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O que o mundo escreveu sobre o nosso novo antepassado

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THAPELO MOREBUDI / GOVT COMMUNICATION & INFORMATION SYSTEM / HO

O Homo Naledi, uma espécie de antecessor do homem até aqui desconhecida, já tem conta no Twitter e esta quinta-feira esteve em destaque em todo o mundo

Ficámos a conhecer mais um membro da família: falou-se e escreveu-se sobre ele em todo o mundo ao longo desta quinta-feira, porque o Homo Naledium já é uma descoberta equiparada à do fóssil Lucy (também nossa antecessora), em 1974. E o Homo Naledi não perdeu tempo: já está no Twitter.

A história desta descoberta começa numa noite de 2013, em que um escavador amador bateu à porta de casa de Lee Berger, geólogo na Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo, África Do Sul. Consigo trazia um fragmento do osso de um maxilar. Nesse mesmo dia, escreve a CNN, os dois homens chamaram a National Geographic e “esgotaram as cervejas”.

Para chegar ao local onde estariam mais fragmentos havia um problema: era um sítio muito apertado. Então, Lee Berger publicou no Facebook um anúncio a pedir “cientistas pequenos”, alguém que conseguisse aceder ao local. E assim apareceram as “astronautas subterrâneas”, seis mulheres cientistas que foram capazes de passar na entrada de cerca de 18 centímetros de abertura.

Agora, dois anos depois da primeira peça do puzzle, o Homo Naledi foi apresentado a todos nós. Os media já lhe chamam “o novo parente” ou “o primo do homem“. A CNN escreve que a descoberta “vai mudar a forma como compreendemos a evolução humana”.

“Diz-nos que a história da evolução é provavelmente diferente da que imaginávamos”, diz o cientista Jonh Hawks, citado pelo “The Guardian”. Foram recuperadas mais de 1500 peças, que pertencem a pelo menos 15 pessoas - bebés, crianças e idosos. Nos entanto, continuarão naquela caverna outros tantos milhares de fósseis.

A forma como os ossos estavam dispostos, sugere de que estes hominídeos depositaram-nos intencionalmente naquele lugar, escreve o “The New York Times”. Até agora, julgava-se que o enterrar os mortos era um comportamento exclusivo dos humanos da modernidade.

Alguns cientistas, citados pela mesma publicação, chegam mesmo a sugerir que que este possa ser um tratamento ou ritual para tratar os mortos. “É mesmo muito fascinante. Sem dúvida alguma que há pelo menos uma nova espécie aqui”, diz Ian Tattersall, do Museu Nacional de História Natural nova-iorquino.

Como se relaciona com o que já sabíamos?

Apesar da importância da descoberta, os cientista ainda têm algumas dúvidas por esclarecer. Uma deles é: como é que Homo Naledi está relacionado com outras espécies humanóides que vieram no continente africano?

Quando se conseguir datar o Homo Naledi será mais fácil responder a esta pergunta, pelo menos é essa a convicção dos investigados, avança a revista “Nature”. Estes fósseis podem ter mais de um milhão de anos.

Há ainda demasiadas dúvidas e questões por responder nesta história e, por isso mesmo, no meio de tanta euforia com a nova descoberta, há quem não se deixe convencer a 100%. É o caso do antropologista William Jungers, que acredita que o Homo naledi pode afinal não ser assim tão entusiasmante.

“Se tiverem cerca de dois mil anos podem bem ser versões mais recentes dos homo erectus sul africanos, uma espécie já conhecida na região. Se forem mais recentes, podem ser replicas da espécie que persistiram em isolamento. Por outras palavras esta descoberta é mais curiosa do que uma reviravolta no jogo”, explicou.

Outro especialista, reforça a ideia de que esta Homo naledi pouca novidade traz: “Pelo que foi apresentado, [os fósseis] pertencem ao primitivo homo erectus, uma espécie identificada nos anos de 1800”, diz Tim White, um paleontólogo da Universidade da Califórnia.

Bernard Wood, paleontólogo, diz, citado pelo “The Wall street Journal”, que com as evidências existentes nem Sherlock Holmes seria capaz de tirar as conclusões que os investigadores do Homo naledi tiraram, nem mesmo o personagem da literatura britânica “seria capaz de concluir que o enterro dos corpos foi deliberado”. Admite, no entanto, ainda que com muitas dúvidas, realmente isso possa ter acontecido: “Se foi, então tudo o que achávamos sobre a evolução da espécie humana é deitado pela sanita a baixo”.

  • Homo naledi. Nova espécie de hominídeo descoberta na África do Sul

    Mediam metro e meio e pesavam cerca de 45 quilos. O cérebro tinha o tamanho de uma laranja, as mãos eram parecidas e os pés quase indistinguíveis das dos humanos atuais, mas os ombros seriam mais semelhantes aos dos macacos. Os ossos de pelo menos 15 'Homo naledi' foram encontrados numa gruta na África do Sul