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A ilha dos 400 habitantes e 10 km de estrada voltou a ter acidentes de viação

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Foram cinco anos sem acidentes. Mas 2015 está a ser diferente no Corvo, nos Açores, onde não há oficinas e muitos conduzem sem cinto: esta segunda-feira houve mesmo um caso fatal. O inquérito para apurar as causas precisa de “dois a três meses”. Toda a população do Corvo está “em choque”

A GNR revelou esta terça-feira que o acidente de viação ocorrido segunda-feira no Corvo é o segundo de 2015, depois de cinco anos sem casos registados na mais pequena ilha dos Açores.

"Este ano já registámos dois acidentes de viação no Corvo. O último ocorreu na segunda-feira", afirmou o major Rosa, do comando da GNR nos Açores, em declarações à agência Lusa, acrescentando que o outro acidente também foi um despiste, mas do qual resultaram apenas danos materiais.

Na segunda-feira, uma mulher de 33 anos morreu e outras seis pessoas ficaram feridas num acidente de viação com uma carrinha com turistas na ilha do Corvo. O major Rosa adianta que está a decorrer o inquérito para apurar as causas deste acidente, um processo que só deverá estar concluído "dentro de dois a três meses".

O antigo presidente da Câmara Municipal de Vila do Corvo Manuel Rita disse esta terça-feira à agência Lusa que existem "mais de cem viaturas relativamente novas" na ilha e a maior parte da população tem carta de condução.

"Quase todos têm carta de condução porque enquanto eu estava na câmara vieram duas ou três vezes dar cartas de condução", referiu Manuel Rita, reconhecendo que há vários automobilistas na ilha que não usam o cinto de segurança, apesar de ser obrigatório. As distâncias no Corvo são "curtas e as pessoas andam devagar", justificou.

População “em choque”

Manuel Rita conta que o acidente de viação mais grave de que se recorda ocorreu "há muitos anos" e envolveu um trator que se virou, tendo morrido uma pessoa. "Há quem diga que o homem já estava morto quando o trator se virou. Foi o acidente mais grave da nossa história até ao que aconteceu na segunda-feira", disse Manuel Rita, acrescentando que toda a população do Corvo está "em choque".

Segundo Manuel Rita, em abril de 2008 houve um acidente rodoviário no Corvo que envolveu uma viatura particular e um veículo da GNR, de que resultaram apenas danos materiais, e em 1997 um homem foi atropelado. No Corvo residem cerca de 400 pessoas e não existe uma oficina mecânica, apesar dos carros que há na ilha.

Segundo Manuel Rita, "as pessoas vão-se resolvendo por si" e quando o caso é mais grave têm de enviar viaturas para a vizinha ilha das Flores. A ilha do Corvo, com uma área de 17 quilómetros quadrados, tem uma rede de estradas com cerca de 10 quilómetros, a que se deve acrescentar as ruas do interior da vila.