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Caso das secretas: muita discussão e um silêncio pesado

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Jorge Silva Carvalho é o principal arguido

MIGUEL A. LOPES / Lusa

Julgamento começou com a juíza a anunciar que iria pedir o levantamento do segredo de Estado à medida que “a questão se pusesse”. Arguidos queriam mais e remeteram-se ao silêncio

Rui Gustavo

Rui Gustavo

Editor de Sociedade

No primeiro dia do julgamento do caso das secretas, falou-se de tudo menos dos factos suspeitos que provocaram a maior crise de sempre nos serviços secretos portugueses. A juíza Rosa Brandão distribuiu um despacho em que explicava que iria pedir o levantamento do segredo de Estado em relação a algumas questões e até deu como exemplo o facto de ter solicitado ao Sistema de Informações da República Portuguesa a cópia do manual de procedimentos dos serviços.

Mas quer a defesa do principal arguido, Jorge Silva Carvalho, quer a do antigo agente João Luís exigiram saber mais e em que situações concretas estavam dispensados do segredo de Estado. A juíza replicou que a questão seria analisada conforme fosse sendo levantada e a discussão prolongou-por mais de uma hora.

Quando chegou a altura de perguntar aos arguidos se pretendiam prestar declarações percebeu-se as consequências: "A conselho do advogado e tendo em conta o que aconteceu hoje, não vou prestar declarações", disse Jorge Silva Carvalho. A posição foi seguida pelos restantes arguidos: o empresário Nuno Vasconcelos e os ex-espiões João Luís e Nuno Dias. A quinta arguida, Gisela Teixeira, não esteve presente.

O escândalo das secretas rebentou no final de 2011 quando o Expresso publicou que Bernardo Bairrão tinha sido afastado da TVI depois de informações recolhidas junto dos serviços. Depois, o Expresso publicou que enquanto ainda estava no serviços secretos, Jorge Silva Carvalho terá passado informação sobre empresários russos e um empresário português à Ongoing, para onde iria trabalhar depois de sair do SIED. Mais tarde, o Expresso escreveu que Silva Carvalho terá pedido a João Luís que conseguisse a fatura detalhada do telemóvel de Nuno Simas, então jornalista do Público. O pedido foi transmitido a um terceiro espião, Nuno Dias, que pediu à namorada, Gisela Teixeira, funcionária da Otimus que obtivesse a lista.

O julgamento prossegue na próxima quinta-feira com audição de Júlio Pereira, secretário-geral do SIRP. O chefe dos espiões.