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PGR investiga agressões neonazis

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Grupo de skinheads bateu em simpatizantes da CDU em Lisboa este domingo. Autoridades estão a tentar identificar os agressores

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Rui Gustavo

Rui Gustavo

Editor de Sociedade

Os episódios de violência ocorridos no final da tarde deste domingo no centro de Lisboa estão a ser investigados pela PSP e Ministério Público. Em causa estão as agressões de um grupo de skinheads a simpatizantes da CDU, que tinham acabado de sair de um comício do partido no Coliseu dos Recreios. Uma das vítimas foi hospitalizada no São José.

Em resposta por escrito ao Expresso, o gabinete de comunicação da Procuradoria-Geral da República revela ter sido instaurado um inquérito “na sequência de uma participação apresentada na PSP – participação, essa, que foi comunicada ao Ministério Público.”

Embora a PGR não revele a autoria da queixa-crime, o Expresso sabe que esta foi apresentada por uma das quatro alegadas vítimas das agressões dos seis a oito neonazis, que agiram quase todos de cara tapada.

Durante as agressões, que duraram alguns minutos, terá caído ao chão uma carteira de um dos skinheads, revelando a sua identidade. Uma fonte da PSP não confirma se se tratava de alguém que tenha feito parte dos atos de violência. Mas adianta que a identificação desta pessoa irá ser usada durante a investigação. “Será chamada caso seja necessário. A vítima poderá assim tentar reconhecer se era um dos seus agressores.”

Um dos agredidos é um sindicalista da autarquia lisboeta. Segundo fontes hospitalares, sofreu fraturas e hemorragias internas. Mas nunca esteve em perigo de vida.

Segundo a edição de segunda-feira do “Jornal de Notícias”, tudo se passou por volta das 18h30, na Rua das Portas de Santo Antão, perto do Teatro Nacional D.Maria II. Uma testemunha contou que um grupo de sete ou oito cabeças-rapadas “muito robustos” e vestidos com t-shirts que diziam “Refugees not welcome” (“refugiados não são bem-vindos”) ia a passar pelo local “aos gritos e ameaças”, quando alguém terá gritado “fascistas!”. Os neonazis voltaram para trás e começaram a agredir um homem que se encontrava no local. E pelo menos dois outros foram espancados.

A dada altura, um dos skinheads gritou “baza, baza!” e o grupo fugiu. Pelo caminho ainda agrediram um idoso que tinha um autocolante da CDU.

Vários agentes da PSP chegaram ao local, três minutos depois das agressões, mas os skinheads já tinham desaparecido.

Os testemunhos das vítimas serão agora determinantes para apurar a identidade dos agressores.