Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

A noite começou a conquistar cada vez mais horas ao dia

  • 333

Os próximos 89 dias vão ter pelo menos um aspeto em comum com esta quarta-feira - o outono, que já nos chegou. Vamos falar de astros e do cosmos, da Terra e de atrasos em que não reparamos

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Folhas: vamos começar a vê-las no chão

Folhas: vamos começar a vê-las no chão

Eram 09h20 desta manhã de 23 de setembro quando se deu o instante em que o ponto central do sol passou no equador, marcando o início do outono no hemisfério Norte. Porém, não é hoje que o número de horas do dia será igual ao da noite, como indica a origem latina da palavra equinócio - aequinoctium, que quer dizer igual à noite. Hoje o dia terá mais 8 minutos de luz que de escuridão. Só no sábado é que as horas de dia e as horas de noite se vão igualar, com o sol a nascer às 7h29 e a pôr-se às 19h28, com apenas 10 segundos de desvio.

Certo é que o equinócio já aconteceu esta quarta-feira de manhã porque foi neste dia que "se deu o instante em que o ponto central do sol passa no equador e, por isso, o centro solar nasce no ponto cardial Este e põe-se exatamente a Oeste, encontrando-se durante 12 horas acima do horizonte matemático em qualquer lugar da Terra", explica ao Expresso Rui Agostinho, diretor do Observatório Astronómico de Lisboa (ver mais em www.oal.ul.pt).

O outono vai manter-se por três meses - ou, para ser específico mais 89,81 dias - e, neste período, a noite vai conquistando cada vez mais horas ao dia até ao Solstício de inverno, a 22 de dezembro. Curiosamente, conta Rui Godinho, quando voltarmos a ter o próximo equinócio de outono, em 2016, "a Terra ainda não terá terminado de dar a volta ao sol e faltarão 20 minutos para a completar".

Nestas coisas dos astros e do cosmos, estes "atrasos" não são sentidos pelos habitantes do Planeta. Segundo o diretor do Observatório, "todos os anos, quando começa uma estação, a Terra não está na mesma posição que no ano anterior". Mas nada disto é sentido pelos humanos: "As variações seculares e milenares são lentas de mais para serem sentidas pelas pessoas ou fazerem mossa". Apenas as variações do dia e da noite e das estações do ano são notadas. Mas estas nem por todos. "A mudança de estações do ano é sentida pelos que habitam as regiões temperadas do planeta, que são uma minoria", lembra Rui Agostinho. Para quem vive na zona do Equador ou nos polos Norte e Sul, só o verão ou o inverno marcam diferença.

Com a chegada do outono, ainda não se muda a hora. O acertar dos relógios só acontece no último domingo de outubro, como é hábito desde 1996. Pelas 1h00 de 25 de outubro, os relógios atrasam 60 minutos para que no mundo globalizado todos se acertem.