozinho?”

    Há cerca de 70 pessoas, na sua maioria sem-abrigo, que todos os dias comem no único sítio em Lisboa que lhes dá mesas, cadeiras, talheres e copos para que pelo menos à hora das refeições tenham um sítio onde comer que não seja a rua. Os pedidos de apoio têm aumentado e é preciso um espaço maior. Atualmente, 19,5% dos portugueses estão em risco de pobreza e é preciso recuar a 2003 para encontrar uma taxa maior. Este é o primeiro artigo da série “30 Retratos” que o Expresso vai publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições