Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Flores de papel de Campo Maior querem ser reconhecidas pela UNESCO

  • 333

A poucos dias do início das Festas do Povo de Campo Maior, populares enfeitam o interior do Centro Comunitário local com flores de papel

NUNO VEIGA / Lusa

Vila alentejana aguarda por mais de um milhão de visitantes nas Festas do Povo de 2015 e espera que uma “edição memorável” pela “decoração espetacular das ruas” ajude a tornar o evento Património Cultural Imaterial da Humanidade

Mais de um milhão de visitantes é esperado nas Festas do Povo de Campo Maior (Portalegre), que arrancam este sábado, apresentando nesta edição 100 ruas “engalanadas” com flores de papel, revela fonte da organização.

Em declarações à agência Lusa feitas esta quinta-feira, o presidente da Associação das Festas do Povo de Campo Maior, João Rosinha, indica que este ano contam com “100 ruas inscritas”, estando ainda envolvidos na organização do evento “cerca de seis mil” voluntários. “Os números são de facto impressionantes e dizem bem a dimensão destas festas. A edição deste ano vai ser memorável e a decoração das ruas vai ser espectacular”, acrescenta.

A poucas horas do arranque de mais uma edição destas festas populares, pelas casas de Campo Maior ainda há quem esteja a trabalhar nas flores de papel, cantando ao mesmo tempo as tradicionais Saias, um género musical típico daquela vila alentejana.

Helena Teixeira nasceu em Lisboa, reside há 13 anos em Campo Maior e em declarações à Lusa assume que vive as festas como se de uma “verdadeira camponesa” se tratasse, dedicando-se a fazer flores de papel para engalanar uma das principais ruas da vila alentejana.

“Eu sou de Lisboa, não sabia fazer nada disto e agora mexo aqui no papel como se fosse uma camponesa. Já sinto esta tradição como minha e tenho muito orgulho”, declara.

A edição deste ano das Festas do Povo de Campo Maior está assegurada, mas no futuro poderá estar em risco, alerta por sua vez Ana Clara Encarnação, de 64 anos, natural da vila e desde sempre uma “apaixonada” pelos trabalhos em redor da criação das flores de papel. “O futuro, eu acho que não está assegurado porque a juventude não quer, nem os mais velhos”, lamenta.

Para dar a conhecer ao mundo esta tradição popular, está a ser preparada a candidatura das Festas do Povo a Património Cultural Imaterial da Humanidade na Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

As Festas do Povo de Campo Maior contemplam a ornamentação das ruas da vila, sobretudo do centro histórico, com milhares de flores em papel feitas pela própria população

As Festas do Povo de Campo Maior contemplam a ornamentação das ruas da vila, sobretudo do centro histórico, com milhares de flores em papel feitas pela própria população

NUNO VEIGA / Lusa

De acordo com João Rosinha, a edição deste ano das festas, que vão decorrer até ao dia 30 deste mês, servem de “contributo” para a candidatura, esperando o responsável que em 2017 a UNESCO reconheça as festas como uma “maravilha mundial”.

Considerado um evento tradicional único, as Festas do Povo de Campo Maior só se realizam quando a população da vila quer. Contemplam a ornamentação das ruas da vila, sobretudo do centro histórico, com milhares de flores em papel, feitas pela própria população. As Festas do Povo são reconhecidas internacionalmente pela sua originalidade e cariz popular, com os habitantes a prepararem, durante meses, a ornamentação das ruas com flores de papel.

De tradição secular, as Festas do Povo foram realizadas pela última vez em 2011, depois de um interregno de sete anos.

Este ano, pela primeira vez, vão ser cobradas entradas nas festas, custando um bilhete diário quatro euros, sendo o estacionamento gratuito. Os residentes ou os naturais de Campo Maior, bem como familiares até ao segundo grau, trabalhadores no concelho e crianças até aos 10 anos de idade, estão isentos do pagamento de entradas.