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Defesa de Sócrates. O processo “escondido”, a “exibição do troféu” e o “arquivamento”

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João Relvas/Lusa

João Araújo e Pedro Delille garantiram, em conferência de imprensa, não estarem satisfeitos com a nova medida de coação e reafirmaram que vão recorrer. Os advogados dizem que “não há provas” e que este processo “envergonha a justiça portuguesa”

“Acredito que o que vai acontecer dentro de três meses, ou antes, é o arquivamento” do processo, disse Pedro Delille, advogado de José Sócrates, na manhã deste sábado em conferência de imprensa em Lisboa. Delille estava acompanhado por João Araújo e ambos asseguraram que “não há provas, nem indícios, nem crime”, referindo-se ao envolvimento do ex-primeiro-ministro. A defesa diz que não conhece o processo, porque “continua escondido”.

“Quanto mais o tempo passa, mais a prova mais se consolida. Apresentá-la é que não. O Ministério Público não tem provas nem factos nem acusação”, afirmou João Araújo.

Há três meses, tinha sido proposta ao antigo primeiro-ministro a “humilhante” medida de prisão domiciliária com pulseira eletrónica, o que Sócrates recusou. O que mudou desde então, diz Pedro Delilli, “é que se consolidou que não há indícios nem qualquer razão para a suspeita”, o que conduziu à alteração da medida de coação.

Uma vez mais os advogados apontaram o dedo à forma como o Ministério Público conduziu este processo. Para a defesa, a prisão de Sócrates no aeroporto da Portela, em Lisboa, em novembro do ano passado não passa da “exibição de um troféu de pessoas do mundo do direito”.

“Legalmente nada disto é possível. Houve um sequestro da justiça”, acrescentou Pedro Delille.

Este caso e, particularmente os nove meses que José Sócrates passou em Évora, “envergonham a justiça portuguesa” e colocam “em risco os portugueses”. “Como é possível prender alguém neste país durante nove meses sem existirem provas?”, questionou João Araújo.

Sócrates irá falar

“Este processo nasceu amamentado pelo Grupo Lena. Mas parece que o Grupo Lena já foi chão que deu uvas. Depois disso, o Ministério Público inventou outra imputação: Vale do Lobo”, acusou Araújo. O advogado considera que esta foi uma situação “ridícula e patética”.

Sobre o caso do empreendimento algarvio, a defesa assegura que nos governos de Sócrates é “absolutamente impossível que tenha existido qualquer favorecimento” e que tudo não passa de “uma grande imaginação”.

Agora os advogados vão recorrer de uma decisão que não os “satisfaz”. “Os acontecimentos de ontem não são uma vitória” e por isso mesmo, a defesa do antigo primeiro-ministro vai apresentar recurso da medida de coação.

Em breve será mesmo José Sócrates a falar com a comunicação social, asseguram. A altura não está definida, será “quando quiser e for oportuno”.