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A liberdade de ter tempo

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Nuno Botelho

João nasceu com alma de viajante. Viajou sempre. Em 2008, largou tudo para sair à aventura pelo mundo. Participou em missões em Cuba, Moçambique e Guiné-Bissau. Hoje dedica-se a preparar expedições além-fronteiras com portugueses. No ano passado, 4,1 milhões de portugueses realizaram pelo menos uma viagem turística. Este é o 19.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

Liliana Coelho

Liliana Coelho

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Jornalista

Sofia Miguel Rosa

Sofia Miguel Rosa

Infografia

Jornalista infográfica

Nuno Botelho

Nuno Botelho

Foto

Fotojornalista

Nicarágua, agosto de 2007. João já estava há alguns dias neste país da América Central a conhecer a realidade de perto. A sentir e a observar. Os lagos, os vulcões, a fauna. Os cheiros, as tradições, as cores. E a ouvir as histórias dos habitantes. O clima tropical, quente e húmido, também o fazia sentir-se bem ali. Um dia, foi surpreendido com a chegada à capital de um grupo de refugiados que fugiram de El Salvador.

Não hesitou. Fez questão de ir ter com eles e perguntar se precisavam de ajuda.“Fui vê-los e tudo me impressionou. Os motivos, as histórias. De regresso a casa parei num restaurante, sempre a pensar neles, e curiosamente no caminho encontrei dois refugiados que me reconheceram. Perguntei se queriam jantar, que eu oferecia-lhes a refeição. Eles aceitaram. No final, pedi a conta e qual é o meu espanto quando a dona me disse que ela é que fazia questão de oferecer o jantar.” O que faria alguém ter uma atitude tão nobre?, questionou-se. A revelação viria na primeira pessoa: “Também já fui refugiada em El Salvador. É o mínimo que eu posso fazer”, contou a proprietária. Tinha sido refugiada durante um período de conflito no país, ficando escondida num sótão de uma casa na nação vizinha, segundo explicou. João diz que é, sem dúvida, esta “generosidade inesperada” das pessoas que mais o surpreende nas suas viagens e que o faz regressar a casa com mais esperança. E mais feliz.

De viajante amador a profissional, João Oliveira, de 40 anos, dedica-se atualmente a organizar expedições pelo mundo fora. Com nove meses de vida, a agência Portugueses em Viagem - que foi aberta oficialmente no dia 1 de janeiro e que está registada no Turismo de Portugal - propõe-se a oferecer experiências de aventura diferentes. Longe das ofertas tradicionais das agências de viagens com um programa fixo e pouco tempo livre. “Percebi que havia espaço no mercado para oferecer às pessoas algo diferente. O interessante é mostrar a realidade local com tempo e flexibilidade. Nenhuma expedição é igual. O objetivo é incorporar os gostos das pessoas nos percursos.”

Estudar percursos à lupa

Admitindo que são viagens mais difíceis de gerir, João assegura que são também mais gratificantes. “A minha missão é garantir a segurança das pessoas e que tudo corra bem em termos logísticos. Quero no fundo que cada pessoa regresse a casa com a sua viagem.” Os grupos das expedições costumam ser pequenos, de forma a garantir esse objetivo. Normalmente rondam entre os quatro e os oito participantes com idades compreendidas entre os 22 e os 55 anos. “Procuro que sejam grupos mistos e equilibrados. Acho que é uma experiência mais saudável. Por norma, os meus clientes viajam sozinhos ou em casal, mas sem filhos. Talvez pelo espírito de aventura das minhas viagens.”

João acredita que os portugueses têm no seu ADN a paixão pelas viagens e pela descoberta, tal como mostrou a própria História, na época dos Descobrimentos, e que os portugueses continuam a fazer questão de viajar - nem que seja cá dentro.

De acordo com o INE, 4.1 milhões de portugueses realizaram pelo menos uma viagem turística em 2014, o que representa uma ligeira subida face a 2013. No total, os cidadãos portugueses residentes no país realizaram 17,9 milhões de viagens, sendo que a grande maioria ficou cá dentro.

Expedição à Bolívia

Expedição à Bolívia

Turismo em ligeira recuperação

Segundo Pedro Costa Ferreira, presidente da Associação Portuguesa de Agência de Viagens e Turismo (APAVT), a evolução do sector nos últimos anos foi muito constrastante. “Antes de 2009 assistimos a um grande boom de agências de viagens, devido ao crescimento do turismo. A situação económica do país e a entrada do euro parecem ter estimulado a procura. Mas entretanto, com o começo da crise financeira internacional, registou-se uma queda do consumo e o sector começou a ressentir-se.”

A evolução do turismo atingiu um ponto negro há quatro anos, obrigando o sector a oferecer novas alternativas para conquistar os portugueses. “Em 2011 registámos uma quebra de mais de 30%. Depois batemos no fundo. Só em 2013 é que iniciámos uma ligeira recuperação, que foi consolidada em 2012 e por aí adiante”, acrescenta.

Para Margarida Santos, diretora da licenciatura de turismo da Escola Superior de Hotelaria e Turismo da Universidade do Algarve, durante os seguintes ao início de recessão foi evidente a quebra na saída de turistas para destinos nacionais e estrangeiros. No entanto, reconhece que os números poderiam ainda ter sido piores: “Há um conjunto alargado de portugueses que considera que viajar, cá dentro ou fora, já faz parte do seu estilo de vida. Mesmo face à erosão salarial, fizeram poupanças noutras componentes para poderem ir de férias, como vestuário ou idas a restaurantes. Viajar tornou-se uma necessidade essencial”.

A professora universitária nota que o caso português surge em linha com o comportamento de outros mercados europeus, como Inglaterra ou a Alemanha. “É interessante analisar outras variáveis como a estadia média. No Algarve, por exemplo, houve uma diminuição significativa no número de dias que os turistas ficam por cá nos últimos 10 anos" , frisa Margarida Santos.

Cada viagem é unica

João confessa que os seus clientes também o “desafiam”, fazendo com que ele próprio conheça outras realidades em países por onde já passou. Foi o caso do Irão, para onde viajou num grupo com mais mulheres, tendo tido a oportunidade de observar como eram por vezes olhadas de lado em alguns locais, incluindo por outras mulheres, por se vestirem de forma diferente e não usarem véu. Ou numa das última expedições a Marraquexe, onde foi 'obrigado' a conhecer a noite da cidade, uma vez que um dos viajantes era empresário do ramo da diversão noturna e tinha esse interesse, levando-o também a descobrir essa área. “Os meus trabalhos anteriores prepararam-me. Aprendi a fazer um plano de negócios e a gerir problemas em países complicados. Mas a descoberta é permanente.”

Para o final do ano, a Agência Portugueses em Viagem já está a preparar uma expedição de Natal a Marrocos. “Se calhar devia chamar-se Expedição Não-Natal”, diz entre risos. O objetivo é reunir pessoas que não gostam desta época ou que estão sozinhas e que assim podem ir descobrir um país com tradição muçulmana que não festeja a data.

Face à crise, as agências de viagens começaram a apostar em destinos mais próximos e com preços mais reduzidos no país e no estrangeiro. Apesar do caminho de recuperação iniciado, o sector ainda tem um longo caminho pela frente para regressar aos níveis anteriores à crise.

“Antes de 2017 não devemos recuperar e atingir os valores pré-crise. Sabemos que a tendência da recuperação de consumo não tem que ver com o nível de rendimento disponível, mas com o aumento dos níveis de confiança. Estamos nesta altura em plena fase de recuperação”, realça Pedro Costa Ferreira, lembrando porém que esse caminho está dependente da conjuntura macroeconómica a nível nacional e internacional.

“Na minha perspetiva, não será muito credível que os portugueses a curto prazo alterem o seu gosto por viajar. Podem optar por viajar cá dentro. A nível global, poderão escolher outros destinos, fugindo a países como os do Magrebe ou Turquia, o que beneficiará também o mercado turístico interno”, afirma Margarida Santos

Nuno Botelho

Desbravar o mundo

João diz que, desde que se lembra, sempre teve vontade de conhecer o mundo. As pequenas viagens que fez durante a infância já eram para si uma enorme fonte de felicidade. Concretizar o sonho da sua vida foi um processo faseado. Quando tinha 20 anos partiu à descoberta da Europa, numa viagem de interrail, dois anos mais tarde, João viajou pela primeira vez sozinho fora da Europa, para Marraquexe. Licenciou-se em Medicina Veterinária, na Universidade Técnica de Lisboa. Pelo meio foi ainda estudar para a Holanda, através do programa Erasmus.

Fez missões e trabalhou em projetos de desenvolvimento em países como Cuba, Moçambique ou Guiné-Bissau. Entretanto, achava que era tempo de voltar. E assim foi. Em 2011, regressou a Lisboa para trabalhar como gestor de produto na Johnson. “Era um trabalho desafiante, mas o bichinho das viagens não saía de mim. E a vontade de conhecer mais mundo era enorme”, confessa. Foi assim, que em 2008, resolveu cumprir o seu sonho. Despediu-se e foi viajar pelo mundo. Um projeto que devia durar um ano, mas que acabou por se prolongar por quase dois anos. Percorreu 22 países em 17 meses, tendo começado o périplo no Irão e terminando-o no Brasil. Aprendeu a arte do desapego. Saiu de Alcochete apenas com uma pequena mochila às costas com o básico: uma t-shirt, umas calças, uns calções, um impermeável, artigos de higiene, chinelos e uma máquina fotográfica. “Não precisava de mais.”

Hoje em dia, tenta também incutir esse espírito prático e curioso aos seus viajantes. Mas lembra que cada um é livre. “Acho que é o tempo que as minhas expedições oferecem a cada pessoa que dá liberdade de escolha e isso resulta em união. Conseguimos sempre conciliar tudo.” No final da viagem, João diz encontrar por norma um grupo coeso.

Uma coisa, explica, é visitar o Taj Mahal, uma das paragens obrigatórias na Índia, outra é dormir com vista para o monumento, falar com as pessoas que estão lá e perceber como se sentem e porque estão ali. “Gosto que os outros também se apercebam disso e fiquem satisfeitos. Nunca fiz nada que me deixasse tão feliz.”

João viajou por Timor e pela China

João viajou por Timor e pela China

  • Nós, portugueses: retratos de um país que vai a eleições

    Durante o mês que antecedeu as legislativas, o Expresso publicou 30 retratos do que Portugal é hoje. Da natalidade ao envelhecimento, do desemprego jovem à criação de empresas, da pobreza ao desperdício alimentar, da agricultura às pescas, do cinema aos livros, do turismo ao ambiente, da emigração ao desporto, do talento à habitação. São 30 temas, 30 números e 30 histórias

  • Conhecer o crime: das estatísticas morais à construção social

    Há estatísticas de crimes em Portugal desde 1837, ainda que incialmente fossem pouco rigorosas. A partir do início do século XX começaram a ser mais sistemáticas e eram usadas para “ver como estava o país”. Os dados atuais mostram que a maioria dos crimes em Portugal é contra o património - e Lisboa, Porto e Setúbal registam metade da criminalidade total. Este é o 18.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • O maravilhoso mundo dos computadores gigantes (e o traiçoeiro exercício de futurismo)

    Isto foi dito há umas décadas: “Não há nenhuma razão para que alguém queira ter um computador em casa”. Eram dias de computadores monstruosos - o futurismo, sempre traiçoeiro, não tinha como antever estes dias em que o mundo inteiro anda nos nossos bolsos, dentro de um telefone, ou em cima das nossas secretárias, em computadores cada vez mais pequenos. Estima-se que sejam vendidos 571 mil portáteis e três milhões de smartphones em Portugal este ano - o maior número de sempre. Este é o 17.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Vejo tudo negro

    José António viu arder os terrenos, as árvores e os animais em Sortelha, concelho de Sabugal, onde se deu o maior incêndio no país desde o início deste ano. Até ao final de agosto, os incêndios consumiram 53.951 hectares, mais do que no ano passado, mas menos do que a média anual na última década. Este é o 16.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Um país com menos livros e com menos jornais

    As vendas de livros e de jornais em banca continuam em queda e muitas livrarias fecharam (de 694 em 2004 para 562 contabilizadas em 2012). Será que o digital constitui realmente uma ameaça? Este é o 15.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso vai publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • É isto que eles pagam

    Um em cada cinco trabalhadores (20%) leva hoje para casa o ordenado mínimo: €505, menos do que o salário real de 1974 indexado à atualidade. Clarice e Maria são duas mulheres, de histórias e vidas bastante diferentes, que o recebem todos os meses. Mas enquanto Maria descobriu este ano o primeiro emprego e tem ainda poucas despesas, Clarice já recebe o mínimo há duas décadas, tem uma casa para sustentar e todos os seus dias são uma luta pela sobrevivência. Este é o 14º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • O que sobra a um é o que falta a outro

    Estima-se que um milhão de toneladas de alimentos seja desperdiçado por ano em Portugal. Para fazer a ponte entre o que sobra a um e falta a outro, há associações como a Refood, que já distribui cerca de 35 mil refeições por mês. Este é o 13.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • A dignidade de saber ler e escrever. E de compreender

    Aos 54 anos, Edna decidiu voltar a estudar. Começou a trabalhar aos nove e, por isso, as palavras que poderia ler e escrever ficaram pelo caminho – aprendeu-as na 1ª e 2ª classe mas acabou por esquecê-las, guardando na memória apenas o nome e algumas letras, soltas, desordenadas. Hoje, após dois anos de aulas, já não contribui para as estatísticas oficiais de analfabetos (eram 5,2% em 2011), mas tem pela frente a barreira da iliteracia - tal como muitos portugueses (eram 48% em 2005) que não conseguem compreender totalmente o que leem. Este é o 12º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Uma casa para o resto da vida

    Há mais pessoas a comprar casa e o sector da construção e do imobiliário tem sentido as melhorias. Filipa Vasconcelos e o marido tiveram um bebé no final do ano passado e decidiram, pela primeira vez, que fazia sentido comprar casa. “Claro que vamos ficar a pagar a prestação para o resto da vida, mas também pagaríamos uma renda.” Compraram um T4 com cinco assoalhadas por 75 mil euros. Este é o décimo artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • “Estou aqui com uma ideia: devíamos fazer uma academia para ensinar desempregados a programar”

    Por um lado há vagas para programadores que ficam por preencher, por outro há jovens qualificados sem emprego. A Academia de Código é uma empresa criada em 2013 para juntar as duas coisas e já estendeu as aulas de código às escolas primárias. Desde o início deste ano, a criação de empresas já está 8,4% acima de 2014. Este é o 11º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Vencer o vício da prisão

    Até aos 44 anos, António passou o tempo a entrar e a sair da prisão. Mas algo foi diferente da última vez: quando chegou cá fora tinha algo a que se agarrar. Entre 2010 e 2014, o número de reclusos nas prisões aumentou 20,4% – e só no fim dos anos 1990 houve um número semelhante de presos. Este é o nono artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • O problema mais sério ainda está para chegar

    O centro de saúde de Mogadouro já teve 18 mil utentes e 13 médicos, agora tem metade. A diretora do centro lembra que será um “problema grave” quando ali se reformarem os médicos mais velhos. Portugal tem uma das maiores disparidades da UE na distribuição de médicos no território: por 1000 habitantes, há 2,2 médicos em zonas rurais e 5,1 em zonas urbanas. Este é o oitavo artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Treze mil dias de mar

    Carlos Alfaiate é pescador desde os 14 anos. Pescou na Mauritânia e em Marrocos, tem 36 anos e oito meses de mar no corpo, tirou chernes que valiam €1200. Passou décadas fora de Portugal e regressou em 2004, com arrependimentos e angústias. O sector de Carlos, que se fartou tantas vezes do mar, mudou nas últimas décadas e as 119.890 toneladas de peixe vendidas em 2014 são o valor mais baixo desde que há registos. Este é o sétimo artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Minha querida agricultura

    António quis fugir da vida na terra que os pais e os irmãos levavam. Estudou engenharia, trabalhou como programador e aos 50 anos voltou à agricultura. Emociona-se no fim da conversa, ele que faz parte dos 6,5% de população agrícola familiar em Portugal, proporção que em 1989 era de 19,8%. Este é o sexto artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • “Não estou a fazer sapatos nem salsichas - há mais qualquer coisa nisto.” O cinema independente não está morto

    O cinema já foi dado como morto várias vezes. O número de espectadores diminuiu 30% numa década, as receitas de bilheteira caíram 12% e houve várias salas que fecharam. Mas há duas histórias paralelas a esta, a do Cinema Nimas e a do Cinema Ideal, em Lisboa, que reabriu em agosto do ano passado. Este é o quinto artigo da série “30 Retratos” que o Expresso vai publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • O “fator 30” traz mais bebés?

    Nos primeiros meses deste ano já nasceram mais bebés do que no mesmo período do ano anterior, embora ainda seja cedo para concluir que a natalidade vá aumentar em 2015, contrariando a tendência dos últimos anos. Até maio, nasceram 33.637 bebés em Portugal e Miguel Cruz é um deles. Este é o quarto artigo da série “30 Retratos” que o Expresso vai publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Os 44 anos de um carocha que custou 60 contos e 56 escudos

    Marcial comprou um carocha branco em 1971 que conseguiu manter até hoje. O mercado automóvel mudou nos anos 1980 e sofreu grandes perdas em 2012. Agora está a recuperar e em agosto deste ano as vendas aumentaram 24% em relação ao período homólogo. Este é o terceiro artigo da série “30 Retratos” que o Expresso vai publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • É preciso aprender a envelhecer

    Virgínia tem 78 anos, caminha seis quilómetros por dia, viaja pelo mundo fora e ainda quer ir ao Canadá, Estados Unidos e Inglaterra. “A velhice programa-se”, diz. Em 2030, Portugal poderá ser o país mais envelhecido do mundo. Este é o segundo artigo da série “30 Retratos” que o Expresso vai publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • “Porque hei de ir embora mais cedo para depois estar sozinho?”

    Há cerca de 70 pessoas, na sua maioria sem-abrigo, que todos os dias comem no único sítio em Lisboa que lhes dá mesas, cadeiras, talheres e copos para que pelo menos à hora das refeições tenham um sítio onde comer que não seja a rua. Os pedidos de apoio têm aumentado e é preciso um espaço maior. Atualmente, 19,5% dos portugueses estão em risco de pobreza e é preciso recuar a 2003 para encontrar uma taxa maior. Este é o primeiro artigo da série “30 Retratos” que o Expresso vai publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições