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Uma ideia que se tornou movimento nacional em poucos dias: ajuda portuguesa a caminho dos refugiados

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Em todo o país, 150 voluntários em 30 centros regionais receberam mais de 50 toneladas de bens

José Caria

A caravana Aylan Kurdi começou este sábado a caminhada até à Croácia com mais de 50 toneladas para ajudar os refugiados que tentam entrar na União Europeia. Trata-se de doações portuguesas. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados dá apoio oficial

Carolina Reis

Carolina Reis

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Jornalista

José Caria

José Caria

Fotografia

Fotojornalista

Há imagens que não se esquecem. A do corpo da criança síria morta numa praia da Turquia é uma delas. Comoveu e moveu o mundo, Portugal incluído.

"Há quem consiga ficar indiferente às fotografias que nos chegam, eu não consigo." Era assim que João Vasconcelos descrevia há uma semana a Aylan Kurdi Caravana, que o Expresso avançou em primeira mão. Longe de imaginar a proporção que a iniciativa ia ter. Naquela altura, era uma ideia de um grupo de amigos que se juntaram para levar roupa, comida, bens de primeira necessidade e brinquedos aos refugiados que por estes dias tentam entrar na Europa.

A Hungria, de onde também chegam imagens impressionantes, começou por ser o primeiro destino. O fecho de fronteiras acabou por obrigar a organização a virar-se para a Croácia. "O mais importante é que os bens vão chegar a quem mais precisa", disse, três dias depois, João Vasconcelos. Nesse momento, a Aylan Kurdi Caravana já era uma movimento nacional.

Em todo o país, 150 voluntários em 30 centros regionais receberam mais de 50 toneladas de bens. Muitos brinquedos, embalados dentro de sacos, chegaram com mensagens de apoio aos refugiados, a maioria de crianças portuguesas. Famílias deslocaram-se para doar em conjunto, empresas nacionais contribuíram com dinheiro para aquela que é a maior iniciativa da sociedade civil portuguesa para ajudar os refugiados que arriscam a vida para entrar nas fronteiras da União Europeia.

José Caria

Enquanto as doações cresciam, Maria Miguel Ferreira, também da organização, desdobrava-se em contactos com ONG no terreno, para tratar de toda a parte logística. Chegaram a estar vários destinos em cima da mesa, que obrigaram a reuniões com embaixadas, mas a Croácia tornou-se o mais adequado.

O caminho que os camiões começam hoje a fazer ainda é longo. Quatro voluntários da organização partem de avião até Zagreb para chegarem antes da mercadoria e estabelecerem contacto com as ONGs e instituições locais. A caravana parte com o apoio oficial do Alto Comissáriado das Nações Unidas para os Refugiados, liderado por António Guterres.