Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

“O PCP deve pedir desculpas às vítimas”

  • 333

Manuel S. é um ativista de esquerda espanhol que fez queixa na PSP logo depois da violência que diz ter sido alvo

Associações de defesa dos direitos dos homossexuais criticam atitude dos seguranças da Festa do "Avante!". PCP fez comunicado sobre o assunto

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Tiago Miranda

Tiago Miranda

Fotojornalista

Seguranças da festa do “Avante!” terão espancado e sequestrado participantes no evento comunista. As denúncias feitas ao Expresso, e publicadas na edição impressa que está desde sábado nas bancas, conta as histórias de seis pessoas que alegam ter sido vítimas de “violência gratuita”, “vendadas”, “sequestradas” e “sufocadas com uma corda”.

A PSP conta já com dez queixas, feitas nas últimas duas edições, e sabe que existem mais vítimas, no entanto, ainda não formalizaram a denúncia. Dois dos casos mais graves estão a ser investigados pela Polícia Judiciária.

Um dos casos revelado ao Expresso, é o de um cidadão espanhol, de 34 anos, que se queixa de ter sido levado por um grupo de três seguranças depois de estar, num local isolado, a beijar um homem. Segundo este ativista galego, os seguranças, todos voluntários do partido, disseram-lhe que estaria a fazer “algo proibido”.

As organizações de defesa dos direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgénero querem um pedido de desculpa e dizem que Portugal ainda é um país homofóbico. “Devem pedir desculpas às vítimas, devem sancionar os seguranças, senão somos levados a pensar que os comunistas vestem um fato que não lhes serve e que afinal o rei vai nu, e os LGBT não devem votar em quem diz uma coisa e faz outra. À atenção da direção do partido: Beijar não é crime em Portugal. Nos países islâmicos é que é”, acusa e defende António Serzedelo presidente da Opus Gay.

Para Paulo Corte Real, vice-presidente da ILGA, o episódio trata-se de um crime de ódio motivado por preconceitos homofóbicos, “a partir do momento em que está relacionada com uma manifestação pública de afeto”. E reforça que “o preconceito, infelizmente, é transversal” na sociedade portuguesa.

O ano passado, de acordo com o Observatório da Discriminação, da responsabilidade da ILGA, houve 198 crimes de ódio por motivos homofóbicos e 93% das vítimas desses crimes não formalizaram queixa.

Comunistas encaminham situações para as autoridades

Tal como já tinha dito ao Expresso, nunca desmentindo os factos, o PCP publicou ontem no seu site uma nota intitulada “Provocação contra a Festa do Avante!”. Os comunistas dizem que encaminharam para as autoridades as situações. “Situações como as descritas nas perguntas que nos dirigem não correspondem à prática, às orientações e aos princípios que norteiam a atuação dos membros do Partido na Festa do 'Avante!'. Reafirmando que qualquer acto individual que se afaste destes princípios terá a devida intervenção da Direção da Festa, denunciam-se os processos recorrentes de falsificação e difamação que ao longo dos anos se repetem a propósito da Festa do 'Avante!'”.

A notícia do Expresso tem estado a ser citada por outros órgãos de informação, como o “Correio da Manhã” e o “Observador.