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Mirandês chega à toponímia de 32 aldeias de Miranda do Douro

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O mirandês vai ser transposto para a toponímia de 32 aldeias do concelho de Miranda do Douro, numa iniciativa da Câmara local

Marcos Borga

O trabalho de registo dos nomes de 794 ruas, largos e outros espaços públicos demorou quatro anos. Agora, nos próximos dois, serão colocadas as respetivas placas bilingues

A Câmara de Miranda do Douro e a sua Comissão de Toponímia concluíram um processo para que 794 nomes de artérias em 32 aldeias locais passem a identificar-se nos idiomas português e mirandês, uniformizando-se assim um critério seguido pontualmente.

Fonte autárquica disse esta terça-feira que o trabalho de registo dos nomes de ruas, largos e outros espaços públicos demorou quatro anos. Agora, nos próximos dois anos, serão colocadas as respetivas placas bilingues.

Do trabalho feito resultam designações bilingues como Ruga de las Carboneiras e Rua das Carvoeiras, Lhargo de ls Dançadores e Largo dos Pauliteiros, Ruga de l Spantalho e Rua do Espantalho ou Caleija de l Barrialto e Travessa do Bairro Alto.

A denominação das vias em língua mirandesa foi realizada pela comissão, cujos elementos se deslocaram a cada localidade, questionando e auscultando os habitantes, de forma a obter o topónimo original por um grupo que incluía linguistas, historiadores, geógrafos, presidentes de junta e outros autarcas. A explicação é dada por Anabela Torrão, presidente da Comissão Municipal de Toponímia de Miranda do Douro, no distrito de Bragança.

“Agora, todas as aldeias do concelho têm um caderno de topónimos organizado. Contudo, verificamos que há topónimos que tem a sua raiz na antiguidade do lugar e que foram percorrendo o tempo por via oral até hoje”, frisa, por seu lado, o presidente da Câmara Artur Nunes.

A comissão sublinha que a toponímia não pode resumir-se a um “sistema de georreferenciação de que o homem obrigatoriamente necessita e utiliza para localizar as suas atividades e eventos no território”. A ela também estão “intimamente ligados valores culturais das populações, traduzindo muitas vezes as suas memórias”.

“Registar a toponímia do nosso concelho nas duas línguas que nele se falam não é apenas compreender e registar o nosso passado mas também delinear o futuro”, conclui Artur Nunes.