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Verão seco leva a falta de água em Bragança

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Várias aldeias estão a ser abastecidas por camiões cisterna e a Câmara de Bragança apela à moderação no consumo de água

A barragem ambicionada há 30 anos para abastecer Bragança está pronta mas com pouca água, assim como todo o concelho com várias aldeias abastecidas por camiões cisterna e a Câmara a apelar à moderação nos consumos.

O problema das “14 ou 15” aldeias é recorrente de ano para ano, porém mais evidente neste verão devido à seca resultado da falta de chuva nos últimos quatro meses, que esgotou as fontes alternativas de abastecimento também à cidade e reduziu para metade as reservas daquela que tem sido a única fonte de armazenamento, a barragem da Serra Serrada.

O cenário foi descrito à Lusa pelo presidente da Câmara, Hernâni Dias, que, no início de agosto enviou uma carta a todos os munícipes a dar conta das dificuldades, a apelar à colaboração de todos na poupança de água e a alertar para medidas proibitivas que incluem um agravamento nos tarifários para consumos mais elevados, se as condições climatéricas se mantiverem.

“Há quatro meses que não chove, os sistemas estão a começar a fraquejar”, afirmou o autarca, dando conta de que a segunda barragem para abastecimento público, a de Veiguinhas, que irá triplicar a capacidade de armazenamento do concelho, está concluída, mas só ainda conseguiu armazenar 150 mil metros cúbicos de água, um valor que daria para apenas 15 dias de consumo dos cerca de 30 mil habitantes.

O abastecimento à cidade e aldeias limítrofes continua a ser assegurado pela barragem da Serra Serrada, localizada na Serra de Montesinho, que este ano começou a ser utilizada 20 dias mais cedo do que é habitual.

Os sistemas complementares de captação nos rios Sabor e Baceiro também foram acionados mais cedo do que é habitual, estão esgotados e a única captação alternativa que ainda continua a abastecer é a de Cova de Lua, segundo o autarca.

Também no meio rural as 167 captações existentes começam a dar sinais de insuficiência e em “14 ou 15 aldeias” do concelho, afirma Hernâni Dias, os depósitos estão a ser abastecidos por camiões cisternas dos bombeiros.

O autarca sublinhou que “até hoje ainda não se verificou nenhuma situação de falta de água em nenhuma aldeia” e que, neste conjunto de aldeias, a situação é recorrente no verão, devido ao aumento da população com os emigrantes em férias, este ano agravado pela seca prolongada que esgotou e debilitou as nascentes locais.

O segundo comandante dos bombeiros de Bragança, Carlos Martins, confirmou à Lusa que a corporação “está a transportar por dia, em média, em quatro camiões cisterna, 160 mil litros a cinco a sete aldeias”.

Há pelo menos uma década que os bombeiros de Bragança fazem este serviço “com mais ou menos regularidade” e em algumas aldeias de forma recorrente de ano para ano.

Este ano, segundo Carlos Martins, “a seca está a influenciar”, levando a que o transporte se iniciasse “cerca de um mês e meio mais cedo”, quando habitualmente ocorria só em finais de julho com a chegada dos emigrantes.

A continuarem as condições atuais sem chuva e os mesmo consumos de água, o presidente da Câmara afirma que o concelho ficará “numa situação complicada” e a autarquia tem já planeadas medidas adicionais.

O município reduziu para metade os tempos de rega dos jardins públicos e dentro de “poucos dias” vai suspender por completo as regas e lavagens das ruas e renovação da água em fontes luminosas, assim como proibir o uso da água de consumo público na rega de jardins, hortas, etc.

O plano de contingência contempla ainda outras medidas e “numa situação limite” a aplicação de um tarifário de emergência que penalizará com preços “muito superiores aos atuais” os consumos elevados e de natureza proibida.