Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Verão despede-se ameno e chuvoso

  • 333

Joao Carlos Santos

Temperaturas vão descer, acompanhadas por alguma chuva, mas seca continua a marcar 2015

Virgílio Azevedo

Virgílio Azevedo

Redator Principal

Uma superfície frontal fria vai provocar neste fim de semana uma descida de 10 a 12 graus nas temperaturas. Não era expectável, mas fazer previsões meteorológicas no verão é uma tarefa ingrata. Por isso, quando consultamos o site do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e olhamos para o que vai acontecer ao estado do tempo nos próximos dez dias por localidade, a margem de erro é maior do que o costume. Por vezes, os nossos planos para gozar um magnífico dia de sol, calor e pouco vento na praia, no mar, no campo ou na montanha, podem sair completamente frustrados por nuvens imprevistas, temperaturas mais baixas, nortada e até alguma chuva. E obrigam-nos a ver constantemente as atualizações que o IPMA vai fazendo às suas previsões a dez dias.

“A baixa previsibilidade do estado do tempo é uma característica do verão”, reconhece Pedro Viterbo, diretor do Departamento de Meteorologia e Geofísica do IPMA. “O comportamento da atmosfera é muito mais fiável e previsível no inverno”, quando há superfícies frontais e “uma dinâmica forte da atmosfera, com ventos, precipitação e depressões”. Ou seja, “em tudo o que tenha geração de energia, os modelos matemáticos que usamos fazem previsões com mais facilidade”. No verão tudo se complica, porque “os escoamentos da atmosfera são fracos”.

Mesmo assim, estamos hoje a um mês do final do verão e vale a pena conhecer os dados disponíveis sobre o que se vai passar nos dias que restam da estação mais quente do ano. Comecemos pela Previsão Mensal para o continente que o IPMA elaborou para o período de 17 de agosto a 13 de setembro, com base no modelo do Centro Europeu de Previsão a Médio Prazo. O relatório revela que “na temperatura média semanal preveem-se valores abaixo do normal — menos um a três graus — para todo o território nas semanas de 17 a 23 de agosto, de 24 a 30 de agosto e de 31 de agosto a 6 de setembro”. Quanto à semana de 7 a 13 de setembro, não é possível, para já, “identificar a existência de sinal estatisticamente significativo”. No que diz respeito à precipitação total semanal, estimam-se “valores acima do normal — até aos 10 milímetros — para toda a faixa litoral a norte do Cabo Raso (concelho de Cascais) na semana de 24 a 30 de agosto”. Nas outras semanas não há, por enquanto, dados estatisticamente significativos.

Julho quente, agosto incerto

Julho foi um mês quente e seco, com as temperaturas médias um grau acima do normal, as máximas 1,7 graus e as mínimas 1,2 graus. E uma massa de ar quente vinda do deserto do Sara trouxe poeiras e uma vaga de calor que atingiu o sul e o centro da Europa. Os dados das primeiras três semanas de agosto ainda não foram divulgados, mas Pedro Viterbo revela ao Expresso que “apontam para temperaturas máximas próximo do normal, com as mínimas e as médias abaixo do normal”, em relação ao período de referência de 1971-2000. A verdade é que em agosto tivemos até agora tempo incerto, com algumas surpresas desagradáveis: céu muito nublado durante dias seguidos, chuvas inesperadas de norte a sul, mesmo no Algarve e no Alentejo, e temperaturas mínimas abaixo dos dez graus na Beira Interior e Trás-os-Montes.

“Não há grandes explicações para este tempo incerto”, diz o diretor de Meteorologia e Geofísica do IPMA, embora refira que as temperaturas mais baixas se ficaram a dever “a uma massa de ar mais frio proveniente do Atlântico Norte”, que poupou o centro e norte de Europa, onde as temperaturas máximas atingiram valores acima do normal e chegaram a ser superiores às de Portugal.

Mas há uma certeza para o nosso país: a pouca chuva registada desde o início do ano vai continuar. “As anomalias negativas na precipitação, que de janeiro a março chegaram aos 50%, não desapareceram e por isso 80% do território está neste momento em situação de seca severa ou extrema”, explica Pedro Viterbo. Feitas as contas 2015 é, para já, o terceiro ano mais seco desde 1941.