Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Vacina universal contra a gripe pode estar cada vez mais perto

  • 333

O vírus da gripe muda constantemente, pelo que a vacina criada todos os anos é especificamente para aquela altura e a imunidade conferida não é duradoura

Justin Sullivan/Getty Images

Dois artigos científicos publicados nas revistas "Science" e "Nature" mostram o caminho que está a ser feito para desenvolver uma vacina universal contra todos os tipos de vírus da gripe. Mas falta ainda confirmar a sua eficácia em humanos

Criar uma vacina universal contra a gripe pode estar cada vez mais perto, de acordo com os avanços de duas equipas de investigadores dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, publicados esta segunda-feira nas revistas científicas “Science” e “Nature”. Se fosse criada uma vacina universal, que conseguisse ser eficaz contra todos os tipos de vírus da gripe, evitava-se que todos os anos fosse necessário criar uma nova vacina, em resposta às mutações que o vírus vai sofrendo.

Até agora os investigadores conseguiram provar a eficácia desta vacina universal em animais, conseguindo prevenir mortes e reduzir os sintomas em ratos, furões e macacos. No entanto, falta ainda confirmar a sua eficácia em humanos. Segundo os investigadores, esta vacina poderá ainda ajudar a prevenir potenciais pandemias de vírus de gripe capazes de passar de pássaros ou porcos para os humanos.

As vacinas convencionais têm como alvo a chamada “cabeça” da molécula hemaglutinina (HA), uma proteína que se encontra na camada mais superficial do vírus da gripe. E essa é a parte que sofre mutações mais rapidamente, pelo que as vacinas desenvolvidas anualmente procuram acompanhar essas alterações para serem eficazes.

Daí que, como é explicado no portal da Direção-Geral de Saúde, a atual vacina contra a gripe, criada anualmente, não dá uma proteção a longo prazo. “O vírus muda constantemente, surgindo novos tipos de vírus para os quais as pes­soas não têm imunidade e a vacina anterior não confere proteção adequada. Além disso a imunidade conferida pela vacina não é duradoura.”

Os avanços científicos agora publicados concentram-se noutra parte dessa molécula – não na “cabeça”, mas sim na “haste” ou “pescoço”, uma parte que sofre alterações de forma menos frequente e que é mais semelhante entre as várias estirpes do vírus.

Barney Graham, um dos investigadores responsáveis por uma das duas equipas que publicaram os estudos científicos, diz ao diário britânico “The Guardian” que estes são ainda “testes de conceito” e que só daqui a pelo menos três anos é que os primeiros ensaios em humanos irão decorrer.

Sarah Gilbert, professor de Vacinologia na Universidade de Oxford, diz também ao “The Guardian” que este é um desenvolvimento importante, mas que ainda falta tempo para chegar definitivamente a uma vacina universal contra a gripe. “As novas vacinas têm agora de ser testadas em ensaios clínicos para ver se se comportam bem em humanos. Esta será a próxima fase da investigação, que levará vários anos.”