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Justiça suíça abre processo contra Blatter por suspeitas de desvio de fundos e gestão danosa

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Michel Platini e Joseph Blatter no congresso da FIFA realizado em maio e no qual o dirigente suíço foi reeleito

WALTER BIERI / EPA

Michel Platini também está envolvido - é suspeito de ter recebido um pagamento ilegal de quase dois milhões de euros

O Ministério Público da Suíça abriu esta sexta-feira um processo criminal ao presidente da FIFA, Joseph Blatter, e implicou o líder da UEFA, Michel Platini, no escândalo de corrupção que abala o organismo que tutela o futebol mundial.

Em comunicado, a procuradoria suíça esclarece que abriu um processo criminal contra Blatter "por suspeita de má gestão e apropriação indevida".

Neste processo também está envolvido Platini, candidato à sucessão de Blatter nas eleições de fevereiro na FIFA, por alegadamente ter recebido do suíço "um pagamento ilegal" de dois milhões de francos suíços (cerca de 1,8 milhões de euros). Platini foi já ouvido como testemunha.

Blatter deveria comparecer esta tarde numa conferência de imprensa, mas a mesma acabou por ser adiada por uma hora, primeiro, e pouco depois cancelada. Esse encontro deveria realizar-se depois da reunião desta sexta-feira do Comité Executivo da FIFA, em Zurique, na qual foi decidido que o Mundial de futebol do Qatar vai realizar-se entre 21 de novembro e 18 de dezembro de 2022.

Seria a primeira vez que Blatter responderia às questões dos jornalistas após o suspensão do secretário-geral da FIFA, Jérome Valcke, entretanto afastado. Valcke terá participado numa venda ilegal de bilhetes e foi imediatamente suspenso pela própria FIFA.

Em comunicado, o procurador suíço Michael Lauber aponta outras razões que levaram à abertura do processo: "A procuradoria suspeita que no dia 12 de setembro de 2005 Joseph Blatter assinou um contrato com a União de Futebol Caribenha; este contrato foi desfavorável à FIFA. Por outro lado, suspeita-se que, na implementação deste acordo, Blatter tenha violado os seus deveres fiduciários e agido contra os interesses da FIFA".

Quem presidia à União de Futebol Caribenha na altura era Jack Warner, um antigo vice-presidente FIFA, entretanto já afastado na sequência do escândalo de corrupção que atingiu em maio deste ano o organismo que tutela o futebol mundial. Sete dos seus dirigentes foram presos e na sequência da polémica, Blatter viu-se forçado a renunciar ao cargo para que tinha sido reeleito e convocar novas eleições para fevereiro de 2016.