Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Incêndios: “É como na guerra, atacamos quando o inimigo está mais fraco”

  • 333

Miguel Pereira da Silva / Lusa

Este ano já houve perto de 13 mil fogos. Este domingo, mais de 600 operacionais no terreno combatem três incêndios

As chamas avançavam em Sortelha, ameaçando pessoas, casas e culturas. Dos três que foram identificados este fim de semana, o incêndio no Sabugal, no distrito da Guarda, era o mais grave e aquele que concentrava um maior número de esforços: 379 operacionais, 126 veículos, um helicóptero e dois aviões. Ativo desde as 2h36 de sábado, foi finalmente dado como controlado este domingo, às 10h30, segundo avança a agência Lusa. Mas não sem provocar vítimas: um homem de 76 anos, que não conseguiu escapar às chamas.

Os meios para dominar o fogo foram conseguidos durante a noite, mal o vento abrandou. "É como na guerra, atacamos quando o inimigo está mais fraco", declarou à Lusa António Fonseca, comandante operacional distrital, que alerta que "dominado" não é o mesmo que "extinto". Assim, ainda há muito trabalho pela frente.

Esta manhã, mais de 600 homens encontravam-se no terreno a combater três incêndios, depois de na sexta-feira passada o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) ter colocado 22 concelhos com risco máximo de incêndio. A previsão veio a concretizar-se no concelho do Sabugal, na Guarda, e em Vila Real. Para além da Guarda, os outros dois fogos ativos estavam concentrados no distrito de Vila Real: um deles em Santa Eugénia, no concelho de Alijó (com início a 13h13 de sábado) e outro em Possacos, concelho de Valpaços (que deflagrou às 15h11 de sábado).

Mas o tempo poderá dar uma ajuda neste combate. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera prevê chuva e uma descida das temperaturas para o dia de hoje, especialmente nas regiões do Norte e Centro.

Fogos e detenções aumentam face a 2014

Todos os anos, a história repete-se. Os incêndios voltam a aparecer para aquecer o verão e marcar presença nas páginas dos jornais e telejornais.

Só este ano, Portugal teve quase 13 mil fogos (12.810 ocorrências), mais 4% do que a média registada na última década, embora com menos área ardida (43.844 hectares de povoamentos e matos ardidos), segundo dados divulgados esta semana pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas. Na última década, o pior ano em número de ocorrências foi o de 2005, com mais de 24 mil até agosto; já o ano passado foi o mais brando, com menos de cinco mil.

Este ano o número de ocorrências voltou a aumentar. O dia 8 de agosto viu surgir em Vila Nova de Cerveira (Viana do Castelo) o incêndio mais grave (desde 1 de janeiro a 15 de agosto), que consumiu uma área de três mil hectares. Viana do Castelo, Guarda e Braga foram os distritos com maior área ardida.

Neste panorama nacional, só uma pequena parcela resulta de causas naturais, segundo informa a Guarda Nacional Republicana (GNR): no ano passado, apenas 1% dos fogos teve essa origem. 43% resultaram de negligência, 17% foram intencionais, 9% foram reacendimentos e em 30% dos fogos não foi possível apurar as causas.

Só desde o início deste ano, a GNR já deteve 51 pessoas por causa de incêndios florestais, mais 20 do que no período homólogo do ano passado. Para além destas, 690 foram identificadas, ou seja, mais 308 pessoas do que no ano passado).