Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

“Porque hei de ir embora mais cedo para depois estar sozinho?”

  • 333

Distribuição de comida na rua, em Santa Apolónia, em Lisboa. Para evitar que os sem-abrigo tenham de comer na rua, há um pequeno refeitório em Lisboa que lhes dá as condições básicas para comerem três refeições por dia [foto de arquivo]

Tiago Miranda

Há cerca de 70 pessoas, na sua maioria sem-abrigo, que todos os dias comem no único sítio em Lisboa que lhes dá mesas, cadeiras, talheres e copos para que pelo menos à hora das refeições tenham um sítio onde comer que não seja a rua. Os pedidos de apoio têm aumentado e é preciso um espaço maior. Atualmente, 19,5% dos portugueses estão em risco de pobreza e é preciso recuar a 2003 para encontrar uma taxa maior. Este é o primeiro artigo da série “30 Retratos” que o Expresso vai publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

Raquel Albuquerque

Raquel Albuquerque

Texto

Jornalista

Olavo Cruz

Olavo Cruz

Infografia

A porta da sala dá diretamente para a rua e as luzes acesas lá dentro contrastam com a pouca luz cá fora. Já passa das oito da noite e dentro da sala ouve-se o jogo de futebol na televisão, pendurada na parede, e é para lá que os olhos estão virados. Há mesas compridas com toalhas de plástico, dispostas à volta da sala, e pousadas na mesa estão ainda as taças de alumínio onde a sopa foi servida. Estão cerca de 20 pessoas sentadas à mesa, quase todos homens. Uns acompanham o jogo enquanto comem, outros mantêm os olhos fixos no prato. À porta está uma carrinha dos Médicos do Mundo, que ali pára todas as quartas-feiras e que fica até depois de todos saírem e as luzes se apagarem.

O que está dentro daquela sala, na freguesia de Arroios, em Lisboa, vai muito para lá do que as palavras, mesmo escolhidas com precisão, podem descrever. Cada uma daquelas pessoas passou o dia a deambular pela cidade – e não foi só aquele dia. São todos os dias, em alguns casos há pelo menos dois anos. A maior parte vive na rua e aquele é o único sítio em Lisboa onde podem comer as refeições habitualmente distribuídas na rua pelas instituições sociais.

A sala faz parte do Núcleo de Apoio Local (NAL) gerido pelo Centro Social e Paroquial de Arroios, e funciona no Largo de Santa Bárbara, em instalações cedidas pela Câmara Municipal. O NAL autorizou o Expresso a estar presente durante um jantar, sem recolha de imagens.

Por umas horas, os sem-abrigo têm à disposição uma sala com televisão, mesas, cadeiras, pratos, copos e talheres, além da presença permanente de um assistente social que, também durante o dia, os ajuda a tratar de documentos ou a encaminhar para serviços de saúde. Para além do apoio prático no dia a dia, os dois assistentes sociais do NAL procuram que estas pessoas sejam capazes de perspetivar uma saída quando a vida entrou numa espiral tão grande e tão funda que tudo parece atirá-los cada vez mais para longe do que possa ser uma solução.

Entre as 70 pessoas que atualmente usam aquela sala para pequeno-almoço, almoço e jantar, há quem tenha tido emprego e uma vida estável durante muito tempo. “Depois ficam sem trabalho e veem-se sem conseguir pagar uma renda, as despesas. Ou seja, tudo o que ter uma vida implica”, diz Ana Filipa Belchior, assistente social no NAL, que acompanha a situação dos sem-abrigo na freguesia desde 2008. Foi nessa altura que o Centro Social de Arroios criou uma equipa de rua para conseguir dar resposta à quantidade de pessoas que dormia à porta da igreja.

Risco e intensidade de pobreza aumentaram

Patrícia de Melo Moreira/Getty

“Tem havido um aumento muito gradual dos pedidos de apoio, mas de há uns três anos para cá aumentou mais. Agora não temos capacidade de resposta para mais pessoas, mas temos pedidos.” E as situações que o NAL acompanha não são apenas de sem-abrigo. Há casos de pessoas desempregadas que vivem em quartos alugados, com trabalhos precários e temporários, sem dinheiro para comer e para pagar a medicação, depois de pagarem a renda. Nesses casos, a ajuda passa pela cantina social ou pelo banco alimentar.

“Uma pessoa com 45 anos está velha para trabalhar, mas é nova para estar reformada”, explica a assistente social. O que essa pessoa recebe do Rendimento Social de Inserção (178,15 euros) não lhe chega para subsistir sem outra ajuda. “É difícil uma pessoa ter de gerir este rendimento que mal dá para uma renda num quarto, a viver em condições miseráveis, numa casa onde de quatro quartos fazem oito. Chegam a pedir 200 euros por quarto, num espaço onde cabe uma cama e um armário.”

E ainda que a Santa Casa da Misericórdia comparticipe algumas rendas, a instituição “também está a cortar esse apoio”. Quando o dinheiro mal chega para a renda, nem se fala do resto. “Eles têm de optar entre comer e pagar o alojamento ou pagar a medicação.”

Em Portugal, a taxa de pobreza voltou a aumentar em 2011 e atingiu 19,5% da população em 2013, o que significa que uma em cada cinco pessoas está em risco de pobreza, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE).

“Este valor reconduz-nos aos níveis de pobreza registados no início do século”, refere Carlos Farinha Rodrigues, economista, professor do ISEG e especialista em desigualdades, exlusão social e políticas públicas. “É necessário recuar a 2003 para encontrar um nível de pobreza [20,4%] superior ao verificado em 2013.”

Também a intensidade da pobreza – que mostra quão abaixo do limiar de pobreza estão as pessoas – está em 30,3%, “o valor mais elevado desde o início da série do INE em 2004”, refere Farinha Rodrigues.

Outros dados do INE apontam que 19% da população acima dos 16 anos não consegue substituir roupa usada por roupa nova e 3,2% da população não tem dois pares de sapatos de tamanho adequado.

Carlos Farinha Rodrigues também olha para a taxa ancorando a linha de pobreza em 2009, o que neutraliza o efeito da descida do rendimento mediano. E, nesse caso, a taxa de pobreza regista um crescimento efetivo de 6,8 pontos percentuais entre 2009 e 2012, passando de 17,9% para 24,8%.

“Apesar da redução significativa da pobreza monetária e das desigualdades económicas ocorrida ao longo das duas últimas décadas que antecederam a atual crise, Portugal permaneceu como um dos países mais desiguais da UE e com níveis de incidência da pobreza extremamente elevados”, escreve Carlos Farinha Rodrigues num artigo publicado no início deste ano no livro “Afirmar o Futuro – Políticas Públicas para Portugal”.

A subida da taxa de pobreza infantil para valores superiores a 30% é “particularmente significativa” e reflete este grupo como “um dos sectores mais vulneráveis à atual crise e às medidas de austeri­dade implementadas”, defende o economista.

Cantina além da troika

José Carlos Carvalho [foto de arquivo]

Desde setembro de 2013 que naquela sala de Arroios se juntam até 30 pessoas por cada refeição para comer o que as instituições distribuem. Inicialmente era apenas dado o jantar. “Mas pensámos: já que vamos abrir, as pessoas podiam ter acesso a outras refeições. Quisemos organizar este apoio para lhes dar uma refeição completa todos os dias”, refere Ana Filipa Belchior.

Agora há pequeno-almoço e almoço durante os dias de semana e há jantar todos os dias. Se o jantar está assegurado por várias instituições – que habitualmente já distribuem comida nas ruas – o mesmo não acontece com o pequeno-almoço e o almoço, que dependem de doações que variam de dia para dia.

Para o pequeno-almoço, o NAL conta com os excedentes do dia anterior doados pela Delta Q, assim como a ajuda de duas pastelarias da freguesia. Em média, há sete pessoas que ali vão comer de manhã – são menos não só porque a quantidade de comida é menor, mas também porque é durante a manhã que os sem-abrigo conseguem algum dinheiro a arrumar carros ou recolher ferro e alumínio.

Ao almoço a oferta é mais reduzida: algumas refeições vêm do Hotel Sheraton em Lisboa e o núcleo aguarda confirmação de outros locais. “É o centro neste momento que está a comparticipar estas refeições”, explica Ana Filipa Belchior. O que é comum a todas as refeições é o facto de a quantidade de comida oscilar – só quando a comida chega para todos uma vez é que alguém poderá repetir.

O NAL gostaria de conseguir dar mais refeições, mas também precisa de mais espaço. “Já pedimos um espaço maior, mas a Câmara diz que não existem mais espaços com condições.” Pedro Cardoso, diretor do Centro Social de Arroios, sublinha que lhes falta financiamento e que seria “importante” se a Segurança Social pudesse incluir este serviço entre as suas respostas sociais, dando um maior apoio ao NAL.

O Centro Social de Arroios tem ainda a cantina social e o banco alimentar. Da cantina saem diariamente 130 refeições – gratuitas para quem não tem rendimentos e, para quem os tem, entre 50 cêntimos e um euro por cada refeição.

“A cantina social resulta de um protocolo com a Segurança Social e surge em 2012. Era para ser para o período da troika, mas tem permanecido porque há essa necessidade”, aponta a assistente social.

“Até amanhã e obrigado”

João Carlos Santos [foto de arquivo]

Todos os dias, na sala de refeições, algumas pessoas vão embora depois de comerem a sopa, que chega entre as 20h e as 20h30. Outros ficam à espera do prato e da sobremesa, trazidos por outra associação a partir das 20h30. Alguns sentam-se nas escadas de pedra lá fora, enquanto esperam, outros deixam-se estar sentados a ver o jogo. Assim que chega a carrinha da associação que traz o resto da refeição, todos regressam para dentro. Os voluntários ajudam a descarregar as caixas e começa a ser servido o jantar. Naquele dia há massa com carne guisada; melão e melancia como sobremesa; e ainda um pastel de Belém. Há pão, água e sumo. A quantidade de comida vai variando de dia para dia e o número de pessoas que lá come também oscila durante o mês – na altura em que é pago o rendimento social de inserção, por volta do dia 23 ou 24 de cada mês, a procura é menor.

Alguns conversam, sobretudo sobre o jogo, mas à medida que vão acabando de comer, vão partindo. “Até amanhã e obrigado”, ouve-se. Há quem traga os pratos até à pequena copa e há quem os deixe na mesa. Alguns ficam até ao fim para ajudar os voluntários e o assistente social a levantar as mesas, a limpar as toalhas, as cadeiras e o chão.

Tudo vai ficando cada vez mais silencioso e cada um regressa à sua vida – uns têm hora para entrar na casa de acolhimento, outros vão procurar sítio para dormir numa noite que, por sorte, está “amena”. Há ainda quem quase sempre fique até o chão estar limpo, as cadeiras postas sobre as mesas, as luzes apagadas e as portas a fechar. “Para que é que hei de ir embora mais cedo para depois estar sozinho?”

  • É preciso aprender a envelhecer

    Virgínia tem 78 anos, caminha seis quilómetros por dia, viaja pelo mundo fora e ainda quer ir ao Canadá, Estados Unidos e Inglaterra. “A velhice programa-se”, diz. Em 2030, Portugal poderá ser o país mais envelhecido do mundo. Este é o segundo artigo da série “30 Retratos” que o Expresso vai publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • É preciso aprender a envelhecer

    Virgínia tem 78 anos, caminha seis quilómetros por dia, viaja pelo mundo fora e ainda quer ir ao Canadá, Estados Unidos e Inglaterra. “A velhice programa-se”, diz. Em 2030, Portugal poderá ser o país mais envelhecido do mundo. Este é o segundo artigo da série “30 Retratos” que o Expresso vai publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Os 44 anos de um carocha que custou 60 contos e 56 escudos

    Marcial comprou um carocha branco em 1971 que conseguiu manter até hoje. O mercado automóvel mudou nos anos 1980 e sofreu grandes perdas em 2012. Agora está a recuperar e em agosto deste ano as vendas aumentaram 24% em relação ao período homólogo. Este é o terceiro artigo da série “30 Retratos” que o Expresso vai publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • O “fator 30” traz mais bebés?

    Nos primeiros meses deste ano já nasceram mais bebés do que no mesmo período do ano anterior, embora ainda seja cedo para concluir que a natalidade vá aumentar em 2015, contrariando a tendência dos últimos anos. Até maio, nasceram 33.637 bebés em Portugal e Miguel Cruz é um deles. Este é o quarto artigo da série “30 Retratos” que o Expresso vai publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • “Não estou a fazer sapatos nem salsichas - há mais qualquer coisa nisto.” O cinema independente não está morto

    O cinema já foi dado como morto várias vezes. O número de espectadores diminuiu 30% numa década, as receitas de bilheteira caíram 12% e houve várias salas que fecharam. Mas há duas histórias paralelas a esta, a do Cinema Nimas e a do Cinema Ideal, em Lisboa, que reabriu em agosto do ano passado. Este é o quinto artigo da série “30 Retratos” que o Expresso vai publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Minha querida agricultura

    António quis fugir da vida na terra que os pais e os irmãos levavam. Estudou engenharia, trabalhou como programador e aos 50 anos voltou à agricultura. Emociona-se no fim da conversa, ele que faz parte dos 6,5% de população agrícola familiar em Portugal, proporção que em 1989 era de 19,8%. Este é o sexto artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • É isto que eles pagam

    Um em cada cinco trabalhadores (20%) leva hoje para casa o ordenado mínimo: €505, menos do que o salário real de 1974 indexado à atualidade. Clarice e Maria são duas mulheres, de histórias e vidas bastante diferentes, que o recebem todos os meses. Mas enquanto Maria descobriu este ano o primeiro emprego e tem ainda poucas despesas, Clarice já recebe o mínimo há duas décadas, tem uma casa para sustentar e todos os seus dias são uma luta pela sobrevivência. Este é o 14º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • O que sobra a um é o que falta a outro

    Estima-se que um milhão de toneladas de alimentos seja desperdiçado por ano em Portugal. Para fazer a ponte entre o que sobra a um e falta a outro, há associações como a Refood, que já distribui cerca de 35 mil refeições por mês. Este é o 13.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • A dignidade de saber ler e escrever. E de compreender

    Aos 54 anos, Edna decidiu voltar a estudar. Começou a trabalhar aos nove e, por isso, as palavras que poderia ler e escrever ficaram pelo caminho – aprendeu-as na 1ª e 2ª classe mas acabou por esquecê-las, guardando na memória apenas o nome e algumas letras, soltas, desordenadas. Hoje, após dois anos de aulas, já não contribui para as estatísticas oficiais de analfabetos (eram 5,2% em 2011), mas tem pela frente a barreira da iliteracia - tal como muitos portugueses (eram 48% em 2005) que não conseguem compreender totalmente o que leem. Este é o 12º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Treze mil dias de mar

    Carlos Alfaiate é pescador desde os 14 anos. Pescou na Mauritânia e em Marrocos, tem 36 anos e oito meses de mar no corpo, tirou chernes que valiam €1200. Passou décadas fora de Portugal e regressou em 2004, com arrependimentos e angústias. O sector de Carlos, que se fartou tantas vezes do mar, mudou nas últimas décadas e as 119.890 toneladas de peixe vendidas em 2014 são o valor mais baixo desde que há registos. Este é o sétimo artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Uma casa para o resto da vida

    Há mais pessoas a comprar casa e o sector da construção e do imobiliário tem sentido as melhorias. Filipa Vasconcelos e o marido tiveram um bebé no final do ano passado e decidiram, pela primeira vez, que fazia sentido comprar casa. “Claro que vamos ficar a pagar a prestação para o resto da vida, mas também pagaríamos uma renda.” Compraram um T4 com cinco assoalhadas por 75 mil euros. Este é o décimo artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • “Estou aqui com uma ideia: devíamos fazer uma academia para ensinar desempregados a programar”

    Por um lado há vagas para programadores que ficam por preencher, por outro há jovens qualificados sem emprego. A Academia de Código é uma empresa criada em 2013 para juntar as duas coisas e já estendeu as aulas de código às escolas primárias. Desde o início deste ano, a criação de empresas já está 8,4% acima de 2014. Este é o 11º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Vencer o vício da prisão

    Até aos 44 anos, António passou o tempo a entrar e a sair da prisão. Mas algo foi diferente da última vez: quando chegou cá fora tinha algo a que se agarrar. Entre 2010 e 2014, o número de reclusos nas prisões aumentou 20,4% – e só no fim dos anos 1990 houve um número semelhante de presos. Este é o nono artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • O problema mais sério ainda está para chegar

    O centro de saúde de Mogadouro já teve 18 mil utentes e 13 médicos, agora tem metade. A diretora do centro lembra que será um “problema grave” quando ali se reformarem os médicos mais velhos. Portugal tem uma das maiores disparidades da UE na distribuição de médicos no território: por 1000 habitantes, há 2,2 médicos em zonas rurais e 5,1 em zonas urbanas. Este é o oitavo artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições