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Presidente da Lusa diz que mudança na direção de informação “não é um movimento político”

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Maria Teresa Marques justifica alterações na direção de informação da Lusa com "reorganização da empresa em todas as áreas". E desvaloriza o timing do anúncio: "Se a decisão só fosse tomada após as eleições, também viria a conversa do costume sobre as mudanças de direções quando muda o Governo"

O jornalista Pedro Camacho vai assumir em outubro o cargo de diretor de informação da agência Lusa. A entrada em funções do ex-diretor da revista "Visão" deverá ocorrer no dia 6 de outubro, após receber o parecer positivo da Entidade Reguladora para a Comunicação Social e depois da realização das eleições legislativas.

A nomeação de um novo diretor de informação na agência noticiosa apanhou de surpresa os trabalhadores da empresa, mas foi justificada ao Expresso pela presidente da Lusa, Maria Teresa Marques, no âmbito de uma "reorganização da empresa em todas as áreas".

O processo de reorganização - que não contempla redução de efetivos - inclui mudanças nas direções de marketing, comercial, administrativa, financeira e de operações, e tem por objetivo "gerir a agência de uma forma diferente". No plano editorial, explica a presidente da empresa, "apesar do excelente trabalho desta direção de informação, foi entendido que a Lusa precisava de um diretor que fosse também um gestor, como já vai acontecendo em muitas empresas privadas", justifica.

Questionada sobre o timing desta mudança - em véspera da realização de eleições legislativas -, Maria Teresa Marques rejeitou qualquer interpretação política à nomeação de uma nova direção de informação.

"Pelo contrário", defende. "Se a decisão só fosse tomada após as eleições, também viria a conversa do costume sobre as mudanças de direções quando muda o Governo. Assim, tomámos a decisão numa altura em que ninguém sabe sequer quem vai ser o próximo Governo", argumenta, antes de recordar que a atual administração "só tomou posse em janeiro de 2015" e precisou de "três a quatro meses" para adotar a estratégia que agora começou a implementar.

A presidente da Lusa assegura, de resto, que a tutela governamental - assumida pelo ministro Poiares Maduro - não foi consultada no âmbito deste processo, por ser uma matéria "da competência da administração". E rejeita, aliás, qualquer cenário de eventuais limitações futuras à direção de informação de Pedro Camacho na sequência de mudanças de cor política no Governo. "No dia em que um Governo diga a este Conselho de Administração que tem de mudar a direção de informação, o Conselho de Administração demite-se", diz Maria Teresa Marques.

Recorde-se que o até agora diretor de informação da agência Lusa, Fernando Paula Brito - que se manterá em funções até ao início de outubro - assumiu a direção de informação da agência em agosto de 2011, em substituição do anterior diretor Luís Miguel Viana, que chegou a acordo para a rescisão amigável do seu contrato com a empresa poucos dias depois de o novo Governo liderado pelo PSD e pelo CDS ter tomado posse.

A saída de Viana, que tinha sido nomeado durante o Governo de Sócrates, foi, de resto, a primeira mudança de cargos na comunicação social pública durante o mandato de Pedro Passos Coelho como primeiro-ministro.

A nomeação de Pedro Camacho para a direção de informação da Lusa será, assim, a primeira na última déacada a ocorrer antes da realização de umas eleições Legislativas. Sobre a futura equipa diretiva de Camacho na Lusa, a presidente da agência noticiosa diz que o jornalista terá total liberdade para escolher a sua composição, mas que a mesma será composta apenas por jornalistas que já integram os quadros da empresa. "A Lusa não tem mais margem para ir ao mercado contratar", justifica.

  • Antigo diretor da "Visão" foi o escolhido pela administração da agência noticiosa para substituir Fernando Paula Brito a partir de outubro. Nomeação terá ainda de ser aprovada pela ERC. Direção atual demite-se em bloco depois de ter sido informada sobre as alterações em curso