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Taxistas saem à rua contra a Uber: “Não vamos parar, até na campanha vão levar connosco”

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CONCORRÊNCIA. A Uber começou a operar em Portugal em julho de 2014, passando a concorrer diretamente com os táxis

TIAGO MIRANDA

Esta terça-feira é dia de uma marcha lenta de taxistas contra a Uber. Protesto decorre simultaneamente em três cidades. Polícia alerta que o trânsito vai ser afetado e recomenda utilização de transportes públicos

A guerra dos taxistas contra a Uber está longe de chegar ao fim. Esta terça-feira, estão agendados protestos nas cidades de Lisboa, Porto e Faro, que consistirão em marchas lentas que prometem afetar o trânsito logo de manhã. Por volta das 8h30, em plena hora de ponta, os taxistas vão iniciar os percursos pelas três cidades.

“O objetivo do protesto é exigir que as autoridades do país façam cumprir a lei e as decisões dos tribunais portugueses. Vivemos num Estado de Direito e as leis são para cumprir”, afirma ao Expresso Florêncio Almeida, presidente da Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL).

O líder da ANTRAL refere-se à decisão do Tribunal Central de Lisboa, que no passado dia 28 de abril aceitou uma providência cautelar interposta contra a Uber, considerando que a empresa é “ilegal, publicitada de forma enganosa e constitui um risco para quem a utiliza”. Mais recentemente, em junho, o tribunal voltou a confirmar a decisão.

“Não vamos deixar cair a Uber no esquecimento. A seguir a este protesto - que agendámos há 15 dias - haverá novas ações espontâneas. Se isto não for resolvido, não vamos parar. Até na campanha eleitoral vão levar connosco atrás, com toda a certeza”, diz Florêncio Almeida.

A Uber contestou a decisão judicial, alegando que oferece apenas um “serviço de tecnologia - e não um serviço de táxis” - que efetua a ligação entre os clientes e o transporte.

Durante a marcha lenta em Lisboa estão previstas paragens no Instituto de Mobilidade Terrestre (IMT), Ministério da Economia e Ministério da Justiça, onde os taxistas deverão entregar dossiers sobre o caso.

Uber alerta para dificuldades no serviço

Em comunicado, a Uber alerta para as dificuldades no serviço esta terça-feira, devido à greve dos taxistas: “Lisboa e Porto não vão parar, mas o acréscimo de pedidos por viagens com a Uber e as dificuldades de circulação nas cidades poderão limitar a disponibilidade de veículos em certos períodos e poderão prolongar o tempo de circulação dos veículos nas cidades.”

Lamentando os casos de agressões físicas a condutores que trabalham para esta plataforma online, a Uber apela ainda ao “diálogo” e ao “entendimento mútuo” no sector.

Contactada pelo Expresso, fonte da PSP do Comando Metropolitano de Lisboa não precisou o número de agentes que deverão estar nas ruas devido ao protesto, realçando apenas que deverão ser “muitos”, tal como é previsto nestes casos, nomeadamente para indicarem alternativas para o desvio de trânsito.

“Atendendo ao previsto condicionamento da circulação rodoviária, a PSP aconselha aos cidadãos a utilização preferencial de transportes públicos para deslocações na cidade de Lisboa, tendo em conta que poderão igualmente ser afetadas zonas da cidade adjacentes às artérias mencionadas”, refere a PSP em comunicado.

Condicionamento no trânsito

Em Lisboa, o ponto de partida dos taxistas é o Parque das Nações rumo ao Ministério da Justiça. A marcha lenta deverá passar pela Av. Dr. Alfredo Bensaúde – 2.ª Circular – Aeroporto e Praça do aeroporto (Rotunda do relógio) – Av. Alm. Gago Coutinho – Av. Dos EUA – Campo Grande – Av. Forças Armadas – Av. Álvaro Pais – Av. 5 de Outubro – Av. António Serpa – Av. Da República – Saldanha – Av. Fontes Pereira de Melo – Pr. Marquês de Pombal – R. Braamcamp – R. Castilho – R. Alexandre Herculano – R. Rodrigo da Fonseca - R. de São Mamede – R. da Escola Politécnica – R. Dom Pedro V, Rua de São Pedro de Alcântara – R. da Misericórdia – Pr. Luis Camões – R. do Loreto – R. das Chagas – R. da Horta Seca R. do Alecrim – Pr. Ilha da Terceira – R. do Arsenal, terminando na Praça do Comércio.

No Porto, os taxis partirão da Praça Gonçalves Zarco, pela Avenida da Boavista, Avenida dos Aliados, Via de Cintura Interna, A28 , A4 , Via Regional Interior, Aeroporto Francisco Sá Carneiro, A41, A28 (sentido Viana do Castelo/Porto), Estrada Exterior da Circunvalação (sentido descendente) e Praça S. Salvador, regressando à Praça Gonçalves Zarco.

A sul, a marcha deve iniciar-se no Estádio do Algarve, seguindo depois para o aeroporto de Faro. Posteriormente, subirão a Avenida Calouste Gulbenkian, passando pela rotunda do Hospital, a Avenida do Liceu e o Parque de São Francisco.

Em França, os taxistas venceram a batalha contra a Uber. A 25 de junho, após um protesto que reuniu milhares de taxistas em Paris e noutras cidades francesas - e que registou episódios de violência -, o governo gaulês decretou ilegal um dos serviços da Uber, o UberPop.