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Guerra à Uber. Centenas de taxistas concentrados no Parque das Nações

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Mário Cruz / Lusa

Marcha de protesto contra a aplicação eletrónica Uber deverá chegar ao Ministério da Justiça, na Praça do Comércio, ao meio-dia

Centenas de taxistas estão concentrados esta terça-feira no Parque das Nações, em Lisboa, para "aquele que será o maior protesto" destes profissionais em Portugal, contra o transporte de passageiros por condutores ligados à aplicação eletrónica Uber.

O presidente da Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL), Florência Almeida, disse à agência Lusa que os taxistas estão em protesto contra a Uber, que trabalha, na sua opinião, ilegalmente em Portugal.

"O Governo que deve fazer cumprir a constituição e as decisões dos tribunais nada tem feito ", salientou.

Florêncio Almeida avançou ainda com a "possibilidade de existirem políticos ligados à Uber" e "com algum interesse" em que a situação se mantenha.

"Não vamos permitir que as decisões dos tribunais não se venham a cumprir num país de direito", frisou.

O presidente da ANTRAL adiantou ainda que já estão muitos taxistas concentrados no aeroporto e que estes não estão a fazer serviços.

O aeroporto de Lisboa vai ser o primeiro ponto de encontro desta marcha, que não deverá chegar ao Ministério da Justiça, na Praça do Comércio, antes das 12h.

De acordo com Florêncio Almeida existem na zona de Lisboa 3.500 carros e nos arredores da capital cinco mil.

No protesto de hoje são esperados, segundo presidente da ANTRAL, entre 1.500 e dois mil taxistas.

A razão do protesto visa alertar para os efeitos da violação da lei, do não-acatamento de decisões judiciais, constituindo neste caso crime", e protestar contra a "tolerância dos decisores" e a "inação dos fiscalizadores, no uso das competências e obrigações a que estão vinculados", de acordo com a ANTRAL.

Os taxistas pretendem entregar um dossiê explicativo das suas razões ao presidente do Instituto da Mobilidade Terrestre e à ministra da Justiça, em Lisboa.

Numa nota, a PSP informa que existirão elementos policiais a proceder ao desvio do trânsito devido aos previstos condicionamentos da circulação rodoviária e aconselha os cidadãos a utilizarem preferencialmente os transportes públicos para deslocações na cidade de Lisboa.

O Tribunal Central de Lisboa aceitou a 28 de abril deste ano uma providência cautelar interposta pela ANTRAL, e proibiu os serviços da aplicação de transportes Uber em Portugal, decisão que foi confirmada pelo mesmo tribunal em junho.

A ANTRAL acusa a Uber de "continuar a trabalhar da mesma forma" que trabalhava antes da decisão do tribunal.