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Polícia Marítima toma navio de assalto depois de ameaças de morte no interior

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Um marinheiro pôs em causa a integridade dos restantes nove tripulantes e vai ser repatriado para a Turquia

Foto D.R.

Navio com bandeira liberiana pediu socorro às autoridades portuguesas. Um dos tripulantes de origem turca foi detido e entregue ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, que irá tratar da sua repatriação

A Polícia Marítima tomou de assalto um navio de bandeira liberiana em águas territoriais portuguesas, depois de a tripulação ter pedido socorro. Esta quarta-feira, um dos marinheiros pôs em causa a integridade dos restantes nove tripulantes, o que obrigou à intervenção das autoridades portuguesas. O homem vai agora ser repatriado para a Turquia.

O Celine, assim se chama o navio, deixou o porto da Figueira da Foz após um carregamento de pasta de papel. Tinha como destino Ceuta, no norte de África. Quando navegavam a oeste de Sines, um dos tripulantes começou a ameaçar a tripulação de morte e de que iria incendiar a mercadoria.

Segundo explicou ao Expresso o comandante Regional da Polícia Marítima do Sul e responsável pela operação, Malaquias Domingues, a tripulação tentou lidar com a situação, mas “não tendo capacidade para dominar uma figura violenta a polícia marítima foi alertada”. Eram 10h.

As operações para ajudar a tripulação começaram imediatamente. Em mar, os tripulantes do navio refugiaram-se na ponte de comando e conseguiram conduzir o navio até entrar em águas territoriais portuguesas. Quando se encontravam a cerca de 10 quilómetros a sul da costa de Sesimbra, a Polícia Marítima tomou de assalto o Celine. Pouco faltava para as 15h.

O homem acabou detido e foi entregue ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) que irá tratar da repatriação para a Turquia. Este marinheiro é, à semelhança da restante tripulação, de origem turca e “remeteu-se ao silêncio”. Tinha passaporte e a sua situação estava “totalmente legal”.

“O mais provável é que na origem do incidente estejam divergências laborais”, explicou o responsável pela operação. Não haverá nenhum processo criminal em Portugal, no entanto, segundo disse ao Expresso a mesma fonte, o armador do navio vai apresentar queixa na Turquia. “Penso que já esteja a tratar disso”, diz o comandante Regional da Polícia Marítima do Sul.

O Celine é um navio mercante “que circulava normalmente” e que tinha a sua situação regularizada. Após o incidente, prosseguiu caminho até Ceuta, mas com menos um marinheiro a bordo.