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Alerta da Deco. Cuidado com os pneus usados à venda

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“Sai mais caro comprar pneus usados do que optar por uns novos”, salienta a Deco

JEAN-SEBASTIEN EVRARD / AFP / Getty Images

“A possibilidade de adquirir um produto que respeite os critérios de segurança parece ser uma questão de sorte. A aleatoriedade da qualidade e da segurança dos pneus [usados] vendidos é total‘, conclui um estudo da Associação Portuguesa para Defesa do Consumidor

A Deco vai requerer a criação de um quadro legal específico que obrigue à triagem obrigatória de pneus usados colocados à venda, por considerar que sua comercialização não contempla a segurança e a qualidade do produto em causa.

Esta é uma das conclusões do estudo elaborado pela Associação Portuguesa para Defesa do Consumidor e divulgado esta terça-feira sobre a venda de pneus usados em Portugal, que a Deco Proteste considera ser “um setor em que os consumidores estão desprotegidos”.

“A possibilidade de adquirir um produto que respeite os critérios de segurança parece ser uma questão de sorte. A aleatoriedade da qualidade e da segurança dos pneus vendidos é total. Um operador que, hoje, venda pneus que deviam há muito ter sido eliminados das lojas, amanhã poderá vender outros em condições aceitáveis para a sua reutilização”, refere o estudo da associação.

Perante estas conclusões, a Deco vai pedir “a criação de um quadro legal específico, como já existe noutros países, protegendo os consumidores, e que obrigue, por exemplo, à triagem obrigatória dos pneus usados vendidos, responsabilize os operadores ou crie a obrigatoriedade da rastreabilidade da origem dos pneus usados à venda”.

A associação vai também exigir às autoridades de segurança e prevenção rodoviárias que “passem a incluir, nos respetivos autos de acidentes de trânsito, informações sobre o estado e, quando possível, sobre a natureza dos pneus utilizados pelas viaturas envolvidas”.

Por fim, é intenção da Deco requerer à Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) “que desencadeie medidas visíveis de fiscalização, de modo a que haja um reforço da segurança dos consumidores”.

Além do teste à segurança, o estudo da Associação Portuguesa para Defesa do Consumidor incidiu igualmente sobre a rentabilidade para o consumidor da aquisição de pneus usados e concluiu tratar-se de “um mito”. “Sai mais caro comprar pneus usados do que optar por uns novos”, salienta a associação.

Para a elaboração deste estudo a Deco comprou 89 pneus usados, 50 dos quais apresentavam “falhas graves de segurança que deviam impedir a sua venda”.

A associação verificou que a maioria dos pneus apresentavam um rasto abaixo dos limites legais definidos, estavam furados e não reparados e vários estavam ovalizados - sendo que neste caso alguns não se equilibravam e outros só assentavam meia superfície no pavimento.

Entre os 89 pneus adquiridos, vários apresentavam profundidades desiguais em várias zonas de medição do rasto do mesmo pneu e outros tinham remendos laterais, com rasgões ou com a estrutura metálica visível. Dezassete tinham mais de dez anos e um par de pneus tinha 19 anos.