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37,5 milhões de adúlteros expostos na internet

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Os titulares de nada menos que 37,5 milhões de contas no site Ashley Madison veem assim os seus nomes, moradas e endereços eletrónicos, bem como o registo de pagamentos efetuados caírem na internet e ficarem à mercê de quem os quiser ver

Chris Wattie / Reuters

Tinham contas no site Ashley Madison que foi assaltado por hackers no mês passado

Luís M. Faria

Jornalista

São hackers de palavra. O grupo Impact Team, que há um mês tinha anunciado o roubo de dados contidos num site canadiano que proporciona relações extraconjugais a pessoas casadas ou numa relação com outras, prometera revelar essa informação caso o site não fechasse portas.

Como o Ashley Madison não encerrou, a ameaça foi cumprida. Os titulares de nada menos que 37,5 milhões de contas veem assim os seus nomes, moradas e endereços eletrónicos, bem como o registo de pagamentos efetuados – mas não os números de cartão de crédito – caírem na internet e ficarem à mercê de quem os quiser ver.

Ao todo, são 9,7 gigabites de informação. Mas, de facto, não ficam imediatamente acessíveis a qualquer pessoa. O Impact Team pô-los na chamada Dark Web, um pouco mais difícil de consultar do que a internet normal. Mesmo assim, é provável que haja muita gente aflita, e muita outra à procura de nomes familiares.

Quando os clientes abriam uma conta e depois decidiam fechá-la, o Ashley Madison prometia apagar todos os seus dados mediante o pagamento de 19 dólares canadianos (cerca de 13 euros). Mas parece que a informação não ficava realmente eliminada.
É esse aliás o argumento ético invocado pelos hackers para denunciarem o site. Uma questão de privacidade, não de moralidade sexual. Sobre esta não se discute agora, até pela quantidade de pessoas envolvidas.

Eis um exemplo típico de mensagem no site: “Adoro quando me ligam e me dizem que tenho 15 minutos para chegar a um sítio onde serei recebido à porta com uma surpresa – talvez lingerie, nudez (…) Gosto de muitos preliminares e endurance, gozar, discrição, oral, talvez uma vontade de experimentar…”.

Esta quarta-feira foi revelado o nome de uma celebridade que recorria ao site, e não deverá ser a única. Trata-se de Josh Dougar, estrela de um progama intitulado “19 Kids and Counting” (19 Crianças e Continuamos a Contar), que já tinha sido cancelado após Dougar ter sido acusado de molestar cinco menores. Agora, soube-se que ele também tinha conta na Ashley Madison. Dizia-se interessado em relações de uma noite.

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    O slogan diz “Life is Short. Have an Affair”, mas há quem prefira a nova versão: "Life is Short. Don't Hide the Affair. Dois dias depois da divulgação de informações pessoais dos utilizadores do maior site de relações extraconjugais do mundo, os seus donos vêm novamente pedir desculpa. Enquanto o site continuar a funcionar, os piratas informáticos garantem que até os fetiches sexuais dos clientes serão revelados