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“O medo não pode levar as pessoas a ter atitudes idiotas.” Manifestação contra xenofobia junta duas centenas no Funchal

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Marta Caires

Também esteve marcada uma manifestação contra o acolhimento de refugiados na Madeira, mas só apareceram três pessoas

Marta Caires

no Funchal

Jornalista

“O medo não pode levar as pessoas a ter atitudes idiotas.” As palavras de José Júlio Castro Fernandes, médico, resumem as razões da manifestação que esta segunda-feira juntou duas centenas de pessoas na Praça do Povo, no Funchal. Contra a xenofobia e pela paz, os manifestantes a favor do acolhimento de refugiados quiseram mostrar que ainda há quem defenda os valores humanitários na Madeira.

Convocada pelo Facebook, a iniciativa juntou políticos de todos os quadrantes, artistas e, desta vez, até o Governo Regional se fez representar através do diretor do Centro das Comunidades Madeirenses. Embora não tenha sido muito expressiva, ganhou em número à manifestação convocada pelos que estão contra a vinda de refugiados para a Madeira. Essa esteve marcada para sábado, depois para domingo, mas apareceram apenas três pessoas.

Há duas semanas que o assunto está na ordem do dia na Madeira. Começou quando o Governo de Miguel Albuquerque anunciou que iria receber refugiados e juntar-se ao esforço nacional. Era uma obrigação moral, disse, mas depressa, no Facebook, apareceram comentários contra a vinda de migrantes. Foram apresentados vários argumentos, desde tomar os poucos empregos a dominar a Madeira.

Miguel Albuquerque reagiu considerando-os “xenófobos e imbecis”, o que fez subir ainda mais o tom. O governo regional voltaria a emitir um comunicado numa tentativa de esclarecimento sobre os refugiados, que não seriam todos muçulmanos e que fugiam de um inferno. No entanto, a prova dos nove seria as manifestações entretanto marcadas. Uma contra e outra favor.

A manifestação contra os refugiados, apesar de ter sido marcada duas vezes, teve apenas três participantes. A manifestação desta segunda-feira juntou mais pessoas, foi lido um manifesto a favor da paz, até porque era o dia internacional da paz. Para Marta Silva, uma das promotoras da iniciativa, toda esta polémica serviu para mostrar “quão racistas ainda são as pessoas na Madeira”.

O número de refugiados que a Madeira vai receber não está definido, mas estima-se que serão 70. Na região, a comunidade muçulmana é composta por 700 pessoas.