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Missão cumprida. Caravana Aylan Kurdi chegou ao destino

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José Caria

As mais de 50 toneladas recolhidas em Portugal já foram descarregadas e entregues à Cruz Vermelha croata

Pouco passava das 18h (em Lisboa), quando os três camiões TIR da Caravana Aylan Kurdi chegaram ao destino final. As mais de 50 toneladas de bens doados pelos portugueses, em cinco dias, foram descarregadas num armazém da Cruz Vermelha croata, numa zona próxima da fronteira com a Sérvia, que os distribuirá nos próximos dias.

A solução foi encontrada depois de, no terreno e devido ao elevado volume de doações, não ser possível fazer os camiões TIR chegar até às zonas onde estão os refugiados.

“Tinha de ser uma ONG com estrutura e capacidade de articulação no terreno para levar os bens à medida que os fluxos migratórios vão mudando. A Cruz Vermelha da Croácia oferece muita segurança e capacidade de recolha numa zona crítica para tanta carga e tão valiosa”, disse na segunda-feira ao Expresso Maria Miguel Ferreira, uma das voluntárias do movimento.

Na Croácia, a Cruz Vermelha colabora com o Alto Comissariados para os Refugiados das Nações Unidas (ACNUR), que aliás apoiou oficialmente a Caravana portuguesa e coordena com as ONG a ajuda que chega aos migrantes e refugiados.

“Esta ajuda vinda de Portugal é muito útil porque não esperávamos tanta gente e precisamos de grandes quantidades em muito pouco tempo. Muitas pessoas se têm oferecido para ajudar, enquanto indivíduos, mas o povo português é o primeiro a oferecer ajuda de uma forma organizada e com esta escala e dimensão”, diz Sanja Pupacic, do departamento de Migração e Asilo da Cruz Vermelha da Croácia.

Uma parte mais pequena da carga (algumas paletes) sera entregue esta quarta feira a uma ONG pequena, em Zagreb. Os voluntários da caravana seguirão com essa ONG para campos de passagem para distribuição junto dos refugiados.

A Caravana Aylan Kurdi - o nome é uma homenagem à criança síria cuja imagem da morte correu (e comoveu) o mundo - nasceu de forma espontânea entre amigos, para levar bens aos refugiados maltratados pela polícia húngara. A dimensão do projeto, que o Expresso noticiou em primeira mão, ultrapassou as expectativas e alcançou proporções que a organização não esperava.

Em menos de cinco dias, 500 voluntários dividiram-se em 30 centros regionais a receber alimentos, roupa, brinquedos e outros bens. Os voluntários regressam a Portugal quinta feira