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Cruzeiros, um negócio certinho

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Vendaval e agitação marítima desviaram esta semana duas embarcações de grande porte do Porto de Leixões, contratempo que não abala as previsões recorde de 90 escalas de navios-cruzeiros no novo terminal em 2015

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Amanhã, dia da 7ª edição do 'Dia do Porto de Leixões', a APDL espera receber 20 mil visitantes de Matosinhos e Grande Porto pelo novo terminal de cruzeiros, aberto por um dia ao público não viajante que vem reivindicando acesso livre ao emblemático edifício em espiral do arquiteto Luís Pedro Silva, até agora apenas utilizado por operadores e turistas que chegam para conhecer a região norte.

Além de visitas guiadas mediante pré-inscrição no balcão de informações \do edifício, os curiosos terão ainda a oportunidade durante 9 horas de assistir à 1ª Regata do Porto de Leixões, visitar embarcações, exposições e concertos, entre os quais o dos Sons do Douro e dos Souls of Fire, que encerram o evento.

As restrições de acesso ao terminal edificado a 700 metros da costa, no Molhe Sul de Leixões, em Matosinhos, inaugurado oficialmente em julho e a operar desde abril, são justificadas por Brogueira Dias com a falta de condições e passadiços apropriados de segurança para o público em geral, situação que será ultrapassada com a conclusão das obras da terceira fase do projeto.

“Já há concurso para a obra e o terminal vai ter um acesso provisório para público até ao final deste ano, enquanto o acesso independente final de ligação à cidade para não passageiros ficará concluída no final de 2016”, garante o presidente da Administração dos Portos de Douro e Leixões (APDL).

Apesar do mau tempo que se assolou o Porto a meio da semana ter obrigado ao desvio de dois navios-cruzeiro, um dos quais o luxuoso Queen Elizabeth, Brogueira Dias refere que a estimativa de 90 mil escalas de navios e de cerca de 90 mil passageiros e 43 mil tripulantes não sairá afetada, dado que também há barcos a aportar em Leixões transviados por intempéries de outros portos da costa atlântica. “São situações imprevistas contra as quais nada há a fazer enquanto o São Pedro não deixar meter cunhas. Mas mesmo assim, o setor dos cruzeiros turísticos é um negócio certinho, bem programado e escalas marcadas com antecedência”, diz o líder a APDL, convicto que o empreendimento que custou quase 50 milhões de euros e permite a escala dos navios de grande porte da alta-roda europeia do turismo de cruzeiros irá registar em 2015 um crescimento de tráfego de mais de 30% em relação ao ano passado (64,4 mil passageiros).

Terminal multiusos

Até ao final do ano, o edifício em fornal de espiral vai acolher ainda uma valência original a nível mundial, o polo de Ciências do Mar da Universidade do Porto, que integra ao todo 200 investigadores. Na cave ficará o biotério e laboratórios de investigação científica. De acordo com Helena Fernandes, diretora de marketing da APDL, o piso 3 está destinado a eventos, de exposições a concertos, e irá albergar ainda um restaurante para passageiro e público em geral, ainda por concessionar.

Os ingleses (44%) lideram o ranking de nacionalidades que cruzam Leixões, seguidos de alemães (16%) e norte americanos (15%). Franceses e italianos representarem 8% do total, situação que não é alheia à multiplicação de ligações diretas com destino a várias cidades destes dois países a partir do aeroporto do Porto.

Com a construção do novo cais de 340 metros, Leixões deixou definitivamente de ver passar ao largo a maior parte dos navios de grande cruzeiros da atual frota mundial, mantendo a APDL a aposta de cruzeiros temáticos iniciada há três anos, com destaque para o da rota do Vinho do Porto As previsões para 2018 apontam para escalas da ordem das 111 navios-cruzeiro e mais de 130 mil, com impacto económico local de estimado em 11 milhões de euros na restauração, transportes, compras, culta e lazer.

Na esfera internacional, Leixões lidera o Projeto Cruise Atlantic Europe, que integra oito portos atlânticos - Lisboa, Leixões, Corunha, Bilbau, St. Malo, Brest, Dover e Cork.