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Ajuda portuguesa está quase a chegar aos refugiados: Cruz Vermelha croata vai distribuir as doações

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Em todo o país, 150 voluntários em 30 centros regionais receberam mais de 50 toneladas de bens

José Caria

“A Cruz Vermelha da Croácia oferece muita segurança e capacidade de recolha numa zona crítica para tanta carga e tão valiosa", diz ao Expresso Maria Miguel Ferreira, uma das voluntárias do movimento

As mais de 50 toneladas de bens doados em Portugal para os refugiados que estão a chegar às fronteiras da União Europeia já têm um destino final. A Caravana Aylan Kurdi, que ainda está viagem, descarregará a maior parte da carga perto de Osijek, na fronteira da Croácia com a Sérvia. Os bens ficarão num armazém da Cruz Vermelha Croata, que ficará encarregada de os distribuir pelos locais por onde vão entrando os refugiados.

"Tinha de ser uma ONG com estrutura e capacidade de articulação no terreno para levar os bens à medida que os fluxos migratórios vão mudando. A Cruz Vermelha da Croácia oferece muita segurança e capacidade de recolha numa zona crítica para tanta carga e tão valiosa", diz ao Expresso Maria Miguel Ferreira, uma das voluntárias do movimento.

A decisão foi tomada esta segunda-feira depois de uma reunião com a Cruz Vermelha da Croácia. O tamanho e o valor da carga obrigaram a alterar a logística, pois era impossível levar os camiões TIR diretamente aos campos de refugiados.

Uma parte mais pequena da carga (algumas paletes) serão entregues a uma ONG pequena, em Zagreb, esta quarta-feira de manhã. Os voluntários da caravana seguirão com essa ONG para campos de passagem para distribuição junto dos refugiados.

A organização esteve em contacto com várias embaixadas, Cruz Vermelha e ONG no terreno para encontrar a melhor maneira de desalfandegar e transportar os camiões, que partiram sábado de manhã.

A Caravana Aylan Kurdi - o nome é uma homenagem à criança síria cuja imagem da morte correu (e comoveu) o mundo - nasceu de forma espontânea entre amigos para levar bens aos refugiados maltratados pela polícia húngara. A dimensão do projeto, que o Expresso noticiou em primeira mão, ultrapassou as expectativas e alcançou proporções que a organização não esperava. Em menos de cinco dias, 500 voluntários dividiram-se em 30 centros regionais a receber alimentos, roupa, brinquedos e outros bens.

"Não conseguimos ficar indiferentes às imagens que vemos", contou João Vasconcelos, antes de imaginar a dimensão que o projeto teria.

A Aylan Kurdi Caravan, que representa a maior iniciativa da sociedade civil para ajudar os refugiados que chegam à Europa, está consciente da responsabilidade. “O nosso compromisso é entregar os bens a quem precisa. Temos consciência do grau de responsabilidade e exigência. Por isso, e porque queremos que as pessoas tenham certezas, vamos publicando na página do Facebook o processo de entrega.” A equipa regressa quinta-feira a Portugal.